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“Eu consegui”: enfermeira vence batalha contra o câncer de mama e transforma experiência em mensagem de esperança

Após diagnóstico, Kelryrraine Calixte passou por quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Hoje, a profissional da saúde compartilha sua história para incentivar outras mulheres a cuidarem da própria saúde.

Redação
Por: Redação
31/10/2026 às 14h27
“Eu consegui”: enfermeira vence batalha contra o câncer de mama e transforma experiência em mensagem de esperança
Carol de Andrade

Uma história de coragem, superação e esperança está inspirando mulheres em Canaã dos Carajás. A enfermeira Kelryrraine Carneiro de Castro Calixte, servidora pública municipal há 15 anos, enfrentou o câncer de mama e agora transforma a experiência em um incentivo para que outras mulheres não deixem a prevenção e os cuidados com a saúde para depois.

Tudo começou em dezembro de 2025, quando, durante o autoexame, Kelryrraine identificou um nódulo na mama. Em janeiro de 2026, veio a confirmação do diagnóstico de câncer.

Profissional da saúde e acostumada a orientar outras mulheres sobre prevenção e diagnóstico precoce, ela precisou assumir um novo papel: o de paciente. Durante o tratamento, contou com o atendimento da rede pública de saúde e o apoio de familiares.

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“Eu fui acolhida pelo sistema. Além de ser servidora da saúde, também sou paciente do SUS”, relatou.

Após se mudar para Belém, Kelryrraine enfrentou uma rotina intensa de tratamento, que incluiu 16 sessões de quimioterapia, mastectomia total com retirada de nove linfonodos da axila e outras 15 sessões de radioterapia.

Foram meses de desafios físicos e emocionais. Apesar das mudanças provocadas pelo tratamento, ela manteve a esperança e encontrou forças para continuar.

Um dos momentos mais marcantes foi o de tocar o sino, símbolo que representa a conclusão de uma etapa importante do tratamento oncológico.

“Tocar o sino é como se você falasse: ‘Eu consegui, eu passei por tudo isso’. Foram quimioterapia, cirurgia, radioterapia. Cada etapa para um paciente oncológico é uma vitória”, contou, emocionada.

A história da enfermeira também chama atenção para a importância da rede de atendimento à saúde da mulher em Canaã dos Carajás.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o acompanhamento começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde as pacientes recebem acolhimento, avaliação clínica, orientações e encaminhamentos para exames.

O município disponibiliza exames como mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética, biópsia e exame anatomopatológico, conforme a necessidade de cada paciente. Quando há indicação de atendimento especializado, a mulher pode ser encaminhada pela Regulação do SUS para serviços em outros municípios.

“O atendimento não termina com o encaminhamento. A Atenção Primária continua acompanhando a mulher durante e após o tratamento”, destacou o secretário municipal de Saúde, Francisco Netto.

No caso do câncer de mama, a mamografia é o principal exame de rastreamento. O Ministério da Saúde recomenda o exame de rotina para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mulheres de 40 a 49 anos também podem realizar o exame pelo SUS, após orientação sobre benefícios e riscos.

A orientação é procurar atendimento diante de qualquer alteração suspeita, como nódulos, mudanças na pele da mama, retração ou secreção sanguinolenta espontânea pelo mamilo.

Kelryrraine deixa um recado direto para as mulheres:

“A minha mensagem é para você se cuidar. Você é a pessoa mais importante da sua vida. Às vezes, priorizamos as outras pessoas e esquecemos de nós mesmas.”

Além do câncer de mama, a rede municipal também desenvolve ações de prevenção e diagnóstico do câncer do colo do útero, doença relacionada principalmente à infecção persistente por determinados tipos do HPV.

Nas unidades de saúde, as mulheres têm acesso ao exame citopatológico, conhecido como preventivo ou Papanicolau. O município também iniciou a implantação do teste molecular de DNA-HPV, que identifica tipos do vírus associados ao desenvolvimento da doença.

Conforme a Semsa, a tecnologia está disponível inicialmente em uma UBS, com público-alvo de mulheres de 30 a 49 anos que não realizam o preventivo há mais de 36 meses ou nunca fizeram o exame.

Quando necessário, a paciente pode ser encaminhada para colposcopia, biópsia e outros procedimentos. O município também realiza intervenções para tratar lesões precursoras, como a Excisão da Zona de Transformação (EZT) e a conização, quando indicadas.

Durante a caminhada, Kelryrraine contou com o apoio do marido, Wilmick Calixte, e da mãe, que se mudou para acompanhá-la durante o tratamento.

A experiência também se transformou em inspiração para a escrita. Ao lado da irmã, que é psicóloga, ela escreveu o livro Força por dentro, leve por fora, lançado na Bienal do Livro, em São Paulo, no dia 6 de setembro.

Atualmente, a enfermeira segue em acompanhamento médico e utiliza medicação hormonal. Mesmo depois das etapas mais intensas do tratamento, ela decidiu transformar sua história em uma mensagem de conscientização.

“Uma das coisas mais importantes para um paciente oncológico é esse apoio familiar. Você se sente muito amado e deseja lutar pela sua vida ainda mais”, destacou.

A mensagem deixada por Kelryrraine é um alerta para que as mulheres mantenham os exames em dia, procurem atendimento diante de qualquer alteração e não tenham medo de buscar ajuda.

Cuidar da própria saúde também é um ato de coragem.

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