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“Saúde à deriva”: denúncia do CRM escancara caos nos hospitais de Marabá

Vistoria revela superlotação, falta de médicos, riscos a pacientes e expõe crise que coloca a gestão municipal no centro das críticas

Redação
Por: Redação
16/01/2026 às 22h55
“Saúde à deriva”: denúncia do CRM escancara caos nos hospitais de Marabá
Presidente do CRM do Pará diz que situação do HMM é de hospital de guerra e critica gestão municipal

Marabá vive um dos momentos mais delicados de sua história recente na área da saúde pública. A afirmação não vem de opositores políticos, mas da principal autoridade médica do estado. Após inspeção técnica nas principais unidades hospitalares do município, a presidente do Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) foi categórica ao definir o cenário: “a saúde em Marabá está à deriva”.

A declaração caiu como uma bomba no meio político e social da cidade. A vistoria, realizada com a presença de conselheiros do CRM, Ministério Público e Defensoria Pública, apontou uma sucessão de falhas estruturais, operacionais e assistenciais que, segundo o Conselho, comprometem a segurança de pacientes e profissionais.

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No Hospital Materno Infantil, o retrato é alarmante. Falta estrutura mínima para atendimentos complexos, inexistem ambientes adequados de recuperação pós-anestésica, há deficiência no processo de esterilização e escassez de medicamentos. Mulheres aguardam por horas procedimentos de urgência, como cesarianas, enquanto a ausência de médicos especialistas agrava ainda mais o risco à vida.

Já no Hospital Municipal de Marabá, a situação beira o colapso. A superlotação da urgência e emergência transformou corredores em áreas improvisadas de internação. Relatos apontam até 70 pacientes em observação em um espaço que não comporta nem metade disso, muitas vezes sob responsabilidade de apenas dois médicos por plantão. Casos infectocontagiosos, psiquiátricos e clínicos graves dividem o mesmo ambiente, contrariando protocolos básicos de segurança.

“A boa prática médica não está acontecendo”, alertou a presidente do CRM-PA, ao destacar que não há segurança nem para quem busca atendimento, nem para quem trabalha nas unidades. A fala expõe uma realidade que a população já sente na pele, mas que agora ganha peso institucional e técnico.

O Ministério Público e a Defensoria Pública confirmaram que acompanham a situação e não descartam medidas judiciais. Segundo os órgãos, parte dos problemas já era de conhecimento da administração municipal, mas sem respostas eficazes até o momento. Relatórios técnicos devem ser encaminhados exigindo providências imediatas.

A crise reacende um debate incômodo: como um dos principais municípios do sudeste do Pará chegou a esse ponto? Enquanto a demanda por atendimento cresce, a estrutura permanece insuficiente, revelando falhas de planejamento, gestão e prioridades administrativas.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Marabá não havia apresentado esclarecimentos públicos nem um plano emergencial capaz de responder às denúncias. O silêncio, diante da gravidade do quadro apontado por médicos e órgãos de controle, só amplia a sensação de abandono.

A saúde de Marabá não enfrenta apenas dificuldades — enfrenta um alerta vermelho. E, desta vez, quem aciona o alarme não é a oposição, mas quem tem a responsabilidade legal e ética de zelar pela vida. O Portal Parazão Tem de Tudo seguirá acompanhando o caso, porque quando a saúde entra em colapso, toda a sociedade paga o preço.

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