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Programação promove cultura de povos originários em escolas municipais

Evento na Escola Municipal Pedro Demo, em Outeiro, marca abertura das programações alusivas ao dia dos povos indígenas em escolas de Belém

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Belém
18/04/2026 às 10h20
Programação promove cultura de povos originários em escolas municipais
Crédito: Élida Miranda

No mês em que o Brasil celebra adiversidade dos povos indígenase faz memória dos seus direitos, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) realiza, juntamente com escolas municipais, o “Abril Indígena”, uma série de programações de valorização dos povos originários. Na Escola Municipal Professor Pedro Demo, em Outeiro, que concentra a maior quantidade de alunos da etnia Warao, um evento realizado na tarde desta sexta, 17, marcou a abertura do mês temático na rede municipal de educação.

Com o tema “Raízes Vivas: cultura e brincadeiras indígenas na escola”, a programação contou com momentos de reflexão e diversas atividades com a temática indígena: roda de danças, contação de histórias, oficinas de confecção de desenhos, jogos e brincadeiras. Além disso, representantes da comunidade Warao estiveram presentes no local para expor seu artesanato e para interagir com os presentes.

Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda
Crédito: Abelha
Crédito: Abelha
Crédito: Abelha
Crédito: Abelha

De acordo com Gizela Rocha, professora da Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (CEIIR) da Semec na Pedro Demo, o Abril Indígena na escola não é apenas uma ação comemorativa, mas uma prática educativa essencial para formarcidadãos mais conscientes, respeitosos e comprometidos com a diversidade cultural.

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Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Arquivo pessoal
Crédito: Arquivo pessoal
Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda

De acordo com Manuela Porto, Diretora de Educação Básica da Semec, a realização do Abril Indígena busca atender os territórios de Belém com presença indígena, no intuito de integrar estudantes e comunidade escolar a práticas de inclusão e exaltação da diversidade. “Os principais objetivos do projeto são a valorização das culturas indígenas, o combate aos estereótipos e o fortalecimento do respeito, promovendo práticas educativas interculturais dentro das escolas”, afirma a diretora.

Desafios e acolhimento na escola

São inúmeros os desafios vivenciados numa escola que recebe alunos indígenas: as barreiras linguísticas, o preconceito, o bullying, além da vulnerabilidade social em que muitos desses estudantes se encontram.

O Abril Indígena visa enfrentar esses desafios, mas ao longo do ano outras políticas públicas da Semec ajudam a promover o acolhimento, o aprendizado e a diversidade cultural dos estudantes indígenas. Uma delas é o PAPEEI (Projeto de Acompanhamento Pedagógico a Estudantes Estrangeiros e Indígenas), realizado pela Coordenação de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados (CEIIR).

Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda

A CEIIR acompanha todos os alunos indígenas desde o momento em que chegam numa escola municipal, e essa assistência inclui mediação linguística, elaboração de materiais didáticos, acompanhamento de frequência escolar e do aprendizado dentro e fora de sala de aula. Além disso, são realizadas programações de combate ao preconceito, ao bullying e ao racismo indígena.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda

Atualmente, existem alunos indígenas distribuídos em29 escolas de Belém,tanto de etnias brasileiras, como os Galibi-Marworno, Guajajara, Hixkaryana, Moroyunas, Tembé, Tikuna, Tukano, Tupinambá e Waiwai, como os da etnia venezuelana Warao.

Só na Escola Pedro Demo, estão matriculados50 estudantes venezuelanosWarao. A líder da comunidade Warao Beira Mar, em Outeiro, Mariluz Mariano, conta que a principal dificuldade enfrentada pelos alunos é a barreira linguística. “A principal dificuldade é o idioma, porque as crianças não conseguem entender o português. A maioria só fala nosso idioma, nosso dialeto, que é o Warao”, explica a líder.

Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda

Mariluz conta que, no início, quando chegaram em Belém, a sua comunidade se deparou com o preconceito e a negação de direitos. “Muitas pessoas achavam que os Warao não tinham esse direito de estudar numa escola formal. A Escola Pedro Demo foi a primeira que acolheu os indígenas Warao”, relembra.

Por tudo o que passaram e ainda passam, Mariluz reconhece a importância de programações como a realizada na escola,que promovam o acolhimento, o respeito e o diálogo entre as diferentes culturas no ambiente escolar.“Para nós, Waraos, tem sido muito difícil. Mas continuamos lutando para que nossos direitos como seres humanos sejam postos e reconhecidos”, afirma.

Crédito: Élida Miranda
Crédito: Élida Miranda

Além da Escola Pedro Demo,outras 7 escolasterão programação dentro dessa abordagem: Helder Fialho, Monsenhor José Maria Azevedo, Gabriel Lage, Maria Heloisa de Castro, Perpétuo Socorro de Jesus Figueiredo, Edson Luís e Ruy da Silveira Britto. Estas 8 escolas da rede estão entre as que mais possuem estudantes indígenas, tanto de etnias brasileiras como da etnia Warao (venezuelanos).

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