
Entre dias de calor intenso, pancadas de chuva e umidade elevada,o verão amazônico transforma a rotina de quem vive em Belém— e osanimais também sentem os impactos desse período. Com temperaturas elevadas, orisco de desidratação, problemas respiratórios, queimaduras nas patas e até queda de imunidadeaumenta significativamente entre cães e gatos,exigindo atenção redobrada dos tutores e da população com os animais em situação de rua.
Nas ruas da capital paraense, acena de cães buscando abrigo sob carros e gatos tentando escapar do sol forteem áreas sombreadasse torna ainda mais comum nesta época do ano. Enquanto isso,clínicas veterinárias registram aumento nos atendimentos relacionados ao calor excessivo.
Especialistas alertam quepequenos cuidados, como evitar passeios em horários críticos, manter água fresca disponível e oferecer ambientes ventilados,podem fazer a diferença para preservar a saúde e o bem-estar dos pets.


Em Belém, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal (Sepda),intensificou as orientações à população e reforça as ações de assistência aos animais durante o verão amazônico.
A titular da Sepda, Eliana Uchoa, explica queo atendimento aos animais em vulnerabilidadecontinua sendorealizado por meio de denúnciase solicitações feitaspela populaçãopor meio do WhatsApp da Sepda:(91) 98209-2918.

Eliana Uchoa também lembrou que a rede municipal mantém equipamentos públicos em funcionamento para atender ocorrências envolvendo animais durante esse período.
O Hospital Municipal Veterinário – HVET , localizado naavenida José Bonifácio, 578, no bairro de Fátima,funciona diariamente nos seguintes horários:
A Clínica Veterinária Municipal de Belém , localizada naavenida Marquês de Herval, 276, no bairro Pedreira, atende de:
Já oBelém Animal Itinerante, localizado na avenida Bernardo Sayão, 3234, funciona de:

A médica veterinária Cintia Karoline Amaral Borges, que atua no Hospital Municipal Veterinário (HVET), alerta que os animais podem apresentar diversos problemas de saúde em decorrência da exposição prolongada ao calor. “Os principais riscos que os pets podem correr com o verão amazônico são a diminuição da imunidade devido à exposição às altas temperaturas, desidratação, queimaduras nas patinhas e alterações respiratórias”, explicou.
Segundo a veterinária, os tutores devem ficar atentos aos sinais clínicos apresentados pelos animais.


Entre as recomendações, a especialista destacaevitar passeios entre 9h e 17h, principalmente em locais asfaltados ou com concreto quente, que podem causar queimaduras nas patas dos animais.
“O ideal é optar por regiões arborizadas e gramadas, além de manter sempre água fresca disponível. Também é importante evitar atividades físicas intensas em horários muito quentes”, afirmou.
A alimentação também merece atenção especial no período. Segundo Cintia Karoline,frutas congeladas podem ajudar a refrescar os pets.
“Banana, melancia e melão congelados ajudam bastante nos horários mais quentes. Colocar pedras de gelo na água estimula o animal a ingerir mais líquido”, explicou.
A especialista também chama atenção para o aumento de doenças durante o verão amazônico.


O técnico em radiologia hospitalar Clediston Souza já adaptou completamente a rotina da cachorrinha Mel para enfrentar os dias mais quentes em Belém.
“Não deixo ela exposta ao sol, evito passeios em horários quentes para não queimar as patinhas, damos água à vontade e mantemos ela em local ventilado”, contou.
Para manter a hidratação da pet, ele investe em estratégias simples, mas eficientes.
“Oferecemos gelinho para ela se refrescar e trocamos sempre a água da vasilha para ela continuar se hidratando”, disse.

Os passeios também passaram por mudanças importantes.
Segundo Clediston, os sinais de desconforto pelo calor aparecem rapidamente.
“Ela fica com cansaço excessivo e com a língua para fora constantemente”, observou.
Para ele, o cuidado dos tutores é fundamental neste período.
“É muito importante para manter a qualidade de vida e o bem-estar do animal. Precisamos ficar atentos ao calor e aos horários para evitar problemas como queimaduras nas patas, desidratação e mal-estar”, ressaltou.


Enquanto muitos pets contam com proteção dentro de casa,os animais em situação de rua estão entre os mais vulneráveis durante o verão amazônico. No condomínio Cidade Jardim II, em Belém, arepresentante comercial Silvana Figueiró se tornou referência no cuidado de cães e gatos errantes.
Ela conta que a iniciativa começou após perceber o aumento descontrolado de animais abandonados dentro do residencial.
“Tudo começou quando presenciei uma superpopulação de animais errantes e muito descaso com a vida deles. A cada ano aumentava a quantidade de felinos sem que houvesse um olhar diferenciado para essa situação”, relatou.
Com ajuda de outros moradores, Silvana mantém pontos de alimentação e hidratação para os animais.
“Alguns condôminos que abraçam a causa alimentam os animais no pátio com ração e água potável. Muitos são ariscos e não gostam de contato direto”, explicou.


Segundo ela, o calor intenso agrava ainda mais a vulnerabilidade dos animais.
Sem apoio fixo, o trabalho é mantido com recursos próprios e ações solidárias.
“Usamos recursos próprios, fazemos rifas e buscamos ajuda de pessoas que se sensibilizam com a causa”, contou.
Silvana também defende maiorconscientização da população e políticas públicas permanentes voltadas aos animais comunitários.
“Os animais errantes fazem parte da coletividade. Precisamos de mais campanhas, castrações por bairros e ações educativas para a população”, afirmou.
Ela também chama atenção para o aumento do abandono de animais neste período do ano.



Durante o verão amazônico, a solidariedade pode salvar vidas. Em Belém, a Lei 10.126 assegura o direito ao fornecimento de água e alimento para animais domésticos em situação de rua , incluindo cães e gatos comunitários.
A legislação reforça a importância de iniciativas simples, como instalação de pontos de hidratação em frente a residências, comércios e condomínios, especialmente nos períodos mais quentes do ano.

A médica veterinária Cintia Karoline destaca que a população pode colaborar diretamente com os cuidados aos animais abandonados.
“A população pode ajudar fazendo pontos de hidratação e cobertura solar na frente das casas e comércios, sempre mantendo a higiene desses espaços”, orientou.
APrefeitura de Belém reforça que maus-tratos contra animais é crimee pode resultar em punições nas esferas penal e administrativa.
Asdenúncias podem ser feitaspelos seguintes canais: