
Belém se despediu, nesta terça-feira (30), de uma de suas figuras mais emblemáticas da cultura popular amazônica. Faleceu Clotilde de Souza, mundialmente conhecida como Dona Coló, uma das erveiras mais respeitadas do Ver-o-Peso e referência na preservação dos saberes tradicionais da floresta. A informação foi confirmada por familiares.
Dona Coló dedicou cerca de 40 anos à produção de remédios e tratamentos à base de ervas medicinais, sempre fundamentados no conhecimento ancestral transmitido de geração em geração. Integrante da terceira geração de erveiras da família, ela foi uma das grandes responsáveis por manter viva uma prática que integra a identidade cultural de Belém e da Amazônia.
Segundo familiares, Dona Coló estava internada há aproximadamente um mês no Hospital Abelardo Santos, após sofrer mais um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Na tarde desta terça-feira, ela teve uma parada cardíaca e não resistiu.
Reconhecida não apenas pelo povo, mas também pelas instituições, Dona Coló recebeu, em 2021, a Medalha do Mérito Francisco Caldeira Castelo Branco, honraria concedida pela Prefeitura de Belém a personalidades que contribuem para a valorização, a memória e o desenvolvimento da capital paraense.
A importância de Dona Coló ultrapassou as tradicionais bancas do Ver-o-Peso. Seu trabalho ganhou projeção internacional ao unir medicina tradicional, saberes da floresta, fé e cuidado popular, atraindo pesquisadores, turistas e admiradores do Brasil e do exterior. Para muitos, ela era mais que uma erveira: era conselheira, curadora e símbolo de resistência cultural.
Até o momento, não há informações oficiais sobre velório e sepultamento. A família informou que os detalhes devem ser divulgados nas próximas horas.
Com a morte de Dona Coló, Belém perde uma de suas maiores referências vivas da cultura popular, mas seu legado permanece enraizado na história, na fé e na sabedoria do povo amazônico.