
O Arquivo Público do Estado do Pará Zeno Veloso completa 125 anos nesta quinta-feira, 16. Em celebração ao aniversário, foi aberta a exposição “Ditadura Militar e os conflitos agrários nos documentos do DOPS”. A mostra está no salão principal do Arquivo e é a primeira ação de celebração, que ainda conta com uma programação de oficina e palestras.
A mostra exibe documentos das décadas de 1970 e 1980 que retratam conflitos fundiários, envolvendo grileiros, posseiros e fazendeiros. A visitação estará aberta até 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.
O historiador e servidor do Arquivo, Tarcísio Tomaz, explica a origem dos registros em exposição. “Há vários documentos relativos a inquéritos policiais do período da ditadura militar. Então, nós pinçamos alguns inquéritos ligados ao DOPS que tinha uma delegacia aqui em Belém. Só que a ditadura aqui no Pará tem uma particularidade, o DOPS trabalhava diretamente com o conflito agrário. Basicamente são casos de homicídio, invasão de terra e grilagem, detalhes de todos esses conflitos”, esclarece.
Ao todo, os documentos oriundos da Secretaria de Segurança Pública ocupam 356 caixas, que agora estão sendo analisadas por alunas do curso de Ciências Sociais, da Universidade do Estado do Pará (Uepa).
O discente de fisioterapia, Yuri Gabriel, visitou o Arquivo Público pela primeira vez e conferiu a exposição. “É bastante interessante porque são assuntos que a gente tem só uma prévia na disciplina de história, sobre os conflitos agrários, e vendo a exposição tem uma expansão maior desses conhecimentos. Até mesmo as imagens da época, achei muito legal também as ilustrações, muito diferentes”, disse o visitante.
Na sexta-feira, 17, ocorre a oficina de preservação e conservação de documentos em suporte de papel no período de 9h às 10h30 e das 10h30 às 12h. As inscrições poderão ser feitas presencialmente, no dia do evento.
“Geralmente as pessoas se interessam muito por esse tema da preservação e conservação, e a gente sabe que é um conhecimento muito restrito. O arquivo público é um ponto de convergência, não só na produção de conhecimento, mas também na irradiação, então a ideia surgiu a partir do feedback das pessoas. Portanto, estamos esperando um bom público para as oficinas, várias pessoas estão perguntando como vai ser, estudantes de história, arquivologia, biblioteconomia e até mesmo pessoas formadas”, aponta o diretor do Arquivo, Leonardo Torii.
“Como dia 19 de abril é o Dia dos Povos Indígenas, dos povos originários, a gente aproveitou e montou uma palestra com vários pesquisadores da UFPA, mestrandos, doutorandos e professores para falar como acontecem essas pesquisas dentro do arquivo. Para explicar como o público em geral pode consultar essa documentação, direcionando pra história indígena. Inclusive vai ter uma pesquisadora indígena, que vai falar sobre a produção a partir da etnia Munduruku”, adianta Torii.
No sábado, 18, a palestra “A riqueza documental e as possibilidades de pesquisa em História Indígena e do Indigenismo na Amazônia a partir do Arquivo Público do Estado do Pará” será ministrada pela Profa. Msc. Roberta Kabá Munduruku, junto ao Prof. Dr. Karl Heinz Arenz, a Profa Msc. Sara Suliman, Prof. Msc. João Marcelo Cunha, Prof. Esp. Kalil Hasseb e Profa Msc. Lívia Maia. O evento começa às 9h e vai até às 12h.
Para encerrar a programação, na quinta-feira, 30, a Secult entrega a placa em homenagem (in memoriam) ao jurista Zeno Veloso (1945 - 2021). Na oportunidade também ocorre a palestra "Zeno Veloso: professor, político, notário e jurista", às 9h, com o presidente da Academia Paraense de Letras Jurídicas, Prof. Dr. Jeferson Bacelar.
Texto: Juliana Amaral, Ascom Secult