
A Prefeitura de Redenção, no sul do Pará, entrou no radar do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) após a instauração de um Inquérito Civil para apurar a contratação de R$ 2.508.817,05 em material didático-pedagógico para a rede municipal de ensino.
O valor milionário e a forma escolhida para a contratação estão no centro da apuração conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça de Redenção.
Segundo as informações divulgadas sobre o procedimento, a aquisição foi realizada por inexigibilidade de licitação, modalidade que permite a contratação direta em situações específicas previstas na legislação. É justamente a utilização desse mecanismo que passou a ser analisada pelo Ministério Público.
A investigação deverá verificar se estavam presentes todos os requisitos legais para a contratação sem a realização de uma disputa entre fornecedores.
Também deverão ser examinados documentos relacionados à justificativa apresentada pela administração municipal, à escolha do fornecedor, aos produtos adquiridos e à compatibilidade dos preços praticados.
Outro ponto que chama atenção é a origem dos recursos utilizados.
O contrato envolve dinheiro do Fundeb, fundo constitucionalmente destinado ao financiamento e à manutenção da educação básica pública.
Na prática, são mais de R$ 2,5 milhões em recursos vinculados à educação que agora estão sob análise do órgão de fiscalização.
A abertura do Inquérito Civil, entretanto, não significa que a Prefeitura de Redenção ou seus agentes tenham sido considerados culpados por qualquer irregularidade.
O procedimento tem caráter investigativo e busca justamente esclarecer se houve ou não descumprimento da legislação.
O Ministério Público poderá requisitar documentos, ouvir responsáveis, analisar contratos, notas fiscais, justificativas administrativas e demais elementos capazes de esclarecer a operação.
Caso sejam encontradas irregularidades, o MPPA poderá adotar as providências previstas em lei, inclusive medidas administrativas ou judiciais.
Se a documentação comprovar que a contratação ocorreu dentro dos parâmetros legais, a investigação poderá ser arquivada.
O caso ganha relevância pelo tamanho da despesa e pela utilização de recursos públicos destinados à educação, área que costuma estar entre as principais cobranças da população.
A pergunta que agora fica sobre a mesa é direta: por que uma contratação de mais de R$ 2,5 milhões foi realizada sem licitação e quais foram os critérios utilizados para definir o fornecedor e os valores pagos?
É exatamente isso que o Ministério Público pretende esclarecer.
Até o momento, não existe decisão definitiva apontando fraude, superfaturamento ou qualquer crime relacionado à contratação.
A Prefeitura de Redenção e a Secretaria Municipal de Educação têm direito ao contraditório e à ampla defesa e poderão apresentar suas justificativas no decorrer da apuração.
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