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’Ciência na Floresta’ fortalece debate sobre bioeconomia inclusiva em ciclo de palestras do Ideflor-Bio

A iniciativa consolida um espaço permanente de diálogo entre ciência, gestão ambiental e sociedade, ampliando o alcance das discussões sobre susten...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Pará
23/04/2026 às 18h03
’Ciência na Floresta’ fortalece debate sobre bioeconomia inclusiva em ciclo de palestras do Ideflor-Bio
Foto: Vinícius Leal (Ascom/Ideflor-Bio)

A valorização do conhecimento científico produzido nas unidades de conservação estaduais da Região Metropolitana de Belém ganhou novo impulso com a segunda edição do “Ciência na Floresta – Ciclo de Palestras”, promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), por meio da Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB). A iniciativa consolida um espaço permanente de diálogo entre ciência, gestão ambiental e sociedade, ampliando o alcance das discussões sobre sustentabilidade na Amazônia.

Nesta edição, realizada na quarta-feira (22), o tema “Bioeconomia inclusiva: pessoas, recursos naturais e sustentabilidade na APA Combu” orientou os debates conduzidos pela professora Flávia Lucas, da Universidade do Estado do Pará (Uepa). A abordagem destacou a necessidade de pensar modelos econômicos que integrem, de forma equilibrada, conservação ambiental, geração de renda e valorização dos saberes tradicionais, especialmente em territórios marcados pela presença de comunidades ribeirinhas e povos originários.

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A palestrante ressaltou que o momento foi marcado pela socialização de ideias com a participação ativa do público, incluindo representantes de comunidades locais, reforçando a importância de incorporar diferentes perspectivas na construção de soluções sustentáveis.

ODS e protagonismo -A professora Flávia Lucas destacou que, em um contexto global orientado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), e com a Amazônia em evidência, é fundamental superar visões reducionistas da bioeconomia. Para ela, o debate deve ir além da exploração de recursos naturais ou da lógica puramente industrial, incorporando os aspectos culturais, sociais e identitários das populações que historicamente manejam esses territórios.

Nesse sentido, Flávia Lucas defendeu que qualquer iniciativa de bioeconomia deve começar pelo reconhecimento das comunidades como protagonistas. “Isso implica compreender suas formas de vida, seus desafios cotidianos e seus sistemas próprios de ცოდhecimento, que envolvem desde técnicas de manejo até a utilização de diferentes partes dos recursos naturais, como folhas, cascas, flores e frutos, sempre em diálogo com o território e a identidade cultural”, enfatizou a especialista.

A pesquisadora também apresentou uma perspectiva estruturada para o desenvolvimento da bioeconomia inclusiva, baseada em etapas que priorizam, inicialmente, o diagnóstico social das comunidades. Em seguida, deve-se mapear os recursos disponíveis e as necessidades locais, para, então, identificar o potencial de cadeias produtivas sustentáveis que respeitem o tempo, os interesses e as escolhas dessas populações, considerando mercados em diferentes escalas.

'Espaços vivos' -O “Ciência na Floresta” surge justamente com o propósito de democratizar o acesso à ciência e conectar instituições de pesquisa, setor produtivo e sociedade civil. Alinhado à Agenda 2030, o projeto dialoga com os ODS 4 e 17, ao promover educação de qualidade e fortalecer parcerias estratégicas. A proposta é transformar o conhecimento técnico em ações concretas, contribuindo para a conservação da biodiversidade e o uso sustentável das unidades de conservação.

Para o gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer, o projeto consolida as unidades de conservação como espaços vivos de produção de conhecimento. “O ‘Ciência na Floresta’ reafirma o papel das nossas Unidades de Conservação como laboratórios naturais a céu aberto. Queremos aproximar pesquisadores, estudantes e comunidades, fortalecendo uma cultura de valorização da ciência aplicada à conservação”, reiterou.

Programação -Com encontros mensais e programação diversificada ao longo do semestre, o ciclo de palestras reafirma o papel das unidades de conservação como espaços de produção de conhecimento e inovação.

A analista ambiental do Ideflor-Bio, Sabrina Campos, que atua na coordenação do ciclo de palestras, ressaltou que, “ao socializar a ciência, ampliamos a capacidade de compreensão e engajamento da sociedade nas pautas ambientais. Esse ciclo é uma oportunidade de transformar informação técnica em aprendizado acessível e em ação prática no território”.

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