

A alternativa é indicada a pacientes que precisam de reabilitação fisioterapêutica para complementar tratamentos neurológicos, cardiorrespiratórios, renais crônicos, e que também passaram por cirurgias torácicas e vasculares ou pelo trauma de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Antes de fazer o uso do recurso, o usuário é avaliado pela equipe médica e da fisioterapia, especialidade responsável pela aplicação das técnicas.
Para Axell Lins, coordenador do serviço de fisioterapia do HRAS, a iniciativa passa a revolucionar os tratamentos. "Esse projeto atende adultos e crianças, principalmente. Conseguimos levar nossos usuários para outra realidade através de jogos que trabalham, durante o entretenimento, a movimentação do corpo, assim, a gente consegue adquirir a funcionalidade do paciente com mais rapidez. A forma lúdica desta terapia faz com que o paciente se desligue da realidade na qual está vivendo, diminuindo a dor, a necessidade de analgésicos e de outros medicamentos, fazendo com que essa internação seja menos traumática, mais ainda, no contexto pediátrico", disse o especialista.

Emanuel faz tratamento de uma pneumonia bacteriana e de derrame pleural. "Ele sentiu dores no corpo a partir de uma agressão causada por um amigo na escola. Recorremos à UPA, e após uns dias em casa fazendo o medicamento, as dores não passavam, e fomos orientados a procurar o Abelardo Santos, onde ele entrou, e já ficou hospitalizado fazendo exames, com um acompanhamento médico e de fisioterapeutas", lembrou Janice.
A tecnologia também alcança o público da terceira idade. O idoso Dilson Ferreira, de 66 anos, está na UTI da unidade, após passar por uma biópsia de próstata. Após 21 dias internados, ele pode, mesmo no leito, sair da realidade hospitalar, através do videogame. "Achei uma maneira bem diferente para fazer um tratamento de saúde. Gostei bastante. Me distraí e passei melhor o tempo dentro do hospital. Foi muito bom e espero que continue", relatou o usuário de Soure, na Ilha do Marajó.
O fisioterapeuta Felix Furtado percebe que o recurso já apresenta bons resultados. "A realidade virtual tem sido uma boa parceira para agregar e levar os pacientes para um mundo diferente, com objetivos terapêuticos. Os pediátricos, como Emanuel, passam a ter esse momento como traumático, saindo do seu quarto, de perto dos seus familiares e brinquedos e ficam com o emocional abalados. Mas esse recursos ajuda a esquecer a atual realidade, movimentando seus membros superiores e inferiores", observou.
Benefícios -O diretor Técnico do Abelardo Santos, Paulo Henrique Ataíde, detalha que os períodos de internação são estressantes e entediantes, sobretudo para crianças. Pensando nisso, o HRAS resolveu adotar jogos virtuais para o ambiente hospitalar. "Trabalhamos com pessoas de todas as idades e diversos perfis. A implantação da Gameterapia ou da realidade virtual, também chamada, é uma forma de amenizar o sofrimento dos pacientes durante o tratamento. Com ajuda da tecnologia, a gente consegue transportar essas pessoas, principalmente os pacientes pediátricos, virtualmente, para fora do ambiente hospitalar, estimulando, assim, a recuperação mais rápida e reduzindo o tempo de internação", explicou o médico.
A aplicação da tecnologia em hospitais brasileiros não é tão incipiente, no entanto, ainda é pouco usada em unidades públicas, devido aos recursos profissionais e de equipamentos. "Após termos avaliado os benefícios desse tratamento, a unidade trouxe o videogame como mais um recurso terapêutico. Hoje, temos banheiras e bolas suíças nas salas de partos, estúdio de fisioterapia completamente equipado, hidroterapia, tudo como forma de amenizar a dor de nossos usuários. Esses investimentos, são revertidos em uma alta hospitalar com melhor qualidade e mais assertiva", finalizou Marcos Silveira, diretor Executivo do Abelardo Santos.
SERVIÇO
O Hospital é a maior unidade pública do Governo do Estado. A instituição é administrada pelo Instituto Mais Saúde, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Texto de Roberta Paraense / Ascom HRAS