
Osegundo diado CarnaBelém em Mosqueiro foi dedesfile das duas tradicionais escolas de samba da ilha, na noite deste domingo, 15.Um grande público prestigiou o evento, lotando as arquibancadas na praça da Vila e ao longo do corredor da folia na rua Nossa Senhora do Ó.
A primeira a desfilar foi a Escola de SambaPeles Vermelha.A agremiação, fundada em 1956, trouxe como enredo “Peles Vermelha – A Águia Guerreira de Mosqueiro, Setenta Anos de Amor e Tradição!”

A escola apostou no intérprete Paulinho Torres e nos cerca de300 foliõespara não deixar o samba enredo atravessar. Eles mantiveram a harmonia com a bateria “Guerreira da Ilha”, de70 ritmistas,sob a batuta do mestre cultural Mauro Anderson Lima.


A carnavalescaJoanna Denholmcriou fantasias traduzindo o divino e o popular na ancestralidade e resistência de um guerreiro celestial, que marcam a trajetória da escola nessas sete décadas de existência, guiada pelas Baianas, guardiãs da memória da ilha.

Contagiando o público, a Peles Vermelha evoluiu na passarela dentro dos50 minutosprevistos. Passaram as alas dos amigos, do aniversário dos 70 anos, a tradicional dos indígenas e uma especial, com os brincantes usando fantasias que lembram a origem da agremiação.


O primeiro casal mestre-sala e porta-bandeira,Ruã Moraes e Ana Carolina Bouillet,defendeu o pavilhão da escola com garra e leveza num jogo sincronizado de movimentos.

Já o porta-estandarte,Felipe Correa,empunhou o símbolo da agremiação com ginga e bailado, horando a função tradicionalmente ocupada por mulheres.

Outro destaque foi aRainha de Bateria, Lívia Fonseca, de 20 anos.A estudante de Medicina Veterinária, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), mosqueirense do bairro Vila, chamou atenção pela beleza e interação com os ritmistas.

A presidente da agremiação, Maria Inêz Raiol, avaliou como positivo o desempenho da escola na passarela do samba.
“A Pele Vermelha, como sempre, veio com muita alegria,reverenciando principalmente a comunidade mosqueirense.Nós viemos com um enredo alegre e cumprindo todos os quesitos obrigatórios. Estamos na luta, na resistência, Peles Vermelha e a co-irmã Piratas da Ilha, tentando fazer com que o Carnaval de avenida em Mosqueiro não termine”, defendeu Maria Inês.
A Universidade de Samba Piratas da Ilha mostrou na avenida o enredo“Hotel Farol e Ilha dos Amores – O transatlântico da memória em rios de paixão e encantamento”,de autoria dos poetas Claudionor Wanzeller e Alcir Rodrigues.
O tema aborda a história do tradicional hotel, construído há90 anospelo amor do casal Adelaide, portuguesa, e o paraense Zacharias, considerado um tesouro da cultura e paisagem de Mosqueiro, localizado no cabo da praia do Farol, em frente à ilha dos Amores, banhados pelas águas da baía do Marajó.
Conta o enredo, trabalhado pelo carnavalesco Marcos Alcântara, que o local, próximo da luz-guia do único farol de Mosqueiro, éabençoado por elementos da natureza e forças espirituais,sendo a ilha dos Amores fonte de mistérios e encantos. Ali teria vivido um casal de pescadores e a mulher costumava esperar nas pedras o retorno do marido. Certo dia, ela engravidou de uma Cobra Grande e deu à luz a duas cobras, que jogadas na água pela parteira, passaram a assustar pescadores, até que subiram o rio Pará e foram habitar nas águas do Tocantins.

Abrindo o cortejo carnavalesco, a Comissão de Frente representou o encantamento das águas, encenando o nascimento do amor do pescador e da jovem cabocla na ilha dos Amores, sob o feitiço da Cobra Grande, simbolizando afusão do amor humano com a natureza.

O porta-estandarte, Philipe Dias, vestiu-se de guardião das energias espirituais e cósmicas que protege os segredos e encantarias da Ilha dos Amores.

Os fundadores do Hotel Farol foram representados pelo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira,Augusto Borges e Isabele Furtado,simbolizando dois mundos (Portugal e Brasil), um só amor, a união de culturas, povos e afetos.

A escola, com250 brincantes,manteve a harmonia, durante todo o desfile, na cadência da bateria Tsunami, comandada pelo mestreCarlos Cavalcante,simbolizando o divino som da natureza.

As batidas dos75 ritmistastraduziram o balanço das marés da Baía do Marajó, guiados pelo samba-enredo interpretado por Mayara Mesquita, simbolizando as vozes que cantam o amor, a memória e o mistério da Ilha.

A frente da Tsunami, dois destaques: a rainha de bateria,Cristina Soeiro,personificando a Encantaria e o feitiço amazônico, e musa da bateria,Katarina Soares,traduzindo o misticismo das forças invisíveis e espirituais.


O Hotel Farol veio representado no carro alegórico em formato de navio-gaiola, simbolizando o refúgio da história e do amor

Já o antigo Farol de Mosqueiro, que orienta os navegantes e dá nome à praia, foi representado como luz-guia nos trajes das Baianas.

A escola trouxe também, bastante animadas, as alas do Firmamento estrelado, dos Enamorados da ilha do Amor e dos amigos de Adelaide e Zacharias.

O presidente da agremiação, Lauro Pantoja, avaliou o desfile como vibrante, alegre e carregado de identidade.
Por ter apenasduas agremiaçõescarnavalescas desfilando, a Prefeitura de Belém não realiza concurso oficial. A secretária municipal de Cultura, Raphaela Segadilha, acompanhou o desfile das escolas e destacou a programação carnavalesca da Prefeitura de Belém.

O CarnaBelém tem eventos para todos os gostos e idade, onde as pessoas e suas famílias podem se divertir com tranquilidade e segurança.
“Sou de Belém e sempre curti o Carnaval em Mosqueiro.É um Carnaval maravilhoso,sem confusão, somente família, pessoas maravilhosas, que vêm pra brincar, pra curtir, aproveitar a vida e na maior paz, sem brigas, que é o que a gente quer: brincar e ser feliz”, elogiou a contadora Tatiana Monteiro.

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“Nesse segundo dia de Carnaval, as escolas de samba trouxeram animação para o povo de Mosqueiro e visitantes que vieram aqui. A ilha está bem movimentada e a gente tem a expectativa para a segunda e terça-feira, quando os blocos vão passar no Corredor da Folia, os blocos que têm a maior interação com a comunidade”, afirmou osubprefeito do Distrito de Mosqueiro, Renato Brandão.
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A segurança na ilha está garantida pelas operações da Polícia Militar; da Diretoria de Polícia Administrativa, da Polícia Civil, e agentes da Guarda Municipal de Belém.

Com a colaboração de Beto Messias (Ascom/Mosqueiro)