
A crise na saúde pública de Parauapebas ganhou mais um capítulo após denúncias envolvendo a estrutura da UBS Guanabara. Depois de cobranças feitas por vereadores e pelo Sindsaúde, a Prefeitura de Parauapebas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), confirmou que a central de ar-condicionado da sala de triagem apresentava problemas e anunciou a substituição do equipamento.
A nova central foi instalada nesta quarta-feira (26), segundo a própria Prefeitura. A administração informou ainda que o equipamento anterior havia passado por manutenção, mas a intervenção realizada pela empresa responsável não teria solucionado definitivamente a falha.
Ou seja, a própria nota oficial confirma que o problema existia, houve tentativa de manutenção e, somente depois, foi necessária a substituição do equipamento.
A situação ganhou repercussão justamente após denúncias e cobranças públicas. E é aí que a resposta da comunicação municipal começa a levantar outro debate: por que a solução precisou aparecer depois da pressão de vereadores, sindicato e imprensa?
A ASCOM da Prefeitura, coordenada por Marcilene Sousa Matos, também passa a ser alvo de questionamentos diante da relação da administração com os veículos de comunicação da cidade.
É recorrente, segundo relatos de profissionais e portais locais, a dificuldade para obter respostas da administração municipal em determinadas demandas jornalísticas. Quando o assunto envolve problemas na prestação de serviços públicos, a ausência ou demora de esclarecimentos acaba deixando espaço para dúvidas e aumenta ainda mais a cobrança por transparência.
No caso da UBS Guanabara, a nota finalmente veio — mas depois que o problema ganhou repercussão.
E a pergunta é inevitável: a Prefeitura está administrando os problemas ou apenas reagindo quando eles viram notícia?
A nota da ASCOM afirma que a Semsa acompanha as condições estruturais das unidades de saúde e adota as providências necessárias para garantir ambientes adequados aos servidores e usuários do SUS. Mas, diante do episódio, a população tem todo o direito de questionar como funciona esse acompanhamento.
Se existe fiscalização permanente, quantos equipamentos apresentam problemas atualmente? Quantas manutenções estão pendentes? E quantas unidades já foram vistoriadas pela Secretaria?
A substituição do ar-condicionado resolve, ao menos neste momento, o problema específico informado pela Prefeitura. Mas não encerra a discussão sobre a estrutura da saúde municipal.
O Sindsaúde encaminhou ofício à administração e, segundo a própria Semsa, deverá receber resposta formal com as providências adotadas. Vereadores também fizeram cobranças sobre a situação.
A população, por sua vez, espera muito mais do que uma nota de esclarecimento. Quem procura uma unidade de saúde quer atendimento digno, ambiente adequado e equipamentos funcionando.
No fim das contas, fica uma constatação que a gestão precisa responder: se não houvesse denúncia e pressão, a troca teria acontecido quando?
O episódio coloca novamente a saúde de Parauapebas sob os holofotes e aumenta a responsabilidade da Semsa e da comunicação municipal em apresentar respostas claras, objetivas e, principalmente, soluções.
Portal Parazão Tem de Tudo — há 9 anos levando notícias de todo o Pará.
Ver essa foto no Instagram