
Nesta quinta-feira, 7, a Prefeitura de Belém deu início às programações dacampanha Maio Laranja, de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Realizada por uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) na Escola Municipal República de Portugal, na Marambaia, a ação educativa levou informação e conscientização de forma lúdica para os estudantes do 1º ao 9º ano do ensino fundamental.
A campanha Maio Laranja ocorre em nível nacional e foi abraçada pela Prefeitura de Belém, queintegrou as diversas secretarias municipais em ações de defesa da infância e da adolescência. “É muito importante a nossa presença, principalmente nos territórios onde vemos que aparecem os primeiros sinais da violência, como a escola. A gente entende que uma campanha preventiva pode ser muito mais eficaz do que enfrentar o que ocorre posteriormente à violência”, afirma Juliana Menezes, secretária municipal da Primeira Infância e do Desenvolvimento Infantojuvenil, pasta que coordena as ações da campanha em Belém.

Na Escola República de Portugal, a equipe da Sesma levou teatro de fantoches, música, vídeo e a dinâmica “semáforo do toque”, na qual as crianças deveriam indicar as partes do corpo que podem ser tocadas por outras pessoas, aquelas que “acendem sinal de alerta” e as que não podem.


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A coordenadora de Ações Estratégicas em Saúde da Sesma, Mellannie Marques, explica que a secretaria já realiza ações educativas há algum tempo nas escolas de Belém. “A gente tem um departamento dentro da Sesma que se chama Educação em Saúde, e em todo ano trabalhamos essa temática em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semec), por meio do programa Saúde na Escola. Agora, em 2026, tivemos essa oportunidade de abrir as ações da campanha Maio Laranja, da Prefeitura de Belém”, afirma.

As crianças vibraram com as atividades, interagindo com os fantoches, rindo das brincadeiras e dançando com a música educativa. E aprenderam de forma lúdica.
“Eu achei legal, muito legal mesmo. Porque a gente fez um monte de brincadeiras e a gente escutou uma música”, afirma a estudante Mayra Macedo, de 6 anos. Ela conta que aprendeu que algumas pessoas não devem tocar nas partes íntimas dela, “porque é errado, ninguém pode, só se for da nossa família e se for mulher”, diz.

A colega Luíza Santiago, 7 anos, também gostou das atividades. “Eu gostei por causa da musiquinha, de todas as brincadeiras e da história”. Ela conta que aprendeu a lição. “Não podem tocar nas partes íntimas, só no cabelo, nos nossos olhos e na nossa mão. Só a mamãe pode tocar nas partes íntimas”, afirmou.


Outra informação trabalhada pela equipe da Sesma com as crianças foi o cuidado com aquelas pessoas que pedem segredo de coisas ruins, e a importância de sempre contar para a mãe, o pai, a professora ou outra pessoa de confiança quando algo ruim acontecer. “Muita gente fica escondendo os segredos ruins, mas isso não é bom. Eu aprendi que não pode guardar segredo dos pais”, afirma a aluna Anna Clara Ribeiro, de 10 anos.

Para a secretária Juliana Menezes, estar presente na escola é muito importante não só para orientar as pessoas que fazem parte da rede de confiança das crianças, como os pais e professores, mas também para ensinar as crianças a se protegerem.
“É muito importante que a gente esteja nas escolas para ensinar as próprias crianças a identificar um toque, um comportamento ou uma fala de um adulto que não é legal com ela.A criança que está bem orientada pode alertar os pais, alertar a professorade que aquilo está começando a acontecer, e então ela pode ser resguardada”, explica a Juliana.
O diretor da Escola Municipal República de Portugal, Thiago Oliveira, elogiou a iniciativa e ressaltou a importância de levar esse debate para o ambiente escolar, para que crianças e famílias saibam como agir em uma situação de violência.
“No dia a dia, a gente vê nas redes sociais, nas mídias, casos de abusos referentes a crianças e adolescentes. Por isso é importante que eles tenham esse esclarecimento, essa orientação, para que possam, de alguma forma, denunciar esse tipo de prática abusiva ao corpo deles.A escola tem esse compromisso de esclarecer não somente as crianças, mas também as famíliassobre o contato e o toque físico que pode ou não ser feito, e sobre o que fazer em caso de violência”, afirma o diretor.

Ao longo deste mês, outras ações educativas do Maio Laranja deverão ser realizadas em locais estratégicos da cidade.No dia 17 de maio, a Prefeitura de Belém realizará uma caminhada na Praça Batista Campos, com o objetivo de mobilizar e chamar a atenção da sociedade para essa pauta da proteção das crianças contra a violência e o abuso sexual.