
A Escola Estadual de Ensino Técnico Dr. Celso Malcher recebeu, nesta sexta-feira (20), a ação “Educação antirracista: um compromisso social na educação profissional e tecnológica”, promovida pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). A iniciativa proporcionou à comunidade escolar momentos de reflexão e diálogo em prol de uma educação alinhada aos princípios do antirracismo e do combate ao bullying.
Para a professora Fátima Resende, da coordenação pedagógica da Sectet, a ação contribui significativamente para o ambiente escolar. “Estamos aqui fortalecendo a pedagogia de projetos com uma temática essencial, que é o combate ao racismo. Mesmo com leis e iniciativas, essa ainda é uma realidade presente na sociedade e nas escolas. A proposta é promover uma conversa com os estudantes para incentivar o diálogo e a construção de um ambiente mais respeitoso e inclusivo”, afirmou.
A atividade contou com uma roda de conversa com os estudantes, com o objetivo de incentivá-los ao debate e à adoção de práticas, posturas e políticas que combatam a discriminação racial e o preconceito, dentro e fora do ambiente escolar.
A promotora de Justiça do MPPA, Adriana Ferreira, que atua na área de direitos fundamentais e humanos com foco em educação, destacou a importância da presença do Ministério Público no ambiente escolar. “Durante as inspeções, temos identificado situações de vulnerabilidade relacionadas à violência nas escolas, especialmente com o aumento de casos de racismo e bullying, que têm gerado conflitos e impactos na saúde mental dos estudantes. Nossa participação integra um procedimento que acompanha essas ocorrências, com o objetivo de orientar a comunidade escolar, esclarecer sobre a legislação vigente e fortalecer o enfrentamento a essas práticas”, afirmou.
Para os estudantes, iniciativas como palestras e rodas de conversa são fundamentais para a formação de cidadãos mais conscientes e comprometidos com o respeito à diversidade. O aluno Andrei Soares, do curso técnico em Administração, ressaltou a importância de ações como essa. “É muito necessário promover discussões sobre racismo aqui para a gente. Tem muita coisa que a gente não conhece e aprende nestas palestras”, ressaltou.
A ação teve participação da Diretoria de Diversidade da Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico do Pará (Fenet), do Conselho Tutelar e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio do Núcleo de Segurança Pública e Proteção Escolar (Nuspe).
“Fortalecer o movimento estudantil dentro das escolas também é uma forma de enfrentar o racismo, porque garante espaço de escuta, diálogo e participação. Quando os estudantes se organizam, eles passam a compreender melhor seus direitos e deveres e contribuem para a construção de um ambiente escolar mais respeitoso, inclusivo e consciente”, afirmou Bruna Freire, diretora de diversidade da Fenet.
O alinhamento entre as instituições possibilitou um debate amplo e estratégico para o enfrentamento dessas práticas, permitindo uma atuação integrada que vai desde a prevenção até a responsabilização. Nesse contexto, a Seduc, em conjunto com a Polícia Militar, atua por meio da Lei nº 9.900/2023, tendo o Nuspe como instrumento estratégico na promoção de ambientes escolares mais seguros para estudantes e profissionais.
O coronel da Polícia Militar, Wagner Wanderley, integrante do Nuspe, destacou a importância da iniciativa. “Trabalhamos com diversas ações voltadas à comunidade escolar, e hoje o tema do antirracismo é fundamental. Vamos dialogar e contribuir para que práticas de racismo e bullying não tenham espaço nem dentro nem fora das escolas”, afirmou.
Texto de Áurea Ribeiro, estagiária, sob supervisão de Bruna Ribeiro