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Hospital corta SUS às vésperas do aniversário de Ananindeua enquanto Prefeitura banca shows milionários

Falta de repasse da Prefeitura leva Hospital Modelo a suspender atendimentos pelo SUS a partir de 1º de janeiro; decisão explode em meio a gastos de quase R$ 1 milhão com atrações artísticas financiadas com dinheiro público

San Diego
Por: San Diego
30/12/2025 às 11h44 Atualizada em 30/12/2025 às 12h42
Hospital corta SUS às vésperas do aniversário de Ananindeua enquanto Prefeitura banca shows milionários
Foto: Divulgação

Às vésperas de completar 82 anos, Ananindeua entra 2026 mergulhada em uma contradição que revolta a população e escancara as prioridades da gestão municipal. O Hospital Modelo de Ananindeua informou que vai interromper todos os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do dia 1º de janeiro, alegando falta de repasses financeiros por parte da Prefeitura.

A decisão atinge diretamente milhares de usuários da rede pública e ocorre em um momento crítico, marcado por reclamações constantes sobre a precariedade dos serviços essenciais, especialmente na saúde e na coleta de lixo. Para muitos moradores, o recado é claro: falta dinheiro para salvar vidas, mas sobra para o espetáculo.

Enquanto pacientes ficam sem atendimento, a Prefeitura de Ananindeua autorizou, no mesmo período, contratações milionárias da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) para a programação oficial do aniversário da cidade. Somados, os contratos chegam a quase R$ 1 milhão, custeados com recursos não vinculados de impostos, ou seja, dinheiro público que poderia ter outro destino.

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Entre os valores que mais causaram indignação está o cachê do cantor Zé Felipe, que receberá R$ 630 mil por uma única apresentação. Também estão na lista a cantora Viviane Batidão e o grupo Trimanos, compondo uma festa cara em um município onde a saúde pública entra em colapso.

Os contratos foram assinados no dia 23 de dezembro e publicados no Diário Oficial do Município no dia 26, com base na Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações. Legalidade à parte, a decisão levantou uma enxurrada de críticas nas redes sociais, onde moradores questionam a moralidade e a sensibilidade da gestão municipal diante do cenário vivido pela população.

“Como pode faltar dinheiro para o hospital e sobrar para show?”, é a pergunta que ecoa nas redes, nos bairros e nas filas — agora interrompidas — do SUS.

A suspensão dos atendimentos no Hospital Modelo expõe uma ferida antiga de Ananindeua: a inversão de prioridades. Em vez de garantir o básico — saúde, limpeza urbana e dignidade —, a gestão municipal opta por investir pesado em eventos, enquanto a população paga a conta com sofrimento e abandono.

Nota da Prefeitura

A Prefeitura de Ananindeua, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), informou ao Portal Parazão Tem de Tudo que desconhece a informação sobre a suspensão dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Modelo, alegando que não foi formalmente notificada pela unidade hospitalar.

Ainda segundo a gestão municipal, os repasses financeiros destinados aos serviços de saúde estariam sendo realizados dentro do prazo regular praticado pela administração pública, não havendo, até o momento, pendências que justificassem a interrupção dos atendimentos.

A nota foi encaminhada pela Comunicação Estratégica da Prefeitura de Ananindeua.

O Portal Parazão Tem de Tudo ressalta que segue acompanhando o caso e mantém espaço aberto para novos esclarecimentos por parte da Prefeitura, do Hospital Modelo ou de outros órgãos envolvidos, em respeito ao direito à informação da população.

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