
Depois de décadas de trabalho na Santa Casa paraense, Virgínia de Oliveira, agora servidora aposentada, é uma das integrantes do coral da instituição e relata sua relação com essa história. “É um sentimento de alegria também por ter doado uma vida aqui dentro da Santa Casa, ajudando, trabalhando, fazendo tudo de bom. Muito aprendizado também que eu levo daqui. Foram quase 50 anos de dedicação. E agora continuando a ajudar com a nossa participação no coral”.
O Coral Saúde e Vida Maria Helena Franco, da Fundação Santa Casa do Pará, é formado por servidores e colaboradores. O coral é um dos programas de humanização mais exitoso da Instituição, criado há 28 anos pela servidora Maria Helena Franco (in memorian) a qual o denominou de Saúde e Vida.
O objetivo deste coral é a integração, conhecimento musical e cultural, com a finalidade de valorizar o potencial artístico de cada um. Sempre executando músicas de um repertório bastante variado que vai do regional, popular, sacro até o erudito, o coral atualmente possui 38 integrantes, entre servidores, aposentados e colaboradores, e é conduzido pelo regente Elil Rodrigues que, com seus conhecimentos técnicos, colabora para o êxito do coral.
“O Coral Saúde e Vida – Maria Helena Franco, vinculado à Fundação Santa Casa do Pará, constitui-se como uma relevante iniciativa no âmbito dos programas institucionais de humanização, desempenhando papel estratégico na promoção do cuidado integral não apenas aos pacientes e acompanhantes, mas também aos servidores da instituição”, pontua o regente Elil.
”Tem como missão levar cultura, acolhimento e conforto emocional ao ambiente hospitalar, transcendendo o caráter artístico e consolidando-se como uma importante ferramenta terapêutica. Por meio da música, contribui para a redução do estresse, da ansiedade e da dor, beneficiando pacientes, acompanhantes e, de forma igualmente significativa, os profissionais de saúde que vivenciam rotinas intensas e emocionalmente desafiadoras”, completa o maestro.
Cleide Barroso, servidora da Fundação Santa Casa, é uma das integrantes que fez parte da primeira formação do coral no dia 30 de março de 1998. “Nós começamos com a dona Maria Helena chamando o Paulo Sérgio (servidor da Santa Casa) e eu para fazer um teste com o primeiro maestro (Onilson Rocha da Silva). E a partir daí começamos a fazer parte do grupo, toda segunda e quarta-feira. Na época, cantávamos para as crianças e seus acompanhantes que participavam do Proame (Programa de aleitamento materno do Ministério da Saúde)”.
“O coral era chamado para participações em festivais nacionais e até internacionais. A primeira vez que o coral foi para fora foi para Belo Horizonte em Minas Gerais. Lá o coral foi reconhecido nacionalmente e de lá a gente não parou mais. Todo ano a gente sempre tem um festival para se apresentar. O coral já esteve em várias cidades brasileiras, entre as quais Gramado, Salvador e chegamos a conhecer até outros países como Argentina, Paraguai”, conta Cleide Barroso.
Rosa de Fátima Veloso, servidora do Ministério da Saúde, cedida para Fundação Santa Casa, e uma das participantes ativas do coral, relata que foi convidada para o coral por dona Maria Helena em 2008. “Quando ela adoeceu, ela disse: 'Rosa, toma conta do Coral até eu voltar'. Infelizmente, ela não voltou. E eu acabei me tornando uma participante com atuação bem atuante. Teve alguns períodos que fiquei de fora, depois eu voltei de novo. Mas assim, sempre com muita responsabilidade, com muito amor. Eu gosto do coral”.
“O coral, quando ele sai para uma atividade externa, para cantar em algum local, seja no Estado, seja fora, ele leva o nome da instituição. E isso é muito importante. Quando alguém fala: 'de onde é esse coral? É o coral da Fundação Santa Casa, de Belém do Pará'. Ele é importante, nesse sentido, de levar a cultura, a música, o trabalho que a gente faz durante um ano todo. A gente já cantou até na Argentina, no Paraguai. Hoje o coral é reconhecido até internacionalmente. Já ultrapassou fronteiras. E isso fortalece a família Coralina da Fundação Santa Casa”, destaca Rosa Veloso.
Musicoterapia -Hailton Lopes Brito, servidor da Santa Casa e um dos integrantes do coral, relata que a sua participação representa um ganho pessoal de enfrentamentos e batalhas diárias da vida. “Estive à beira de uma grande depressão, após a perda de meus pais, mas graças a Deus e minha família e em meu local de trabalho, o coral foi essencial. Porque o trabalho com a musicoterapia, foi excelente. Os integrantes do coral me apoiaram, me abraçaram de uma tal maneira que eu consegui conviver com essas feridas”.
“A musicoterapia é importante e isso faz o relacionamento profissional aqui dentro do ambiente fluir bastante, apesar de problemas que surgem. Mas para mim o coral é vital. Esse relacionamento e interação melhora a sua autoestima. Você pode estar com problemas, mas quando a gente se reúne naquele grupo e começa a cantar e tem aquela união, tipo uma segunda ou uma terceira família é ótimo", diz Hailtom.
Para o maestro Elil Rodrigues, o Coral da Santa Casa consolida-se como um importante instrumento de humanização, ao promover um cuidado ampliado que contempla dimensões físicas, emocionais e sociais, beneficiando de maneira equilibrada pacientes, acompanhantes e servidores, e contribuindo para a construção de um ambiente hospitalar mais acolhedor, sensível e centrado no ser humano em sua integralidade.