
A investigação sobre a morte de Layane Rodrigues Porto, de 37 anos, avançou rapidamente em Marabá. A vendedora foi assassinada na manhã de segunda-feira (21), enquanto aguardava o conserto de sua motocicleta na Folha 21, no núcleo Nova Marabá. Menos de 24 horas depois, a Polícia Militar confirmou a prisão do homem apontado como autor dos disparos.
O primeiro preso foi Douglas dos Santos Ferreira, ex-companheiro de Layane. Ele foi localizado na Folha 17, poucas horas após o assassinato, e apresentado na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). Segundo a Polícia Civil, Douglas foi autuado em flagrante por feminicídio e é investigado por participação no planejamento do crime.
De acordo com os levantamentos iniciais divulgados pela polícia, Douglas teria histórico de ameaças contra a ex-companheira. A motivação ainda está sendo investigada. Uma das linhas apuradas aponta que Layane teria descoberto um possível envolvimento do ex-companheiro em outro homicídio e, posteriormente, decidido terminar o relacionamento. Essa informação, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.
Na manhã desta terça-feira (22), a Polícia Militar anunciou a prisão de Bruno Batista Assunção, conhecido como “Burro Preto”, apontado como o homem que aparece nas imagens de segurança realizando os disparos contra Layane.
Segundo o Correio de Carajás, Bruno foi localizado em uma área de mata na região da estrada do Rio Preto, próximo à Vila Tibiriçá. A prisão envolveu equipes do Batalhão de Missões Especiais, 4º BPM, 34º BPM e Polícia Civil.
O suspeito deverá ser apresentado na Delegacia da Mulher para prestar depoimento e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional, conforme os procedimentos legais.
Ainda durante as diligências realizadas na segunda-feira, policiais localizaram uma motocicleta escondida em uma região de mata, apontada como o veículo utilizado no transporte dos envolvidos na fuga após o homicídio.
O veículo pertence a Douglas, segundo informações repassadas pelo capitão PM Rodrigues. A polícia também encontrou uma casa na região de Brejo do Meio onde o executor teria permanecido escondido. Quando as equipes se aproximaram, ele teria fugido para uma área de mata.
Um parente do suspeito chegou a ser levado à delegacia como testemunha durante a operação.
As imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação dos envolvidos e ajudaram os investigadores a reconstruir parte da dinâmica do crime.
Segundo a major Luciana Silva, do 4º BPM, o trabalho de inteligência e as informações recebidas após a divulgação das imagens contribuíram para localizar Douglas. As equipes também continuaram as buscas pelo homem apontado como executor.
A oficial afirmou que a prisão dos envolvidos não devolve a vida de Layane, mas reforçou a importância de mulheres vítimas de ameaças ou relacionamentos abusivos procurarem os órgãos de proteção.
“Agressor de mulher não vai ter paz no Pará”, afirmou a major Luciana durante entrevista.
Na Deam, Maria Sebastiana Rodrigues, mãe de Layane, acompanhou os procedimentos relacionados à prisão de Douglas e fez um apelo por Justiça.
Segundo o relato da mãe, a filha teria passado aproximadamente seis meses com medo do ex-companheiro após o fim do relacionamento. Maria afirmou ainda que, dias antes do assassinato, Douglas teria ido à residência de Layane e mostrado uma arma — informação que integra o relato da família e deverá ser considerada na investigação.
Layane era mãe de uma menina de 12 anos.
Apesar das prisões, a investigação ainda não está encerrada. A Polícia Civil deverá aprofundar a participação individual de cada suspeito, esclarecer a motivação e verificar as circunstâncias que antecederam o assassinato.
Um terceiro homem, identificado apenas pelo prenome Robson, também foi apresentado à Delegacia da Mulher sob suspeita de ter fornecido apoio logístico para a fuga e um local para esconder os envolvidos. A participação dele ainda deverá ser esclarecida pelas autoridades.
O caso, inicialmente tratado como homicídio, passou a ser investigado como feminicídio, segundo a autuação divulgada pela Polícia Civil. Até o momento, as informações sobre a autoria e a motivação devem ser tratadas como parte da investigação, respeitando o direito de defesa dos envolvidos.