

Navegando pelos rios do Pará, o Barco Hospital tem como objetivo levar serviços de saúde para comunidades de difícil acesso localizadas nas regiões Sudeste e do Baixo Amazonas. Desde o início do projeto, já foram realizados cerca de 250 mil atendimentos entre consultas clínicas, realização de exames, procedimentos cirúrgicos e odontológicos. Além da distribuição de mais de 30 mil medicamentos e 46 mil refeições servidas.
Atualmente, as ações do Barco Hospital são coordenadas pelo Frei Afonso Obici, que apesar dos desafios do projeto, demonstra satisfação com os resultados alcançados.
“Como o projeto mescla uma unidade hospitalar e uma embarcação fluvial, podemos dizer que nossa iniciativa possui as dificuldades somadas das duas condições. Além disso, cada expedição possui particularidades pelos profissionais que temos disponíveis e cada comunidade possui carências e necessidades diferentes”, avaliou.
Estrutura
A embarcação de 32 metros conta com espaços para atendimentos clínicos, centro cirúrgico, sala de vacinação, laboratório de análise, sala de medicação, leitos de enfermaria, sala oftalmológica completa e diversos equipamentos para a realização de diagnósticos como raio-x digital, mamógrafo, ecocardiograma, ultrassom e eletrocardiograma.

“O barco é muito importante porque através das expedições que ele realiza, leva atendimentos especializados para as comunidades ribeirinhas dos nossos municípios. Geralmente são comunidades muito carentes e de difícil acesso aos serviços de saúde. Então ele leva assistência a áreas muito remotas e contribui para que essas pessoas tenham acesso aos serviços do SUS de forma adaptada à nossa realidade geográfica”, avalia Aline Liberal, diretora do 9º Centro Regional da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), sobre a importância do projeto para o sistema de saúde da região.
A diretora explicou de que forma são escolhidos os locais onde o Barco Hospital fará suas expedições.
“O primeiro passo é conversar com a tripulação que pilota o barco sobre o nível do rio, já que em período de seca, a embarcação não navega. Depois reunimos com as secretarias municipais para definirmos quais comunidades estão com maior demanda para os serviços que serão oferecidos na expedição, principalmente aquelas de acesso ainda mais difícil que o normal para a região”, declarou.
Até hoje, foram 50 expedições realizadas, que atenderam comunidades ribeirinhas nos seguintes municípios: Óbidos, Juruti, Faro, Terra Santa, Oriximiná, Almeirim, Curuá, Alenquer, Prainha, Monte Alegre, Itaituba, Aveiro, Porto de Moz e Santarém.
Atendimento Covid-19
Durante os períodos mais agudos da pandemia da Covid-19, o Barco Hospital foi de fundamental importância para o tratamento de saúde da população ribeirinha. Os atendimentos comuns do projeto foram temporariamente suspensos, com todas as atenções voltadas para os efeitos da pandemia na região.

“O ápice da pandemia não foi fácil nem para os hospitais fixos, imagine para nós que temos ainda mais dificuldades de operação. Mas conseguimos manter uma taxa de sucesso bem alta nos atendimentos, nossos profissionais atuaram com humanização, ética e profissionalismo”, concluiu
