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Serra Pelada transforma memórias no primeiro museu orgânico do Pará

Local que abrigará Museu Orgânico de Zé Branquinho, guardião de memórias de Serra Pelada, será âncora para o turismo de base comunitária na vila que marcou a corrida do ouro no Brasil.

Redação
Por: Redação
14/05/2026 às 13h26
Serra Pelada transforma memórias no primeiro museu orgânico do Pará

Serra Pelada ganhou fama mundial nos anos 1980 como a imagem mais contundente da corrida do ouro no Brasil. Quatro décadas depois, a região pode reposicionar sua história como oportunidade para um turismo de base comunitária. No último dia 10 de maio, foi dado mais um passo importante nessa direção. Foram concluídas as obras da casa que irá abrigar o primeiro Museu Orgânico de Serra Pelada, modelo de espaço

O modelo de museus orgânicos, já consolidado no sertão do Cariri, no Ceará, com o apoio da Fundação Casa Grande, chega agora ao Pará. A proposta é que o visitante encontre ali um roteiro guiado pelas memórias locais com protagonismo dos moradores, sendo o Museu Orgânico de Zé Branquinho um local chave para se conhecer esse personagem que preserva um acervo audiovisual e compartilha histórias de Serra Pelada. O projeto surge como uma contribuição adicional para o desenvolvimento social e econômico no município de Curionópolis onde fica o povoado de Serra Pelada. A iniciativa faz parte do Juntos Contra a Pobreza, rede articulada pela Vale, e conta com a parceria da Prefeitura Municipal, implementação da Rede Terra e do Museu da Pessoa e com o coinvestimento das empresas Ápia, Enesa, EGTC, Instituto Sotreq, Plamont, além do apoio da Fundação Casa Grande.

O Museu funcionará na casa, agora reformada e ampliada, do ex-garimpeiro Lucindo Ferreira Lima, o Zé Branquinho, guardião de um rico acervo e reconhecido como uma referência na preservação e na transmissão das histórias do período. O local apresentará sua trajetória intrínseca às memórias da Vila.  A casa já vinha sendo visitada por turistas que passam pela Vila, consolidando-se como um ponto de interesse cultural.  “Serra Pelada são duas minas, uma de ouro e outra de histórias”, costuma dizer Zé Branquinho. A aposta é que, agora, a segunda mina — a das histórias — ajude a sustentar um novo ciclo para a vila, com turismo centrado na memória, na cultura e nas pessoas do território.

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“Em Serra Pelada, as memórias são caminhos para se pensar em futuros mais sustentáveis. O museu orgânico de Zé Branquinho faz parte de um processo de construção coletiva, que permite a comunidade elaborar suas memórias e contá-las de forma criativa e empreendedora, o que só é possível a partir do ponto de vista de quem as viveu. O espaço foi pensado para manter viva as memórias de Serra Pelada e inspirar novas formas de pertencimento e de olhar para o futuro”, diz Flavia Constant, diretora de Investimento Social Privado da Vale.

Uma das frentes do projeto foi o trabalho desenvolvido pelo Museu da Pessoa junto aos jovens de Serra Pelada, promovendo o registro das memórias de moradores e moradoras históricos da comunidade. A iniciativa contribuiu para a valorização da memória local, o fortalecimento da identidade comunitária e o incentivo ao turismo de base comunitária.

Além disso, o Museu da Pessoa realizou oficinas de preservação e catalogação do acervo do Sr. Branquinho, capacitando os jovens para atuarem na conservação desse patrimônio de Serra Pelada e do Brasil. O acervo está organizado em uma reserva técnica que integra o museu, garantindo sua preservação e ampliando o acesso à história e à memória de Serra Pelada.

Para Rosana Miziara, da área de Relações Institucionais do Museu da Pessoa, “foi um presente para o Museu da Pessoa receber o convite da Vale para participar da criação do primeiro museu orgânico da região de Serra Pelada, realizando oficinas com os jovens sobre registro de memórias e preservação de acervos. Com isso, acreditamos contribuir para o futuro de Serra Pelada, valorizando seu maior ativo: as memórias de seus habitantes”.

A previsão é que o Museu orgânico de Zé Branquinho seja aberto à visitação a partir da segunda quinzena de junho. A exposição foi criada, coletivamente, com membros da comunidade a partir de formação realizada por equipe da Fundação Casa Grande - referência em museus orgânicos no mundo. O museu contará com três salas expositivas - Zé Branquinho, Zé do Peixe e Zé do Chapéu, com loja de souvenir e salas audiovisual e de acervo técnico, além de banheiros e copa. A catalogação e organização do acervo técnico foram realizadas coletivamente com a comunidade, com orientação técnica do Museu da Pessoa, a partir de patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Além do museu, o projeto com foco no desenvolvimento pelo turismo de base comunitária tem colocado a comunidade no movimento turístico, com iniciativas práticas para qualificar moradores e transformar memória em experiência de visita. Uma das frentes formou as primeiras bordadeiras de Serra Pelada: 80 mulheres que hoje traduzem em linhas e pontos sonhos e perspectivas de renda. Outra aposta foi a azulejaria, que decorou com painéis feitos por cerca de 230 moradores o “Pau da Mentira” — antigo ponto de encontro onde, nos tempos do garimpo, circulavam boatos e histórias. A vila também entrou no circuito do esporte ao receber ano passado a World Trail Races (WTR), principal liga de corrida de montanha do país, pela primeira vez no Pará.

*Narrativas locais e coletividade*
Além do museu, também está em produção dois livros, um do próprio Zé Branquinho e outro denominado Mina de Histórias, redigido por 12 jovens de Serra Pelada e que contém fragmentos das memórias de moradores, organizadas após uma formação conduzida pelo Museu da Pessoa.
*Juntos Contra a Pobreza*

As iniciativas integram o programa Juntos Contra a Pobreza, articulado pela Vale, reúne empresas, organizações do terceiro setor, academia e governos com o propósito de atuar coletivamente no enfrentamento da pobreza extrema no Brasil. O fortalecimento do turismo de base comunitária promove a geração de renda a partir da valorização das memórias locais, contribuindo para ampliar a confiança da comunidade em suas capacidades e suas perspectivas de melhoria de vida. Em conjunto com as frentes de turismo de base comunitária, o Juntos Contra a Pobreza realiza o Acompanhamento Familiar Multidimensional de mais de 200 famílias, com foco em renda, saúde, nutrição, educação e infraestrutura.

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