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Borboletário do Mangal das Garças tem diversas espécies, como a bela Olho-de-Coruja

O Parque abre de terça-feira a domingo das 8h às 18h, e fecha às terças para manutenção

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Pará
30/03/2026 às 13h06
Borboletário do Mangal das Garças tem diversas espécies, como a bela Olho-de-Coruja
Foto: Divulgação

Borboleta Olho-de-Coruja tem uma coloração azul por causa de escamas microscópicas que compõem suas asas

O Parque Zoobotânico Mangal das Garças, em Belém do Pará, é a casa de diversas espécies. Um dos espaços com maior destaque é a Reserva José Márcio Ayres, o borboletário do complexo. Quem já visitou o local provavelmente se deparou com os diversos tipos de borboletas que vivem por lá. Mas você sabia que a borboleta com coloração azul que voa pelo local tem essa cor por causa de um fenômeno físico?

Ao contrário de algumas espécies, como os guarás e borboletas de outras colorações, cujas cores que vemos derivam da pigmentação ou da alimentação, a borboleta Olho-de-Coruja, apresenta essa coloração devido às milhares de escamas microscópicas que compõem suas asas. Essas estruturas são formadas principalmente por quitina, um material resistente que forma o exoesqueleto de muitos insetos.

Escamas da borboleta Olho-de-Coruja são delicadíssimas

As escamas das borboletas são muito frágeis e organizadas em camadas extremamente regulares. Ao observá-las através de um microscópio, é possível notar repetidos padrões, como ranhuras e lamelas muito finas, que funcionam como verdadeiros elementos ópticos. Quando a luz branca incide sobre essas escamas, elas sofrem refração, reflexão e interferências e, devido ao espaço entre as camadas das escamas, apenas alguns comprimentos de onda são refletidos com maior intensidade. No caso das borboletas de coloração azul, como a espécie Olho-de-Coruja, o comprimento de onda refletido corresponde à luz azul, fenômeno conhecido como coloração estrutural, que explica o efeito

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“As escamas das borboletas são extremamente delicadas, e é justamente por isso que a gente evita pegá-las, principalmente durante a soltura. Por isso, pedimos para que os visitantes evitem segurá-las pelas asas, somente pelos pezinhos. Muitas pessoas pensam que aquela cor que fica na mão quando seguram uma borboleta é um pozinho, mas, na verdade, são as próprias escamas do inseto. E isso não causaria danos somente na aparência da espécie, mas comprometeria a sobrevivência dela”, afirma Beatriz Tavares, técnica ambiental do Mangal.

Outro fator que pode afetar diretamente a saúde das borboletas são as mudanças climáticas. Beatriz Tavares explica que muitos fatores no desenvolvimento desse inseto são comprometidos, desde a pupa. “Ainda dentro do casulo, a espécie é bem sensível ao ambiente. Então, uma mudança muito brusca de temperatura, seja queda ou aumento, ou a própria umidade pode interferir nessa formação e, consequentemente, na formação correta das escamas. Dentro da pupa, as borboletas ficam com a asa bem encolhida, por ser um espaço pequeno. Quando o inseto sai, a asa começa a se esticar, vai secando e ficando mais rígida. Às vezes, ela sai com a pupa mais úmida do que deveria, a asa fica muito amassada e pode se tornar defeituosa, diminuindo as chances de sobrevivência”.

Ou seja, o ciclo de vida das borboletas é diretamente afetado. Pequenas variações, como as mudanças de estação, já provocam impactos. Um aumento de temperatura entre 2 °C e 5 °C, por exemplo, pode comprometer a sobrevivência dessa espécie. “Estamos falando de processos evolutivos que levaram milhares de anos para se consolidar. Além disso, fatores como desmatamento e uso do solo também interferem, pois afetam a ciclagem de nutrientes, a regulação da temperatura e, consequentemente, a reprodução das espécies”, explica Beatriz.

Muitas espécies de borboletas já estão ameaçadas de extinção, não somente pelas mudanças do clima, mas também pela perda de habitat e desequilíbrios ecológicos. Algumas conseguem se adaptar às novas condições, mas outras se tornam mais suscetíveis ao desaparecimento. A natureza funciona como uma enorme cadeia e, quando uma parte entra em desequilíbrio, diversos outros elementos também sofrem.

Entender esse tipo de relação é fundamental para compreender a importância de zoológicos e parques zoobotânicos, como o Mangal das Garças, no papel de preservação, estudo e conscientização ambiental. Administrado pela OS Pará 2000, o complexo é referência internacional em diversas pesquisas voltadas à flora amazônica, principalmente na reprodução de borboletas.

Confira a programação diária do Parque para os visitantes:

08h30 – Alimentação das iguanas

10:30– Passeio com rapinantes diurnas (terça a sexta)

10h – Soltura das borboletas (consultar na bilheteria)

10h15 – Alimentação das tartarugas

11h, 15h e 17h30 – Alimentação das garças

16:30– Passeio com as corujas (terça a sexta)

O acesso aos espaços monitorados, como o Borboletário e o Memorial é pago: R$ 9 (inteira) e R$ 4,50 (meia)

O Mangal funciona de terça a domingo das 8h às 18h, fechado às terças para manutenção.

Local: Rua Carneiro da Rocha, s/n, Cidade Velha, Belém.

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