
Uma investigação do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa envolvendo o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos. Entre os principais pontos analisados está a compra de uma mansão em Fortim, no Ceará, cujo valor, considerando imóvel e estrutura, é estimado em cerca de R$ 4 milhões.
Segundo os investigadores, o imóvel teria sido pago por meio de transferências realizadas por cinco empresas e quatro pessoas físicas do Pará. A apuração identificou um padrão considerado relevante pelo MPPA: empresas que mantinham contratos com a Prefeitura de Ananindeua recebiam pagamentos do município e, pouco depois, transferiam valores para a incorporadora responsável pelo imóvel.
Um dos casos citados envolve a Neo BRS Comércio de Eletrodomésticos, fornecedora de materiais escolares para a Secretaria Municipal de Educação.
Documentos analisados na investigação apontam que a empresa emitiu notas fiscais em 30 de setembro e 1º de outubro de 2024 que, juntas, somaram aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Após receber recursos da Prefeitura, a empresa teria transferido R$ 866 mil para a incorporadora responsável pela mansão, no pagamento de uma das parcelas do imóvel. Segundo a apuração, as movimentações ocorreram utilizando a mesma conta bancária.
Outro caso citado envolve a Ferreira Comercial, fornecedora de produtos de limpeza. A empresa teria recebido mais de R$ 521 mil da Secretaria de Educação e, horas depois, transferido R$ 250 mil para o pagamento de outra parcela do imóvel.
A mansão não é o único patrimônio analisado pelo Ministério Público. As investigações também citam uma fazenda avaliada em aproximadamente R$ 16 milhões, adquirida em 2020, além de um jato avaliado em cerca de R$ 10,9 milhões.
Em buscas realizadas em Fortaleza, investigadores apreenderam ainda oito relógios de luxo avaliados em aproximadamente R$ 4,1 milhões, segundo informações divulgadas sobre a investigação.
O MPPA também apura pagamentos relacionados a despesas atribuídas ao patrimônio do prefeito, incluindo aproximadamente R$ 1,8 milhão em combustível e óleo diesel destinados, segundo os investigadores, a uma fazenda, além de valores relacionados à aquisição de aeronave.
Em uma das medidas relacionadas ao caso, o Ministério Público solicitou o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em bens ligados ao prefeito. O valor envolve diferentes ativos que passaram a ser analisados no âmbito das investigações.
As apurações ainda estão em andamento e as suspeitas apresentadas pelo Ministério Público não equivalem a uma condenação. A defesa de Daniel Santos contesta pontos da investigação e o caso também passou a envolver discussões judiciais sobre a validade e o andamento do procedimento.
O espaço permanece aberto para manifestação do prefeito, das empresas citadas e dos demais envolvidos.
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