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Seminário em Marabá apresenta resultados preliminares sobre as dimensões da bioeconomia no Pará

Evento reúne pesquisadores, estudantes e gestores para discutir o potencial da bioeconomia paraense e subsidiar políticas públicas de desenvolvimen...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Pará
01/07/2026 às 17h21
Seminário em Marabá apresenta resultados preliminares sobre as dimensões da bioeconomia no Pará
Foto: Divulgação

Pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes de instituições de ensino e pesquisa participaram, nesta terça-feira (30), do seminário “Dimensões e resultados preliminares sobre a Bioeconomia no Pará”, promovido pelo Laboratório de Contas Regionais da Amazônia (Lacam), em Marabá, no Sudeste paraense. O evento está sendo realizado no miniauditório do Instituto de Estudos em Desenvolvimento Agrário e Regional (Iedar), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), com o objetivo apresentar análises iniciais sobre a dinâmica da bioeconomia no Estado e seus impactos para o desenvolvimento regional.

A programação reúne especialistas para debater avanços, desafios e oportunidades relacionados à bioeconomia amazônica, setor estratégico para a promoção de modelos de desenvolvimento que conciliem geração de renda, conservação ambiental e valorização dos conhecimentos e produtos da sociobiodiversidade.

O Seminário é resultado do trabalho da Rede Pará de Estudos sobre Contas Regionais e Bioeconomia, criada para estimar com precisão o valor e a estrutura das cadeias produtivas baseadas na sociobiodiversidade no Estado. A pesquisa é coordenada pela Fapespa, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

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Sustentabilidade -De acordo com estudos recentes sobre o tema, o Pará possui posição estratégica para liderar a agenda da bioeconomia na Amazônia, reunindo condições institucionais, econômicas e ambientais favoráveis à expansão de cadeias produtivas baseadas no uso sustentável da biodiversidade. Estimativas apontam que investimentos direcionados ao setor podem impulsionar a geração de emprego, renda e valor agregado à economia estadual.

Dados levantados pela Rede Pará de Estudos sobre Contas Regionais e Bioeconomia revelam que a bioeconomia da sociobiodiversidade já é um setor pujante da economia paraense e que não concentra a produção e a renda. Atualmente são R$ 13,5 bilhões gerados anualmente, que distribuem-se entre diversas comunidades e unidades familiares que estão espalhados em territórios rurais da Amazônia paraense.

Para um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, o professor e doutor Luiz Gonzaga Feijão da Silva, da Ufopa, a bioeconomia da sociobiodiversidade já é uma realidade global, um caminho alternativo para a sociedade. “Vimos isso durante a COP 30, e a nossa pesquisa aponta na mesma direção, de que a bioeconomia da sociobiodiversidade nos oferece um caminho alternativo para a sociedade como um todo. Ela se torna estratégica para o enfrentamento das mudanças climáticas, especialmente por valorizar a diversidade dos sistemas e por sua capacidade de gerar riqueza e meios materiais para reprodução da sociedade”, assevera o pesquisador.

Além da produção científica, o seminário busca fortalecer o diálogo entre universidades, governos e sociedade civil, promovendo a construção de conhecimento aplicado às necessidades dos territórios amazônicos. A iniciativa também reforça o papel da pesquisa científica na formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à valorização dos ativos da floresta em pé.

Cosmovisão -Um dos eixos apresentados durante o seminário abordou as dimensões sociais da bioeconomia paraense, com destaque para os recortes de gênero e raça. Os resultados preliminares indicam a necessidade de ampliar a compreensão sobre a participação de indígenas, mulheres e da população negra nas cadeias produtivas da bioeconomia, contribuindo para a formulação de políticas públicas mais inclusivas e para a redução das desigualdades históricas presentes na região amazônica.

Com essa abordagem, o estudo busca evidenciar não apenas a relevância econômica do setor, mas também seus impactos sobre a distribuição de renda, trabalho e oportunidades entre diferentes grupos sociais. “As pesquisas de campo também têm permitido compreender dimensões sociais e ambientais fundamentais para o desenvolvimento da bioeconomia, evidenciando o protagonismo de povos e comunidades tradicionais, a participação das mulheres nas cadeias produtivas, os desafios e oportunidades relacionados à equidade racial, bem como a contribuição dessas atividades para a conservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais”, destaca a responsável pela Rede, Diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação (DETGI) da Fapespa, Atyliana Dias.

Flávia Lisboa, mestranda em dinâmicas territoriais e sociedade na Amazônia e doutorando em estudos linguísticos, pesquisadora responsável pela pesquisa

“A bioeconomia é, essencialmente, uma atividade realizada por pessoas vinculadas a diferentes territórios. Portanto, nossa preocupação central é compreender quem são esses sujeitos, quais são as suas condições de vida e em que contextos essa bioeconomia é fomentada. É fundamental reconhecer a complexidade desses indivíduos, evitando análises genéricas ou homogêneas. Ao investigar quem são essas pessoas, considerando marcadores como gênero, raça e territorialidade, conseguimos humanizar os dados e identificar os reais gargalos a partir da realidade vivida”, explica Flávia Lisboa, mestranda em dinâmicas territoriais e sociedade na Amazônia e doutorando em estudos linguísticos, pesquisadora responsável pela pesquisa.

A pesquisadora explica que após cruzamento de estatísticas, como o montante de 13,5 bilhões divulgado pela Rede, com recortes de raça e gênero, está sendo possível olhar para a pesquisa com olhar mais humano. “Tornamos visíveis camadas que os números frios não revelam. Nosso objetivo é justamente humanizar esses indicadores, dando rosto aos agentes que impulsionam a bioeconomia. Percebemos que são, majoritariamente, pessoas vinculadas a territórios específicos, comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, com um forte protagonismo feminino. Essas mulheres lideram processos produtivos em harmonia com a natureza, em contraposição ao modelo hegemônico e predatório que historicamente domina a narrativa econômica na Amazônia, como a mineração e a agropecuária de larga escala.”, explicou.

Para essa análise, a metodologia aplicada para captação dos dados macro são obtidos via fontes oficiais, como notas fiscais e pesquisas de campo territórios representativos.Para isso, os pesquisadores realizaram incursões junto a agroextrativistas, como o grupo do Projeto Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, comunidades pesqueiras artesanais em São Geraldo do Araguaia e quebradeiras de coco em São Domingos do Araguaia.

Os resultados preliminares apresentados no seminário contribuem para ampliar a compreensão sobre as diferentes dimensões da bioeconomia no Pará, incluindo aspectos econômicos, sociais, territoriais e ambientais. A realização do evento ocorre em um momento de crescente protagonismo do Pará nos debates nacionais e internacionais sobre bioeconomia, sustentabilidade e mudanças climáticas. “Na Fapespa, temos o compromisso de produzir evidências estatísticas e científicas que subsidiem políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à inclusão social e à valorização das populações que fazem da floresta um ativo econômico e ambiental estratégico para o futuro do Pará”, finaliza a diretora da Fapespa, Atyliana Dias.

A programação na Unifesspa segue nesta quarta-feira (1°), com mesa sobre a Pesquisa de Orçamento Familiar de Marabá (POF-Marabá) que busca compreender como os moradores do município organizam seus gastos e quais são seus padrões de consumo, gerando dados que poderão subsidiar políticas públicas e estudos econômicos e sociais.

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