24°C 37°C
Parauapebas, PA
Publicidade

Por unanimidade, STF mantém isenção de IR sobre pensão alimentícia

Caso foi julgado no plenário virtual

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
03/10/2022 às 15h05
Por unanimidade, STF mantém isenção de IR sobre pensão alimentícia
© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a decisão que isenta de imposto de renda (IR) os valores recebidos a título de pensão alimentícia, dando fim a uma disputa entre União e pensionistas que durava cerca de sete anos.

A isenção de IR das pensões alimentícias decorrentes do direito da família já havia sido decidida em junho pelo plenário, por 8 votos a 3. Desta vez, porém, todos os 11 ministros rejeitaram um recurso em que a União dizia haver obscuridades e buscava amenizar a decisão do Supremo. O caso foi julgado no plenário virtual, em sessão encerrada na última sexta-feira (30).

Com a rejeição total deste último embargo de declaração, o governo deve agora deixar de arrecadar R$ 1,05 bilhão por ano, segundo estimativas da Receita Federal anexadas ao processo pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Continua após a publicidade
Anúncio

O impacto fiscal, contudo, pode ir além, pois os pensionistas que tiveram o dinheiro recolhido pelo governo podem agora pedir o dinheiro de volta na Justiça, até o prazo legal máximo de cinco anos. De acordo com as estimativas oficiais, o impacto nos cofres públicos com os chamados indébitos pode chegar a R$ 6,5 bilhões pelos próximos cinco anos.

Prevaleceu ao final o entendimento do relator, ministro Dias Toffoli. Ele frisou, por exemplo, que “a tributação reconhecida como inconstitucional feria direitos fundamentais e, ainda, atingia interesses de pessoas vulneráveis”.

Por esse motivo, não seria possível impedir as cobranças indevidas feitas no passado pela Receita Federal, pois fazer isso seria ferir a dignidade da pessoa humana, cláusula pétrea da Constituição e “um dos fundamentos da pensão alimentícia”, escreveu o ministro. 

Dessa maneira, Toffoli e os demais ministros que o seguiram rejeitaram qualquer modulação para que a decisão produzisse efeitos somente do julgamento em diante. 

O plenário rejeitou ainda outro pedido feito pela União, que queria esclarecimentos sobre a isenção de IR no caso das pensões pagas em decorrência de acordos extrajudiciais, que são registradas em escrituras públicas e não passam pelo crivo da Justiça. 

Na petição, a AGU argumentou que, nesses casos, o valor das pensões chega a ultrapassar a faixa mais alta de renda na tabela do IR. Segundo cálculos da Receita Federal, as 40 maiores pensões superam os R$ 2 milhões mensais.

Com argumentos parecidos, a União pedia também que o Supremo limitasse a decisão às pensões com valor até o piso de isenção do IR (R$ 1903,98).

Em seu voto, Toffoli destacou que a questão já havia sido enfrentada, e que atender ao pedido acarretaria na “conversão, ao menos em parte, da corrente vencida em corrente vencedora”, o que não seria possível por meio de embargos de declaração.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
 Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
INVESTIGAÇÃO Há 2 meses

STF autoriza PF a acessar investigação sobre produtora de filme de Bolsonaro

Decisão de Flávio Dino permite que Polícia Federal utilize informações apreendidas em operação que apura contratos da produtora com a Prefeitura de São Paulo

Foto: Divulgação
FOGO Há 2 meses

Incêndio de grandes proporções assusta Canaã dos Carajás e toma Morro das Antenas

Chamas avançaram sobre área de vegetação e mobilizaram brigadistas, Corpo de Bombeiros e equipes da Prefeitura; fumaça foi vista de diferentes pontos da cidade

Foto: Divulgação
CFEM Há 2 meses

Prefeitura de Parauapebas mira bilhões da CFEM e contrata escritório com honorários de 20% sobre valores recuperados

Contrato coloca sob os holofotes uma das maiores receitas do município e prevê pagamento milionário caso ações judiciais resultem na recuperação de recursos

FOTO: Victor Piemonte/STF
Direito Há 2 meses

Sigilo da fonte protege o jornalismo, mas não autoriza participação em crimes

Prerrogativa constitucional garante proteção ao jornalista, mas pode ser relativizada quando surgem indícios de participação ativa em práticas criminosas

Foto: Divulgação
JUSTIÇA Há 2 meses

TJPA leva à Seção de Direito Privado disputa sobre suspeição de juiz em processo que envolve honorários superiores a R$ 150 milhões

Incidente apresentado pela advogada Juracy Costa da Silva contra o juiz Juliano Mizuma Andrade gerou divergência entre desembargadores sobre prevenção e distribuição; processo principal permanece suspenso até a definição do relator.