
Após enfrentar uma das mais severas crises hídricas de sua história recente, a Amazônia apresentou sinais importantes de recuperação em 2025. E o Pará foi o estado brasileiro que mais se destacou nesse processo. Dados divulgados pelo MapBiomas revelam que o estado liderou a recuperação da superfície de água no país, registrando um aumento de aproximadamente 142 mil hectares em relação à média histórica monitorada desde 1985.
O levantamento mostra que a Amazônia voltou a apresentar níveis de água acima da média histórica após dois anos consecutivos de seca extrema, que afetaram rios, comunidades ribeirinhas, atividades econômicas e a biodiversidade da região. Em 2025, o bioma registrou uma recuperação de 2,6% na superfície hídrica em comparação com sua média histórica, impulsionada principalmente pelo retorno das chuvas.
O Pará aparece como o principal destaque nacional nesse cenário. Além de liderar o crescimento da superfície de água, o estado teve papel fundamental na recuperação de importantes bacias hidrográficas amazônicas. O Amazonas ficou na segunda posição, com aumento de cerca de 87 mil hectares.
Segundo especialistas do MapBiomas, a melhora observada em 2025 está diretamente relacionada ao aumento das precipitações em diversas áreas da Amazônia após os eventos climáticos extremos registrados em 2023 e 2024. No entanto, os pesquisadores alertam que a recuperação não significa o fim dos problemas.
Apesar do avanço, cerca de 37% das bacias hidrográficas amazônicas ainda permanecem abaixo da média histórica de disponibilidade de água. Entre elas está a sub-bacia do Rio Trombetas, localizada no Pará, que continua sendo monitorada devido aos impactos causados pelas secas recentes.
A Amazônia concentra atualmente mais de 61% de toda a superfície de água do Brasil, representando aproximadamente 11,9 milhões de hectares de áreas cobertas por água. Isso faz da região um dos mais importantes reservatórios de recursos hídricos do planeta.
Especialistas também demonstram preocupação com os próximos anos. A possibilidade da formação de um novo fenômeno El Niño pode aumentar os riscos de estiagens prolongadas, redução dos níveis dos rios e ocorrência de incêndios florestais em diversas áreas da Amazônia Legal.
Para pesquisadores, o resultado positivo registrado pelo Pará demonstra a capacidade de recuperação dos ecossistemas amazônicos, mas reforça a necessidade de políticas permanentes de preservação ambiental, combate ao desmatamento e adaptação às mudanças climáticas.
O desempenho paraense coloca o estado na liderança nacional da recuperação de áreas de água em 2025, um resultado considerado estratégico para a conservação ambiental, a navegação fluvial, a pesca, a agricultura familiar e a qualidade de vida de milhares de comunidades que dependem diretamente dos rios amazônicos.
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