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Daniel Santos terá de ampliar base na Alepa para sustentar novo governo do Pará

Governador eleito chega ao Palácio dos Despachos com 10 deputados diretamente ligados a Podemos e PL; maioria exige pelo menos 21 dos 41 parlamentares

Redação
Por: Redação
07/10/2026 às 09h39
Daniel Santos terá de ampliar base na Alepa para sustentar novo governo do Pará
Foto portal Parazão Tem de Tudo

A vitória de Daniel Santos (Podemos) no primeiro turno da eleição para o Governo do Pará abriu uma nova etapa da política estadual. Eleito com 2.345.721 votos, o equivalente a 51,36% dos votos válidos, o futuro governador agora terá pela frente um desafio que começa antes mesmo da posse: construir uma base política capaz de garantir governabilidade na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).

A questão é matemática. Podemos e PL, partidos diretamente ligados à chapa vencedora, elegeram juntos 10 deputados estaduais. Para alcançar maioria absoluta no plenário da Alepa, entretanto, são necessários pelo menos 21 dos 41 parlamentares. Isso significa que o grupo de Daniel precisará conquistar o apoio de pelo menos mais 11 deputados para formar uma maioria própria.

O cenário torna a articulação política uma das primeiras tarefas do governador eleito. A eleição definiu o chefe do Executivo, mas também produziu uma Assembleia com diferentes forças partidárias e sem uma bancada governista suficientemente grande para garantir, sozinha, a aprovação das principais propostas do futuro governo.

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O principal ponto de atenção está no tamanho do MDB, partido que comandou o Governo do Pará nos últimos anos. A legenda elegeu 13 deputados estaduais, tornando-se a maior bancada da nova composição da Alepa.

O resultado mantém o MDB como uma força central dentro do Legislativo estadual, mesmo após a derrota de Hana Ghassan para Daniel na disputa pelo governo.

Hana terminou a eleição em segundo lugar, com 2.125.084 votos, correspondentes a 46,53% dos votos válidos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Pará. 

Com 13 cadeiras, o MDB não terá maioria isoladamente, mas terá peso significativo nas votações, na composição da Mesa Diretora e nas negociações que envolverem projetos de interesse do Executivo.

Outro elemento importante da nova correlação de forças é o crescimento do PL, que conquistou sete cadeiras na Alepa.

A legenda integrou a coligação que sustentou a candidatura de Daniel e indicou Ellayne D'Almeida para a vice-governadoria. Entre os deputados estaduais eleitos pelo partido estão Lanuzia Cunha, Mariza Almeida, Tati Barra, Renata Fonseca, JK do Povão, Mayky Vilaça e Coronel Neil.

Somados aos três deputados eleitos pelo Podemos — Alexandre Gomes, Fabricio Miranda e Rui Begot —, os dois partidos formam o núcleo parlamentar mais diretamente associado à candidatura vencedora.

Mas uma aliança eleitoral não significa, automaticamente, que todos os deputados votarão juntos durante os quatro anos de mandato. A dinâmica da Assembleia será definida conforme os projetos apresentados, as negociações partidárias e os interesses de cada parlamentar e de suas respectivas bases.

Além de Podemos e PL, outras legendas terão papel importante na formação de uma eventual maioria.

O PSD elegeu três deputados: Gustavo Sefer, Leonardo Vale e Delegado Nilton Neves. O União Brasil também terá três parlamentares: Thiago Araújo, Victor Dias e Angelo Ferrari.

Já Republicanos, Avante e PP terão, respectivamente, dois deputados cada.

Somadas, essas bancadas representam um conjunto de parlamentares que poderá ser importante nas negociações do futuro governo. Isso não significa, contudo, que exista adesão formal ou acordo fechado com Daniel.

A composição da Alepa permite diferentes arranjos políticos e torna as negociações partidárias inevitáveis para qualquer governo que queira construir maioria estável.

A governabilidade não dependerá apenas da quantidade de deputados que eventualmente apoiem o Executivo.

A escolha da Mesa Diretora da Alepa também deverá concentrar as articulações políticas nos próximos meses. A presidência da Casa possui papel estratégico na definição da pauta, organização das sessões e tramitação das matérias encaminhadas pelo governo.

Daniel conhece esse ambiente de perto. Antes de chegar ao comando do Executivo estadual, ele foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Pará. A experiência anterior no Legislativo deverá pesar nas articulações que antecedem o início do novo governo. 

Enquanto as conversas sobre a Alepa começam a ganhar força, também surgem especulações sobre a formação do primeiro escalão do futuro governo.

Entre os nomes mencionados nos bastidores estão João Salame, Ed Wilson, Zequinha Marinho e Éder Mauro.

João Salame, ex-prefeito de Marabá e ex-deputado estadual, é citado como possibilidade para a Casa Civil. Ed Wilson aparece nas especulações para a Chefia de Gabinete da Governadoria.

O senador Zequinha Marinho, do Podemos, também é mencionado entre possíveis integrantes da futura administração, embora ainda não exista confirmação oficial sobre cargo ou secretaria.

Já o deputado federal Éder Mauro (PL) aparece em especulações relacionadas à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).

Até o momento, os nomes citados permanecem no campo das articulações políticas e não foram oficialmente confirmados pelo governador eleito.

A montagem do novo governo acontece enquanto a atual administração prepara a transição.

Hana Ghassan, derrotada na disputa pelo governo, afirmou após o resultado que respeita a decisão das urnas e que seguirá trabalhando até o encerramento do mandato. A partir de janeiro, Daniel assumirá o comando do Executivo estadual. 

O novo governador terá pela frente uma máquina pública extensa, com secretarias, órgãos estaduais, empresas públicas, autarquias e uma estrutura administrativa distribuída por todo o Pará.

Além da montagem da equipe, será necessário definir prioridades para os primeiros meses de gestão e estabelecer a relação institucional com prefeitos, deputados estaduais, deputados federais e senadores.

A eleição de Daniel Santos encerrou a disputa pelo Governo do Pará, mas abriu outra batalha política: a construção das condições para governar.

Com 10 deputados de Podemos e PL e uma necessidade matemática de chegar a pelo menos 21 parlamentares para formar maioria absoluta, o futuro governador terá de negociar com outras bancadas.

Ao mesmo tempo, o MDB, com 13 deputados, continuará ocupando uma posição relevante na Assembleia, enquanto PSD, União Brasil, Republicanos, Avante, PP, PT, PSOL, PV e PDT completam o mosaico partidário da próxima legislatura. 

A nova configuração deixa claro que a eleição de Daniel para o Executivo não encerrou as disputas políticas no Pará. Pelo contrário: a partir de agora começa a fase de construção da governabilidade, com negociações que deverão definir a relação entre o Palácio dos Despachos e a Assembleia Legislativa nos próximos quatro anos.

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