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Fundação Santa Casa celebra 20 anos do Espaço Acolher com arraial e homenagens a parceiros

Referência no suporte psicossocial e pedagógico para pacientes de todas as regiões do Estado, serviço é fundamental para a continuidade do tratamen...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Pará
30/06/2026 às 17h32
Fundação Santa Casa celebra 20 anos do Espaço Acolher com arraial e homenagens a parceiros
Foto: Divulgação

Nesta terça (30), uma cerimônia com certificação de apoiadores e um grande arraial, com Arrastão do Pavulagem e Nelsinho Rodrigues, festejou as duas décadas do Espaço Acolher. Criado em junho de 2006, pela Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), o espaço abriga e proporciona acompanhamento psicossocial a pacientes do interior, em tratamento prolongado que precisam estar próximos do hospital.

São crianças e adultos, com destaque às pacientes vítimas de escalpelamento por motor de barco, que necessitam ir e vir com frequência ao hospital e que ganharam, com o espaço, a oportunidade de dar continuidade ao tratamento, como explica o médico Victor Aita, cirurgião da Santa Casa que atende as mulheres e meninas vítimas de escalpelamento desde a década de 1980.

“O Espaço Acolher foi uma grande conquista para as vítimas de escalpelamento, porque o maior problema que nós sempre tivemos era em dar continuidade ao tratamento. Como não existia um espaço adequado que servisse para que elas viessem do interior e recebessem os acompanhamentos médicos e durante os muito procedimentos , esse era um fator que limitava muito a continuidade ao tratamento. Com a criação do espaço, nós tivemos um grande avanço ao longo dos anos, pois elas puderam ganhar outros serviços que são de suma importância para o atendimento às vítimas de escalpelamento”, destaca o médico.

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Entre as conquistas destacadas pela equipe e pelas próprias pacientes está o acompanhamento psicossocial e o cuidado integral com atendimentos individuais, familiares e em grupo, o acesso à arte e educação, por meio das parcerias com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a Universidade do Estado do Pará (Uepa), e acesso a benefícios e aposentadoria do INSS, acesso ao transporte gratuito em embarcações para o deslocamento para o tratamento.

A paciente Deuzyanne Almeida, hoje com 40 anos, sofreu o acidente em 2001, quando tinha apenas 15 anos, e desde então passou por 39 cirurgias. Para ela, que viu de perto a evolução do atendimento às vítimas de escalpelamento a partir da criação do Espaço Acolher, a existência do serviço é essencial para o atendimento adequado às vítimas.

“O escalpelamento não acontece na cidade e sim nas áreas ribeirinhas. Então, as vítimas são todas do interior e muitas não têm nem um ponto de apoio aqui na capital para ficar, enquanto passam pelo tratamento e fazem os exames. Por isso o espaço é onde todas as vítimas são acolhidas para fazer esse acompanhamento e eu acredito que sem o espaço a maioria teria desistido do tratamento”, frisou.

Desde 2006, quando foi criado, centenas de pacientes já passaram pelo espaço e 270 vítimas de escalpelamento estão atualmente cadastradas no serviço, que para a assistente social Luiza Matos, coordenadora do Espaço Acolher, foi construído com o apoio de pessoas e instituições parceiras e ouvindo as necessidades das próprias pacientes atendidas.

“Comemorar os 20 anos do Espaço Acolher é muito importante para a gente, porque nós fizemos toda uma construção juntos. A Santa Casa, todos os setores que precisavam ter parceria conosco e de como a gente começou e de como a gente evoluiu no nosso trabalho. Então, escrever esses 20 anos foi muito significativo porque a gente viu o quanto a gente fez, quanto a gente avançou e quanto a gente ainda precisa melhorar. E comemorar é sempre importante. Fazer festas, chamar as meninas e dar para elas o protagonismo que elas precisam. A gente sempre está junto, na tentativa de nunca construir nada para elas sem elas. Então a gente quer estar sempre juntas e ouvi-las e melhorar”, concluiu.

Como rede de apoio para a garantia de direitos das vítimas de escalpelamento, estão a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), que garante assistência especializada; aAgência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos de Transporte do Estado do Pará (Artran), que viabiliza a carteira de transporte e passe livre; aCompanhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab) para a inclusão no Programa Sua Casa; a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), que emite documentos necessários; a Capitania dos Portos, que realiza ações educativas; o INSS para a concessão dos benefícios e aposentadorias, a Seduc e Uepa, com o acompanhamento pedagógico e aImprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), com a produção de materiais didáticos.

O Espaço Acolher conta também com parceiros de ONGs, como a Organização dos Ribeirinhos Vítimas de Acidente de Motor (Orvam), as Voluntárias Cisne Branco e a Praticagem de Barra do Pará, sendo que as duas últimas e a Doceria Charlotte doaram o mingau, o bolo de aniversário e os docinhos e salgados da festa.

Atualmente, o Espaço Acolher funciona dentro do prédio centenário da Santa Casa, em uma ala com quase 700 metros quadrados, totalmente restaurada e adaptada. A estrutura oferece dormitórios para 30 pessoas, sala de estar, cozinha, refeitório, sala de aula, consultório, brinquedoteca, lavanderia e uma área de convivência comum. Além do atendimento psicossocial e o suporte de outros serviços do hospital, o espaço também conta com uma equipe de educadores da Classe Hospitalar da Seduc e da Uepa.

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