
Há nove anos em tratamento oncológico, Nilson Marques, integrante da Classe Hospitalar Professor Roberto França, do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL), participou, nesta quarta-feira (18), de uma visita guiada para conhecer o Complexo Bolonha, em Belém, a maior Estação de Tratamento de Água (ETA) da Amazônia.
“Mesmo com uma rotina de exames, consultas e medicações, conseguir estudar e participar de atividades escolares fora do hospital, nessa fase delicada da doença, é muito importante. O acolhimento de todos os profissionais no Octávio Lobo e o conhecimento aprendido no Bolonha fazem a diferença. Passei muito tempo sem nem poder sair de casa, em um dos períodos da quimioterapia, e hoje, poder participar de um passeio como esse, interagir com outras pessoas, traz uma felicidade imensa”, conta.
Como parte da programação alusiva ao Dia Mundial da Água, a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) recebeu, na ETA Bolonha, cerca de 20 pacientes oncológicos e responsáveis, que tiveram a oportunidade de conhecer todo o ciclo hidrológico e o caminho da água, desde a captação, tratamento e a chegada do recurso nas residências.
“O intuito é que os visitantes conheçam todo o processo de tratamento da água, toda a magnitude desse trabalho. Assim, é uma forma de ver, na prática, a importância do uso consciente desse recurso hídrico, valorizar o papel da Companhia no nosso Estado e utilizar esse conhecimento nas disciplinas escolares. Essa troca com a comunidade é muito especial, aprendemos muito uns com os outros”, comenta a técnica ambiental da Cosanpa, Karla Pontes.
O Complexo Bolonha é responsável por cerca de 70% do abastecimento de água de Belém e Ananindeua, atendendo mais de 1,5 milhão de pessoas. No local, a água captada passa por diversas etapas de tratamento até atingir os padrões de potabilidade exigidos pela legislação sanitária.
Classe Hospitalar- A Classe Hospitalar Professor Roberto França é resultado da cooperação técnica do Hoiol com a Coordenadoria de Educação Especial (Coees), da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O programa assegura a continuidade dos estudos a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Neste ano, 52 alunos/pacientes estão matriculados na unidade.
A professora do programa, Anna Elvira dos Santos, reforça a importância de aliar a teoria, explorada na sala de aula, com a prática, em ambientes externos e abertos. “Tentar humanizar o conteúdo das disciplinas e levá-los para outros locais, longe da rotina do hospital, traz muitas melhorias para o psicológico dos alunos e também dos responsáveis. Aprendemos na prática sobre sustentabilidade, clima, preservação, uso adequado da água que chega nas torneiras e eles utilizam para tomar banho, escovar os dentes. Um dia como esse é como estar em um laboratório a céu aberto e marca a vida deles”, diz.
Além da ETA Bolonha, alunos da Classe Hospitalar já participaram de programações no Centro de Ciências e Planetário do Pará - Sebastião Sodré da Gama, Usina da Paz do Guamá, Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica e Museu das Amazônias.
Mãe do paciente e estudante Miguel, de seis anos, Renata Nunes celebra a oportunidade oferecida. “Há dois anos e dois meses, ele está em tratamento oncológico e neste ano, conseguiu começar na Classe Hospitalar, o que é algo muito positivo, ele está respondendo muito bem. As professoras dão muito suporte e conseguem dar uma nova rotina para os alunos. Pra nós também, familiares, é como um respiro dentro da rotina difícil que vivemos. Miguel gastou energia hoje, adorou o passeio”, finaliza.
Serviço:
As visitas à ETA Bolonha acontecem diariamente, mediante agendamento pelo e-mail: aps@cosanpa.pa.gov.br. Em 2025, mais de 1.250 visitantes passaram pelo local que, além da infraestrutura de captação e tratamento, conta com tecnologia para monitoramento da rede de distribuição e laboratório para análise e controle da qualidade da água.