
Pessoas com autismo, familiares, ativistas e representantes do poder público se reuniram na praça Batista Campos, em Belém (PA), para a Caminhada Pela Inclusão, realizada neste domingo (12). O evento, realizado há mais de dez anos, integra a programação do Abril Azul, campanha voltada à visibilidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A concentração da caminhada ocorreu no coreto central da praça com atividades culturais inclusivas, venda de produtos, feitos por pessoas com deficiência e familiares, além de diversos serviços ofertados pela Prefeitura de Belém por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac).
Entre os serviços mais procurados pelo público, destacam-se a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (IDPcD), entrega de currículos para inserção no mercado de trabalho, orientação jurídica, ações de educação em saúde, atividades pedagógicas e recreativas voltadas ao público infantil.

O prefeito de Belém, Igor Normando, destacou a importância de políticas públicas voltadas à inclusão.
A criação de uma secretaria específica para tratar da inclusão representa um avanço na estrutura administrativa do município. A medida contribui para centralizar demandas, formular políticas públicas mais eficazes e garantir que direitos previstos em lei sejam, de fato, aplicados no cotidiano. Além disso, a presença do poder público em eventos como a caminhada aproxima a gestão das famílias e permite identificar, na prática, as principais necessidades dessa população.

A secretária municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac), Paloma Mendes, ressaltou o avanço no apoio institucional ao evento, com ampliação da participação da Prefeitura na oferta de serviços.
A ampliação dos serviços ofertados durante a programação reforça o impacto das ações integradas entre diferentes secretarias.Ao reunir atendimentos em um único espaço, o evento facilita o acesso da população a direitos básicos e promove a disseminação de informações confiáveis, baseadas em evidências científicas.Esse tipo de abordagem também contribui para reduzir barreiras enfrentadas por pessoas com autismo e familiares no acesso a políticas públicas.

Para quem vive a realidade do autismo, o evento representa acolhimento e troca de experiências. A mãe atípica, Gabriela Abreu, destacou a importância da rede de apoio.
O relato evidencia um dos principais desafios enfrentados por famílias de pessoas com autismo: o processo de diagnóstico e adaptação à nova rotina. Muitas vezes, esse caminho é marcado por inseguranças, falta de informação e dificuldades no acesso a serviços especializados.
Nesse contexto, espaços coletivos como a caminhada se tornam fundamentais para promover acolhimento, compartilhar vivências e fortalecer vínculos entre famílias que enfrentam realidades semelhantes.

O jovem Alan Cauê, artista e pessoa com autismo, também reforçou o papel da iniciativa.
A participação ativa de pessoas com autismo na condução e na programação do evento também reforça a importância do protagonismo. Mais do que beneficiários de políticas públicas, essas pessoas ocupam espaços de fala, produção cultural e engajamento social, contribuindo diretamente para a construção de uma sociedade mais inclusiva e informada.






De acordo com dados do IBGE, oBrasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas com autismo, o que representa 1,2% da população. No Pará, são aproximadamente 91 mil pessoas. O Transtorno do Espectro Autista (TEA)é uma condição do neurodesenvolvimento, caracterizada por diferenças na comunicação, na interação social e no comportamento.
Diante desse cenário, iniciativas como a Caminhada pela Inclusão ganham ainda mais relevância. Além de ampliar a visibilidade do tema, oevento contribui para combater o preconceito, disseminar informação de qualidade, fortalecer políticas públicas voltadas à acessibilidadee à garantia de direitos.