
Realizado em Belém entre os dias 12 e 14 de maio, o Bioeconomy Amazon Summit (BAS) é um evento estratégico sobre bioeconomia que acontece, simultaneamente, no Parque de Bioeconomia no Complexo Porto Futuro II, no Teatro Maria Sylvia Nunes e Galpão de Eventos da Estação das Docas, em Belém. Nesses três dias, os envolvidos no evento discutem temas relevantes como financiamento sustentável, cadeias produtivas, reflorestamento e inovação territorial. Um dos destaques do evento é uma feira de negócios com mais de 100 startups da região.
Na ocasião, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) esteve presente em painel apresentado, nesta quarta-feira (13), sobre os desafios enfrentados ao financiamento da pesquisa na Amazônia. A mesa de debate do painel “Fomento à Inovação na Bioeconomia pela Iniciativa Amazônia+10" foi composta pelos painelistas Ellen Acioli, Especialista Amazônia, representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e pelo presidente da Fapespa e do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Marcel Botelho. O painel teve mediação de João Reis, representante da Amazônia +10.
O painel reforçou o importante papel da iniciativa Amazônia +10, uma iniciativa de coalizão entre as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de incentivo à ciência, tecnologia e inovação na região. O programa já mobilizou R$ 162 milhões e se consolida como o maior esforço coordenado de financiamento científico voltado à região.
“O Bioeconomy Amazon Summit volta ao Pará depois de três anos e a Fapespa está aqui para falar sobre a iniciativa Amazônia +10. Mostramos em números, o quanto nós crescemos e o Pará, logicamente, com destaque muito grande. Nós temos cerca de 60% dos projetos do Amazônia +10, que estão acontecendo aqui no nosso Estado. Houve, também, a participação neste painel dos representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que é um importante parceiro que nos ajudou a elaborar os desafios da Amazônia. Cinco desafios que envolvem açaí, cacau, babaçu, envolvem recursos não madeireiros das nossas florestas e, logicamente, recursos hídricos. A Fapespa, juntamente, com as demais fundações de amparo e o CONFAP, coordena essa iniciativa fantástica que nós esperamos conquistar junto com todas as iniciativas que o BAS está trazendo para cá, financiamentos para dar apoio às pesquisas ao desenvolvimento tecnológico, ao Vale Bioamazônico”, pontuou Marcel Botelho.
A iniciativa voltada ao financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, focados na sociobioeconomia amazônica, ganhou destaque no BAS 2026 por estar alinhada ao diálogo proposto pelo evento de conectar ciência, saberes tradicionais e inovação na Amazônia.
Para a painelista Ellen Acioli, “precisamos olhar para a bioeconomia a partir de diferentes perspectivas e não só a partir de um chapéu. Primeiro ponto é esse, quando o governo federal cria um programa que a sociobioeconomia está debaixo de um chapéu, de guarda-chuva, nós corremos o risco como sociedade, de não olhar para as ferramentas, os instrumentos financeiros, regulatórios, tecnológicos adequados para de fato nos colocar em vantagem competitiva.”
Ainda segundo a especialista do BID, “o Estado do Pará, no Brasil, construiu uma política de bioeconomia, e quando a gente consegue uma política de bioeconomia nacional, você olha para o Pará, e você vê claramente que é uma política de sociobioeconomia. E aí depois vem o Amazonas, vem o Amapá, mas nós não temos um posicionamento de quais são as bioeconomias da Amazônia legais. Então, isso que o Marcel faz é muito importante. Nem todos os estados vão se posicionar como o Pará se posicionou.”
Entre os exemplos destacados, Marcel citou o potencial hídrico da região. “Nós temos a maior área contínua de mangue do mundo. Nós temos o maior rio do mundo, o Amazonas. Nos oceanos, nós temos incidência em luz. Essa é uma produtividade primária fantástica. Então, como manejar esses recursos híbridos? Eu não estou falando apenas do peixe, eu estou falando da qualidade de água, dos mariscos, nós temos já o maior mangue e essa certamente é uma cadeia produtiva importante. Então, temos um potencial gerador de ciência e tecnologia, nós temos as discussões com a riqueza de conhecimento dessa população tradicional, se nós entendermos a sinergia que existe nesse ecossistema e colocarmos cirurgicamente o recurso para o desenvolvimento”.
Amazônia +10 –criada em 2022 com o intuito de valorizar e apoiar um modelo econômico mais justo e sustentável ao bioma amazônico, a Iniciativa Amazônia +10, é uma aliança de agências financiadoras de Ciência, Tecnologia e Inovação, existentes através do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP).
A Iniciativa Amazônia +10 lançou três chamadas de financiamento à pesquisa, e contou com mais quatro chamadas lançadas por parceiros internacionais. A viabilização de recursos contou com o envolvimento de 16 parceiros nacionais e internacionais que apoiam a Iniciativa, além das 25 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) que a integram. Foram 1.265 pesquisadores já alcançados, 171 instituições envolvidas, sendo 133 ICTs e 7 países. Em três anos de resultados promissores, a Amazônia+10 mobilizou mais de R$ 160 milhões por meio de sete chamadas públicas, apoiando 61 projetos de pesquisa e 25 workshops internacionais.
“Nós temos certamente a capacidade de gerar novas tecnologias com produção local, mas temos que fazer com que o protagonismo seja nosso e conseguiremos isso com tecnologia e inovação. Não dá mais para ficar no modelo atual de mérito de ativismo, então tem que agregar o conhecimento tradicional, o conhecimento local com a geração de tecnologia da Amazônia.”, defende o presidente da Fapespa.
Texto de Jeisa Nascimento, estagiária sob supervisão da jornalista Manuela Oliveira da Ascom/Fapespa