
O Núcleo de Oficinas Curro Velho, em Belém, sediou nesta quinta-feira (14) a Plenária das Mulheres e Juventudes nos Biomas Pós-COP30, promovida pelo Ministério das Mulheres e pela Secretaria Nacional de Juventude. O encontro integra um ciclo nacional de debates voltado à construção de propostas sobre justiça climática, com foco nas experiências de mulheres e jovens dos territórios brasileiros.
As atividades ocorreram ao longo do dia, entre 8h e 17h, reunindo representantes de instituições públicas, movimentos sociais e lideranças comunitárias em espaços de escuta e diálogo sobre políticas ambientais, igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável. A programação também buscou fortalecer a participação social nos territórios amazônicos e consolidar propostas para políticas públicas de Estado.
A plenária dá continuidade a um processo de mobilização nacional que, em sua etapa anterior, envolveu mais de dois mil jovens em todo o país. Segundo Guilherme Barbosa, diretor de Programas e Projetos de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência da República, o objetivo agora é construir o documento “Vozes dos Biomas”.
“Estamos realizando essas plenárias pós-COP para refletir sobre o que significou a conferência para as mulheres e juventudes desses territórios e fortalecer as lutas por justiça climática”, afirmou o diretor.
Espaço de cultura e resistência
A escolha do Curro Velho como sede da plenária considerou o papel social e cultural desempenhado pela instituição na Vila da Barca. Para Laís Rezende, assessora da Secretaria Executiva do Ministério das Mulheres, o espaço representa um importante ponto de fortalecimento comunitário.
“A Fundação Curro Velho cumpre um papel estratégico e fundamental para nós. Entendemos esse espaço como muito potente para o fomento da cultura para mulheres e juventudes, especialmente em um território que enfrenta fortes pressões da especulação imobiliária”, destacou.
No âmbito estadual, o encontro também apresentou resultados de escutas realizadas em conferências municipais que envolveram cerca de 7 mil mulheres em diferentes regiões do Pará. A diretora da Secretaria de Estado das Mulheres (SEMU), Clarice Leonel, ressaltou os impactos desiguais da crise climática sobre grupos sociais vulnerabilizados.
“O cotidiano da Amazônia é um exercício permanente de vivência e acúmulo de experiências relacionadas a gênero e clima. Queremos transformar toda essa escuta da juventude e das mulheres em políticas públicas de Estado”, pontuou.
Além dos debates, a programação contou com uma feira de mulheres empreendedoras, com foco na autonomia econômica como instrumento de enfrentamento à violência de gênero.
Apoio institucional
Para a Fundação Cultural do Pará (FCP), apoiar debates voltados à cidadania e aos direitos sociais faz parte da missão institucional dos seus espaços culturais. O diretor Administrativo e Financeiro da FCP, Berg Teixeira, reforçou o compromisso da instituição com pautas transversais.
“A Fundação entende que o Curro Velho, por ser um espaço histórico e inserido em um território diretamente ligado ao público deste evento, tem papel importante no apoio às discussões sobre gênero, diversidade e clima”, afirmou.
A plenária em Belém representa a terceira etapa do calendário nacional de encontros, após as edições realizadas na Mata Atlântica e no Pantanal. O cronograma seguirá pelos demais biomas brasileiros - Caatinga, Pampa e Cerrado - até o fim de junho.
A iniciativa conta com apoio institucional do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Conselho Nacional da Juventude.
A Fundação Cultural do Pará reforça que seus espaços de formação artística também atuam como centros de cidadania e articulação social para as populações amazônicas. Mais informações sobre as ações da FCP estão disponíveis no site oficial (fcp.pa.gov.br) e nas redes sociais da instituição ( @fundacaoculturalpa ).