
A Universidade do Estado do Pará (Uepa) realiza na quarta-feira (4), em Parauapebas, no sudeste paraense, a formatura de 34 especialistas em Transtorno do Espectro Autista (TEA), consolidando mais uma etapa da primeira especialização na área, pública e gratuita, ofertada no Estado.
A vice-governadora do Pará, Hana Ghassan, destacou os avanços no atendimento e acolhimento a pessoas com TEA. “O Governo do Pará é para todos. A inclusão sempre foi uma bandeira da nossa gestão, tanto que criamos em 2019 uma coordenação na Secretaria de Saúde para tratar especificamente de políticas para o autismo, a Cepa. Fomos pioneiros na criação de Núcleos de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista, os Natea. Atualmente, temos seis unidades em funcionamento e mais três em construção, para ampliar a nossa rede para os municípios do Baixo Amazonas, Xingu e Marajó. Criamos também um Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista, o Cetea, que serve como laboratório para a formação de profissionais de saúde. Somando estas iniciativas, fica evidente que o Governo do Pará investe intensamente na formação de profissionais para atuarem nos setores público e privado, tanto na capital quanto no interior, para que famílias atípicas possam ter acesso a profissionais que as auxiliem em suas jornadas pessoais e parentais”, reiterou Hana Ghassan.
Qualificação- Esta é a sétima turma da especialização, que já ofertou 300 vagas nas seis edições anteriores, realizadas em Belém, Marabá (no sudeste) e Santarém (no oeste). Em Parauapebas foram oferecidas 40 vagas, fortalecendo o processo de interiorização da formação e ampliando o alcance da Universidade em municípios que precisam melhorar o acesso à qualificação profissional.
“Celebrar a formatura desta turma, em Parauapebas, é reafirmar o compromisso da Universidade do Estado do Pará com a inclusão, a ciência e a transformação social. Esta especialização representa um marco histórico, por se consolidar como a primeira oferta pública e gratuita em Transtorno do Espectro Autista no Pará, resultado de uma ação pioneira que amplia o acesso à formação qualificada no Estado. A implantação da turma em Parauapebas impulsiona o avanço científico e fortalece o posicionamento das instituições na defesa dos direitos da pessoa com TEA na região Sudeste do Pará”, disse Clay Chagas, reitor da Uepa.
Segundo Scheilla Abbud, coordenadora da Especialização desde sua implantação, “quando a Uepa interioriza esta especialização atua diretamente para minimizar os impactos que a formação insuficiente dos profissionais que atuam junto a esses usuários, e a pouca articulação entre os setores/áreas envolvidos em sua atenção, acarretam em suas vidas, de seus familiares e da comunidade”.
A coordenadora, que tem diagnóstico de TEA, é mãe e avó de pessoas com autismo. Ela falou sobre o início de sua atuação nos anos 1990, período em que havia escassez de informações, pesquisas e formações específicas sobre o tema. Para ela, cada nova turma formada representa a ampliação de oportunidades. “A cada turma que a Uepa forma vislumbro a certeza de que um número cada vez maior dessas pessoas estará ocupando os espaços sociais, inclusive a nossa Universidade, que, ao institucionalizar a política de cotas, ampliou ainda mais as possibilidades de acesso e permanência”, ressaltou.
Diversidade- O perfil da turma reflete a diversidade e a abrangência da proposta pedagógica. Concluíram o curso profissionais da Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Parauapebas, entre professores e técnicos, além de profissionais de outros municípios e áreas do conhecimento.
Entre os formandos estão docentes da Educação Infantil, do Ensino Fundamental, Médio e Superior, professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), pedagogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e odontólogos. A turma também reúne pessoas com autismo e familiares, fortalecendo o diálogo entre vivência, formação acadêmica e prática profissional.
“Ao qualificar profissionais de diferentes áreas do conhecimento, ampliamos a participação efetiva da Uepa na construção de uma sociedade mais preparada, sensível e comprometida com o respeito à diversidade”, reforçou o reitor Clay Chagas.
Além de atuarem diretamente no atendimento às pessoas com autismo, os especialistas certificados tornam-se multiplicadores de conhecimento em suas localidades, contribuindo para o fortalecimento de redes de apoio e a construção de uma sociedade mais inclusiva, preparada e comprometida com o respeito à diversidade.
Inclusão- Segundo a Organização Mundial da Saúde, com base em estudos do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a prevalência média do autismo é de um caso a cada 36 pessoas. Em projeção, esse percentual representa milhões de brasileiros no espectro, e milhares no Pará.
“Sabemos que a demanda por tratamento para pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo é crescente. Para atender a esta população precisamos, cada vez mais, de profissionais qualificados para fazer intervenções multidisciplinares. Neste contexto, o Programa de Pós-Graduação oferecido pela Universidade do Estado do Pará é um passo importante para que possamos assegurar os direitos de milhares de paraenses, que dependem de acompanhamento e suporte em seu dia-a-dia”, disse Brenda Maradei, titular da Coordenação Estadual de Políticas para Autismo, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
“Sinto um orgulho imenso em ser docente desta Universidade, que hoje é referência em formação sobre TEA no Pará. Este é um momento muito importante, que reflete o movimento de pessoas autistas, de seus familiares e de diversos segmentos sociais que, desde a década de 1990, vêm se organizando pela efetivação de seus direitos, especialmente na educação”, frisou Scheilla Abbud.