
Marabá entrou no centro de uma discussão de saúde pública após os dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, apontarem o município na segunda colocação nacional entre cidades com mais de 100 mil habitantes no índice composto relacionado ao HIV e à aids. O indicador de Marabá foi de 7,241, atrás apenas de Porto Alegre (RS), que registrou 7,598.
O índice não representa simplesmente a quantidade de pessoas vivendo com HIV. Ele reúne diferentes indicadores epidemiológicos, incluindo detecção da infecção, mortalidade, diagnóstico em crianças menores de cinco anos e outros dados relacionados ao acompanhamento da doença. Por isso, o resultado é utilizado para identificar municípios que demandam atenção específica nas estratégias de prevenção, diagnóstico e assistência.
Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde de Marabá começou a estruturar um Plano Municipal de Enfrentamento ao HIV/Aids. Uma reunião realizada no dia 21 de agosto, na sede do Ministério Público, reuniu representantes de diferentes órgãos municipais e do Poder Público para discutir a construção das medidas.
A preocupação ganhou dimensão ainda maior diante da evolução recente dos registros. Segundo os dados apresentados pela Secretaria de Saúde, 2025 terminou com 168 casos registrados, maior número da série histórica. Até julho de 2026, já haviam sido contabilizados 87 casos no município.
Marabá também exerce papel de referência regional no atendimento. O Serviço de Atendimento Especializado e Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA) recebe pacientes de mais de 20 municípios, enquanto mais de 2 mil pessoas realizam terapia antirretroviral por meio da estrutura de atendimento regional.
A proposta discutida pela Secretaria de Saúde prevê uma atuação que ultrapasse o atendimento médico. Entre as medidas estão ações de prevenção combinada, ampliação da testagem, diagnóstico precoce, permanência dos pacientes no tratamento, monitoramento laboratorial, supressão viral, prevenção da transmissão vertical e proteção da população infantil.
A secretária municipal de Saúde, Lícia Souza, afirmou que a elaboração do plano surgiu da necessidade de construir uma resposta articulada entre diferentes setores. A intenção, segundo ela, é reunir secretarias e órgãos públicos para fortalecer as ações e buscar respostas mais rápidas diante do cenário identificado.
Os dados oficiais mostram que Marabá não está isolada nesse quadro. Marituba aparece na terceira colocação nacional, com índice de 7,205, enquanto Belém ocupa a quarta posição, com 6,953. Castanhal também figura entre os dez primeiros, na sexta colocação.
A partir dos números, o desafio agora passa a ser transformar os indicadores epidemiológicos em ações concretas de prevenção, diagnóstico e acompanhamento. O Ministério da Saúde mantém um painel específico de monitoramento do cuidado em HIV e aids, atualizado periodicamente, justamente para acompanhar as etapas que vão desde o diagnóstico até o tratamento e a supressão viral.
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