
O caminho que antes era sinônimo de dificuldade, hoje começa a representar oportunidade. Em diversas regiões do Pará, o avanço da pavimentação tem mudado não apenas a paisagem das estradas, mas principalmente a rotina de quem depende delas todos os dias. Mais do que números e quilômetros entregues, o asfalto tem encurtado distâncias, facilitado o acesso a serviços essenciais e impulsionado o desenvolvimento econômico dos municípios.
Para quem vive às margens da PA-253, na região Nordeste do Estado, a transformação já pode ser sentida. A dona de casa Raimunda Ferreira, de 58 anos, moradora de Capitão Poço, resume o sentimento de quem acompanhou anos de dificuldades. “A gente sempre sofreu com lama no inverno e poeira no verão. Era difícil para se deslocar, até pra levar uma criança no médico, por exemplo. Agora, com esse asfalto chegando, é como se a gente estivesse saindo do isolamento”, contou.
Na mesma região, o estudante Lucas Andrade, de 17 anos, enxerga na nova estrada uma chance concreta de mudança no futuro. Morador de Santa Luzia do Pará, ele destaca o impacto direto na educação. “Estudo no centro da cidade e tem dias que o ônibus escolar nem consegue passar. Com a estrada asfaltada, vai melhorar tudo: o transporte, a segurança, o tempo de viagem. A gente se sente mais valorizado”, afirmou.
A realidade que começa a mudar no Nordeste do Estado se repete em outras regiões. Em Bragança, na PA-112, a substituição de pontes antigas e a chegada do asfalto garantiram mais segurança e melhores condições de tráfego. O comerciante Alan Santos, que há três décadas trabalha com a venda de farinha, lembra das dificuldades enfrentadas no passado. “Essa estrada, há muito tempo, o povo daqui esperava que tivesse realmente uma recapagem. Antes, era só barro. As pontes, quebradas e de madeira, dificultavam muito as pessoas trazerem seus produtos. Mas agora, com esse benefício do governo, graças a Deus houve essa melhoria. A produção de farinha aqui é o forte, e isso vai facilitar muito para a gente que compra. Sou autônomo há 30 anos. Sou muito grato. Antigamente, diziam que essa estrada nunca ia sair. Mas agora saiu!”, relatou.
No Sudeste paraense, a pavimentação da PA-160 também trouxe impactos diretos para quem depende da rodovia diariamente. O motociclista Maxuel Ribeiro destaca a mudança na segurança e no tempo de deslocamento. “Essa estrada era péssima, buracos e muita poeira. No trajeto dava muito acidente, ficava no prego. Hoje, tá ótimo! Melhorou o tempo de viagem. Sou muito grato pelo asfalto que está pronto. Tudo que a gente precisa fazer, vai e vem com segurança”, disse.
Os avanços não são pontuais, mas estruturantes. Desde 2019, o governo do Pará já entregou mais de 3 mil quilômetros de rodovias pavimentadas em diferentes regiões do Estado - uma extensão que equivale, por exemplo, à distância entre Belém e São Paulo, evidenciando a dimensão dos investimentos em infraestrutura e o alcance das transformações promovidas em todo o território paraense.
Atualmente, outras frentes seguem em execução, somando cerca de 400 quilômetros de novas obras, com investimentos que ultrapassam R$ 1,4 bilhão. O pacote inclui intervenções estratégicas como a pavimentação da própria PA-253, a PA-151, no Baixo Tocantins, e a PA-368, no Marajó, além de obras estruturantes na Região Metropolitana de Belém.
Pontes são elos importantes
Além das rodovias, a construção e substituição de pontes têm sido fundamentais para garantir a integração entre municípios e melhorar o escoamento da produção. Ao todo, sete pontes já foram entregues e outras 24 seguem em andamento em diferentes regiões do estado, ampliando a segurança e a mobilidade.
Para o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Adler Silveira, o avanço da pavimentação representa um esforço estratégico que vai além da mobilidade. “Estamos levando infraestrutura para onde antes havia isolamento. Cada quilômetro de asfalto representa mais dignidade, mais acesso a serviços essenciais e mais oportunidades para a população. Esse é um trabalho que integra regiões, fortalece a economia local e garante melhores condições para o escoamento da produção, especialmente em áreas que dependem diretamente das rodovias”, destacou o secretário.
A melhoria das estradas também reflete diretamente no fortalecimento da economia. Com vias mais seguras e trafegáveis durante todo o ano, produtores rurais conseguem escoar suas mercadorias com mais eficiência, comerciantes ampliam seus negócios e serviços básicos chegam com mais facilidade às comunidades.
Esse cenário de transformação ganha ainda mais força em histórias como a de dona Maria de Jesus, na comunidade Benção de Deus, às margens da PA-370, a TransUruará. Moradora da região há décadas, ela acompanhou de perto cada etapa dessa mudança. “Antigamente, para sair daqui até Santarém ou Uruará, a gente demorava quase um dia inteiro pela estrada. Muitas vezes, a comunidade preferia ir de barco, mesmo levando mais de três dias de viagem, porque a estrada era muito difícil, cheia de lama e atoleiro. Hoje é diferente. Com o asfalto, em menos de duas horas a gente chega. Isso mudou completamente a nossa vida”, contou.
A mudança vai além do tempo de viagem. Dona Maria destaca que a nova realidade trouxe mais segurança para o transporte escolar, facilitou o acesso a atendimentos de saúde e garantiu melhores condições para o escoamento da produção agrícola. “Agora a gente vive com mais tranquilidade. A estrada boa trouxe desenvolvimento e esperança para todo mundo que mora aqui”, completou.
Assim como em Benção de Deus, histórias como a de dona Maria se repetem em todo o Estado, mostrando que cada obra entregue não é apenas um avanço na infraestrutura, mas um passo concreto na melhoria da qualidade de vida da população. No Pará, o asfalto tem encurtado distâncias, aproximado oportunidades e, principalmente, transformado realidades.