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Belém celebra Dia dos Catadores com avanços na coleta seletiva

Histórias de ex-professoras e costureiras na Cooperbem revelam a transformação do descarte em esperança e preservação ambiental

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Belém
01/03/2026 às 10h16
Belém celebra Dia dos Catadores com avanços na coleta seletiva
Crédito: Ascom - SEZEL

“Não chame de lixo, chame de material reciclável. A reciclagem a gente transforma”. O tom firme de Maria Raimunda, 67 anos, carrega a autoridade de quemhá uma décadaretira das ruas da capital paraense resíduos que ganham uma nova destinação.

Ao lado de Altamira Fiel, sua companheira na cooperativa Cooperbem, ela personifica aresistência e a consciência ambientalque movem centenas de trabalhadores neste 1º de março,Dia Mundial dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis.Mais do que coletar resíduos, essas mulheres resgatam a dignidade de uma profissão que é o verdadeiro pilar da economia circular e da preservação de Belém.

Para Altamira Fiel, a trajetória na reciclagem começou por uma percepção de urgência social e ambiental. Ex-professora de um projeto de alfabetização, a catadora conta que a necessidade de organizar uma cooperativa surgiu ao observar a realidade de áreas como o Telégrafo e a Vila da Barca. “Vimos que era uma área na qual muito material jogado fora ia para baixo das palafitas. Começamos a fazer educação ambiental para que esse resíduo não enchesse os esgotos e as casas das pessoas”, relembra Altamira.

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Altamira ressalta quea profissão é fundamental e muda a realidade da capital paraense.“Se tudo o que a gente retira todos os dias das ruas, das casas e do ecoponto fosse para o aterro sanitário seria muito complicado”, alerta a catadora, enfatizando que o trabalho da categoria é o que garante o equilíbrio entre a cidade e a natureza.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém

Além da coleta, a catadora explica que a CooperBem atua na transformação dos materiais. Altamira explica com orgulho como uma garrafa de vidro pode virar peça de decoração, enquanto o papelão e caixas de leite ganham vida nova como agendas, cadernos e bolsas. “Em vez de descartar esse material, ele contribui para a sustentabilidade e para o alimento de cada catador na sua casa”, pontua Altamira.

Identidade e transformação

A história de Maria Raimunda reforça que a catação é, acima de tudo, umaescolha de identidade.Ex-costureira, ela conta que passou por outras ocupações, mas foi na reciclagem que se encontrou.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém

Ela relata que o trabalho de campo é uma das partes mais gratificantes, pois permite o contato direto com a comunidade. Para Maria, sair às ruas para buscar o material é uma forma de conhecer novas pessoas e histórias,transformando a coleta em um ato de cidadania.Além disso, ela ressalta a importância da capacitação.
“Eu já fiz vários cursos como por exemplo para aprender a manusear o papelão. A gente dá um novo sentido para esse material. Eu gosto de coletar o material também porque me faz ouvir novas histórias e conhecer novas pessoas.”

Ecoponto de Belém: renda e sustentabilidade

A valorização mencionada por Maria Raimunda ganha força com as recentes políticas públicas da Prefeitura de Belém. A CooperBem é uma das parceiras fundamentais na operação doprimeiro Ecoponto de Belém, inaugurado em janeiro deste ano. O espaço foi projetado para o descarte adequado de entulhos, materiais volumosos e recicláveis, combatendo o descarte irregular em canais e vias públicas.

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

Desde a sua inauguração, o Ecoponto já recebeumais de 30.000 kg de materiais, que em vez de sobrecarregarem os aterros sanitários, retornam ao ciclo produtivo pelas mãos de cooperativas. O local não apenas organiza a gestão ambiental da cidade, mas garante a inclusão produtiva, gerando renda direta para famílias que vivem da reciclagem.

O compromisso com esses profissionais também se estende aos catadores autônomos. Por meio do Projeto Conexão Cidadã, implantado em Belém emjaneiro de 2025, a Prefeitura atua na identificação e acolhimento de quem trabalha na informalidade.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém

Coordenado nacionalmente pela Associação Nacional dos Catadores (ANCAT), com apoio do Banco do Brasil e do Governo Federal, o projeto em Belém une diferentes frentes como Fundação Papa João XXIII (FUNPAPA), Secretaria Municipal de Saúde (SESMA), Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Direitos Humanos (SEMCAD) e Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (SEZEL) para garantir que o catador tenha conhecimento e acesso a direitos básicos, além de políticas de moradia e documentação. É um esforço conjunto para garantir quequem cuida do meio ambiente de Belém também seja cuidado pelo poder público.

Para marcar o Dia Mundial da categoria, a Prefeitura de Belém realizou, na última sexta-feira (27), uma ação integrada no espaço da Rede Catapará. Cerca de100 catadoresparticiparam de atividades voltadas à saúde e segurança no trabalho, com palestras sobre higienização e segurança no trabalho, encaminhamentos para consultas médicas e emissão de documentos. A manhã também contou com a entrega de cestas básicas e um café da manhã coletivo.

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