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Auxílio Reconstrução foi solicitado irregularmente por presidiário e por mulher que fechou empresa meses antes da tragédia no RS.

Governo identificou irregularidades em quase metade dos 629 mil cadastros em benefício para quem foi afetado pelas enchentes do RS.

Redação
Por: Redação
14/07/2024 às 15h08
Auxílio Reconstrução foi solicitado irregularmente por presidiário e por mulher que fechou empresa meses antes da tragédia no RS.
Reprodução/RBS TV

Fraudadores estão de olho nos recursos públicos liberados a quem foi afetado pela enchente no Rio Grande do Sul. Em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a reportagem identificou duas tentativas de acessar dinheiro da prefeitura e do governo federal. A enchente de abril e maio deixou 182 mortos no RS.
A reportagem descobriu entre os cadastrados no programa um homem que estava preso à época da inundação e a dona de uma salão de beleza fechado seis meses antes da tragédia. Na tentativa de conter as fraudes, o governo federal anuncia uma "malha fina" para identificar irregularidades.


"JC" entrou com o pedido para receber os R$ 5,1 mil do Auxílio Reconstrução, pagos pelo governo federal, alegando ter perdido tudo com a cheia no bairro Harmonia, em Canoas. No entanto, ele estava preso na Penitenciária Modulada de Osório, no Litoral Norte, entre 28 de dezembro de 2023 e 28 de maio de 2024.

A reportagem apurou que o homem indicou que morava na quarta casa de um terreno que, no entanto, só tem uma residência. O dono mudou-se provisoriamente para a casa de um parente, em Nova Santa Rita. Os vizinhos do local nunca ouviram falar em "C".

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Após receber liberdade condicional, o homem passou a residir com o pai na praia de Quintão, em Palmares do Sul – a 136 km de Canoas. Sem saber que estava sendo gravado, ele manteve sempre a mesma versão a quem perguntava sobre a tragédia.
"Eu estava morando lá quando encheu. Me tiraram de barco", afirmou. 

Além de se cadastrar para receber o auxílio, "J" também passou a intermediar o esquema para outras pessoas, "vendendo" endereços supostamente não reivindicados por moradores. Simulando interesse, a RBS TV recebeu como local a ser cadastrado uma suposta quinta casa no mesmo terreno em que o homem disse que morava em Canoas.
"J" cobra R$ 550 pelo serviço, sendo R$ 50 no ato e R$ 500 quando o dinheiro for liberado pelo governo federal. Se alguém fiscalizar, ele orienta como justificar.

"Cara, já te falei aí, o fiscal vai vir e vai te perguntar como é que tu saiu de lá? Aí tu vai dizer: 'não, e eu, os guris aqui da casa quatro, o outro pessoal das casas mais acima, a gente saiu tudo de barco, porque já estava com a metade da casa cheia d'água'. Entendeu? Explica", disse.

A Prefeitura de Canoas anunciou que vai excluir os cadastros das pessoas que não moram no endereço citado pelo fraudador.

Empresa fechada há seis meses

Em outra suspeita de fraude, uma microempreendedora também se inscreveu na Prefeitura de Canoas para receber, indevidamente, dois benefícios: além do Auxílio Reconstrução, a mulher requereu uma verba destinada pelo município a microempreendedores afetados pela enchente.

Na Receita Federal, DM aparece como dona de uma estética no bairro Mathias Velho. No questionário que preencheu para ter acesso à verba municipal, alegou que o salão foi "muito impactado". A água teria atingido parte do segundo piso. De acordo com D, foram perdidos computador, micro-ondas, geladeira e móveis.

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