
Começou nesta terça-feira (1) a 12ª edição do Jogos do Território e da Ancestralidade, competição esportiva realizada pela Escola Municipal de Educação do Campo (Emec) Milton Monte, localizada na ilha do Combu, região insular de Belém. Até sexta-feira (4), a escola reunirá cerca de 140 alunos em atividades esportivas e recreativas inspiradas no cotidiano e nas tradições das comunidades ribeirinhas.
A programação inclui diversas modalidades que, embora não estejam no rol dos famosos torneios esportivos nacionais e internacionais, fazem parte do dia a dia das famílias dos estudantes e são uma forma de valorizar o saber tradicional local. Entre elas estão corrida do boco, palha que se desprende do açaizeiro com o qual as crianças costumam brincar como se fosse cavalinho; arremesso de cacau e ouriço, inspirada no arremesso de disco, utilizando o ouriço da castanha-do-pará; confecção da peconha, alça utilizada pelos apanhadores de açaí para prender nos pés e dar suporte para subir no açaizeiro; subida e descida do açaizeiro; debulhagem do açaí; corrida de canoa a remo; pescaria com caniço; e natação no rio.






Mais do que uma competição esportiva, a iniciativa busca valorizar a identidade cultural do território e fortalecer o vínculo dos estudantes com os saberes e tradições transmitidos por gerações.

Com uma proposta única e ousada, os Jogos do Território e da Ancestralidade da Milton Monte combinam modalidades esportivas tradicionais com práticas relacionadas à vida na região, proporcionando uma experiência educativa que integra esporte, cultura, lazer e ancestralidade.
O secretário municipal de educação, Jorge Vaz, elogiou a iniciativa da Escola Milton Monte.

Além de valorizar os costumes e as expressões culturais ribeirinhas, os jogos promovem a integração e o espírito de cooperação entre as crianças.
A aluna Kauane Maia, de 11 anos, estuda no 5º ano da Milton Monte. Ela conta que os jogos ajudam no aprendizado de práticas do dia a dia vivido em casa, mas também ensinam sobre bom comportamento.

Cleyciane Alves é mãe de aluno e ressalta a importância dos jogos para as crianças.

O pedagogo Cecílio Ferreira explica que aproximar a competição da realidade das crianças é uma oportunidade delas se divertirem, aprenderem e ao mesmo tempo mostrarem os saberes tradicionais na prática.

Durante os quatro dias de programação, os estudantes também participarão de outras atividades esportivas e lúdicas, como salto em distância, jogos de mesa, cabo de guerra, corridas, futebol e queimada.
Ao unir práticas esportivas e elementos da cultura local, os Jogos do Território e da Ancestralidade reforçam o papel da escola como espaço de valorização dos conhecimentos produzidos pelas comunidades e de preservação da memória cultural. A iniciativa também contribui para que os estudantes reconheçam o território onde vivem como parte fundamental de sua história, identidade e formação.
Colaboração: Luís Miranda, da Ascom/Semec