
O Governo do Pará lançou, nesta terça-feira (3), o Tekoá – Centro de Gastronomia Social, no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém. A iniciativa é realizada por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), em parceria com o Instituto Paulo Martins, e representa mais um avanço na construção de um modelo sustentável de desenvolvimento socioeconômico no Estado, alinhado às estratégias do Plano de Bioeconomia para o Vale Bioamazônico e do Projeto Realiza Pará.
Instalado no Complexo Porto Futuro, nos armazéns 5 e 6 do Parque de Bioeconomia, o espaço será dedicado à formação e à pesquisa em gastronomia sustentável, com foco na valorização da sociobiodiversidade amazônica e no fortalecimento da cadeia produtiva local. Belém, reconhecida desde 2015 como Cidade Criativa da Gastronomia pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), passa a contar com um equipamento que integra saberes tradicionais, inovação e inclusão produtiva.
A secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, destacou que o Tekoá representa um avanço estratégico na consolidação da bioeconomia no Estado.
“O lançamento do Tekoá não é apenas a entrega de um espaço de formação. É a afirmação de uma estratégia de desenvolvimento para o Estado do Pará, baseada na bioeconomia e, neste momento, com a gastronomia como eixo central. Não existe bioeconomia robusta sem qualificação. Não existe agregação de valor sem formação. E não existe inovação sem gente preparada. O Tekoá integra formação técnica, valorização de saberes, inovação e conexão com o mercado”, afirmou.
Formação e inclusão profissional
A execução dos cursos e atividades será realizada pelo Instituto Paulo Martins, por meio do Projeto Realiza Pará, desenvolvido pela Semas. A iniciativa integra ainda o Programa Floresta em Pé, executado pela Fundação Amazônia Sustentável e financiado pelo KfW Banco de Desenvolvimento, compondo um conjunto de ações do Vale Bioamazônico voltadas ao estímulo de negócios sustentáveis e à geração de valor a partir dos recursos da floresta.
Joanna Martins, filha do chef paraense Paulo Martins, falou sobre o significado da iniciativa para a gastronomia amazônica.
“O mais especial é ver o Estado reconhecendo a nossa vocação e transformando aquilo que sempre foi parte da nossa identidade em política pública estruturada. A gastronomia amazônica sempre teve valor. O que faltava era sistematizar o conhecimento para potencializar ainda mais”, destacou.
O Tekoá atuará em duas frentes complementares. A primeira contempla cursos livres de curta duração, abertos ao público em geral, voltados à difusão de técnicas gastronômicas e ao incentivo ao uso de ingredientes amazônicos no cotidiano, estimulando habilidades culinárias e o consumo consciente de produtos da sociobiodiversidade.
A segunda frente será destinada à oferta de cursos profissionalizantes de nível técnico para jovens de 18 a 29 anos em situação de baixa renda, com prioridade para aqueles em condição de vulnerabilidade social. A proposta é ampliar a qualificação profissional e criar oportunidades de inserção no mercado de trabalho no setor de alimentação.
Valorização da sociobiodiversidade
Cozinheira e boieira do Ver-o-Peso, Eliana Ferreira destacou como a iniciativa pode fortalecer a culinária tradicional paraense. “Eu quero estar nesses cursos, aprender novas técnicas e melhorar ainda mais o que já faço, mas sem perder a nossa identidade. A técnica vem para aprimorar, não para apagar nossas origens. A nossa culinária nasce das feiras, dos rios, do Ver-o-Peso. Na minha cozinha não pode faltar chicória. A gente precisa valorizar o que é nosso e usar o conhecimento técnico para potencializar isso”, afirmou.
Para Jane Costa, da comunidade quilombola de Espírito Santo do Uitá, no município de Santa Izabel do Pará, o acesso à formação representa uma oportunidade de fortalecer os saberes tradicionais.
“Na minha comunidade, nossa sobrevivência é baseada na mandioca, que para mim é a raiz mais linda do mundo. A gente aproveita tudo: a folha, o caule e a raiz. Temos contato todos os dias com a goma, o tucupi, a maniçoba, a farinha quentinha saindo do forno. Ter acesso a um curso como esse não é apenas olhar para o que já sabemos fazer, mas potencializar esse conhecimento. É dar mais valor à mandioca, ao tucupi, aos nossos ingredientes”, ressaltou.
O Parque de Bioeconomia integra o Vale Bioamazônico e representa uma estratégia do Governo do Pará para fortalecer um novo modelo de desenvolvimento econômico, baseado na sustentabilidade, inovação e inclusão produtiva.
“O Tekoá nasce dentro desse contexto, estruturando a gastronomia como política pública. O mundo voltou os olhos para a Amazônia, mas nós não queremos apenas ser observados. Queremos liderar uma nova economia, de baixo carbono, que valorize o saber tradicional e gere renda sem destruir o que nos sustenta. E isso começa aqui, na formação e na inclusão produtiva”, concluiu Camille Bemerguy.