
A Santa Casa é um hospital de referência materno-infantil e conta com equipes multiprofissionais altamente qualificadas e engajadas para oferecer uma assistência humanizada aos pacientes da instituição. Nesta quinta-feira, 07, a instituição ofereceu um momento especial de acolhimento às mães com filhos na UTI Pediátrica Infantil, em que foram oferecidos vários serviços de cuidados estéticos e apresentação musical. Segundo a organização do evento, o objetivo é resgatar a autoestima das mães que estão com seus filhos internados.
Para Any da Silva, dona de casa moradora de Bragança, que está com o filho na UTI há dois meses, essa atenção voltada às mães é muito importante. “A gente que está aqui há muitos meses, não tem nem tempo de se cuidar e é legal quando tem alguém que lembra da gente para fazer essas coisas. Principalmente na área de estética, né? De limpeza de pele, massagem. Um monte de coisa legal, que a gente nem sabe por onde vai, por conta de estar em um hospital. Vou passar o Dia das Mães com meu filho aqui, que está sendo muito bem cuidado”.
Sandra Barbosa, enfermeira da área da UTI Pediátrica, e que está à frente desta ação, diz que é um momento de valorização e humanização às mães das UTIs pediátricas. “É um momento especial para a grande maioria dessas mães, principalmente por serem de outros municípios do Estado. Elas vêm do interior e muitas delas têm outros filhos, que ficam por lá e aqui elas precisam cuidar do filho. E muita das vezes não conseguem ter esse afeto junto aos filhos que estão distantes. Então esse momento que estamos fazendo é uma ação de beleza, de massagem, de maquiagem e música, até para mostrar que a vaidade delas não pode ser esquecida mesmo com tanto sofrimento”, explica.
“Um dia as crianças estão bem, outro dia estão ruins. E essa questão psicológica a gente também tenta trabalhar, porque só mesmo as mães sabem o que passam. Então esse momento que nós fazemos é justamente para fazer com que fique na vida das mães e mostra que a Santa Casa, como instituição, vem valorizando a questão da humanização, do cuidado individualizado. E essa ação de certa maneira reforça o trabalho de voluntários que nos ajudam, até porque a gente também não consegue fazer sozinho. Então os voluntários são fundamentais no apoio desse processo, que resulta em fazer com que as mães realmente se sintam acolhidas pela Santa Casa”, pontua Sandra Barbosa.
Maternidade atípica -Paralelamente a todo esse suporte assistencial, a Santa Casa também busca promover o bem estar emocional e social de mães, tanto na área da assistência de pacientes, como de servidoras da instituição. E uma programação especial foi demonstrada no auditório pelo programa Bem Viver, por meio do projeto Casa Delas, com a celebração pelo Dia das Mães, cuja temática foi: Desafios e Vivências da Maternidade Atípica.
No decorrer da programação foi realizada a palestra Magna: “Maternidade Atípica e os Desafios Invisíveis”, apresentada pela pedagoga e professora universitária Roselene Gonçalves, que fez um apanhado real dos enfrentamentos vividos por uma família, principalmente a mãe, com uma criança autista. “A maternidade atípica impacta na vida da mulher de todas as formas. Quando uma mãe tem uma criança atípica, essa criança atípica traz desafios que são diferentes das outras crianças. Elas necessitam de cuidados específicos e isso significa que a família precisa se reorganizar em todas as áreas, principalmente no tempo”, explica.
“Muitas mulheres param de trabalhar para poder cuidar apenas dos seus filhos e aquelas que não param de trabalhar, elas acabam tendo uma rotina extremamente pesada para poder cuidar dos seus filhos e muitas das vezes a gente não fala sobre isso. Quando eu falo da importância desse espaço aqui é porque essa rede de apoio que essa mulher precisa ter é em todas as áreas, inclusive no âmbito organizacional. E aí quando a gente fala em transtorno do neurodesenvolvimento a gente está falando de um conjunto de condições que se originam no período de desenvolvimento, frequentemente a gente percebe isso muito mais na entrada da vida escolar ou um pouco antes”, pontua Roselene.
Ainda na sua explanação a pedagoga relatou que é fundamental a importância das redes de apoio. “Falar dessa sobrecarga invisível que existe nessa mulher com uma reinvenção constante, que precisa se adaptar às terapias, aos diagnósticos, a necessidade de tempo real, precisa estudar, precisa ter conhecimento, precisa ir atrás. Eu tenho em casa uma biblioteca e uma sessão somente de livros porque eu precisei estudar bastante para compreender o meu filho e para ver como eu poderia ajudá-lo da melhor”, relata a professora Roselene.
Camila Pereira, pedagoga da Santa Casa, reforça o trabalho da Gerência de Desenvolvimento de Pessoas no trabalho do Bem Viver. “Somos a maior maternidade do norte do país, e essa abordagem pela celebração do Dia das Mães tem uma importância tremenda, porque nós lidamos com mães todos os dias e queríamos debater sobre a maternidade atípica, tanto com as servidoras quanto com as mães que vêm, que são nossas usuárias”.
“E dessa vez nós trouxemos uma temática que não é muito debatida, que é muito julgada, inclusive. Então a gente buscou trazer um outro olhar para essa temática. É uma temática nova e é uma temática muito ampla. Hoje, por exemplo, nós temos várias mães aqui com filhos com neurotipicidade muito diferentes. Tanto o TEA, que é o transtorno do espectro autista, quanto o TDAH, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, são muito diferentes. Muitas questões, e aí nós quisemos trazer essa pluralidade de mães falando sobre isso. Cada uma com o seu filho, trazendo essa vivência diferente”, informa Camila.