
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), está no centro de uma polêmica nacional após afirmar que magistrados podem passar a viver em um “regime de escravidão” diante das restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos chamados “penduricalhos” — benefícios adicionais recebidos por juízes.
A declaração foi feita durante uma sessão da 3ª Turma de Direito Penal do TJPA, no início de abril, e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa. Na ocasião, a magistrada criticou duramente as limitações impostas pelo STF, alegando que a categoria enfrenta insegurança financeira. “Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse.
Com mais de quatro décadas de carreira, Eva do Amaral Coelho ingressou na magistratura em 1985 e atuou em diversas comarcas do Pará, tanto no interior quanto na capital. Ela foi promovida ao cargo de desembargadora em 2020, após uma longa trajetória no Judiciário estadual.
Além da atuação em diferentes varas, a magistrada também participou de julgamentos relevantes ao longo da carreira, incluindo processos ligados a episódios marcantes do estado, como o Massacre de Eldorado dos Carajás.
A declaração ocorre após o STF estabelecer limites para o pagamento de benefícios extras no Judiciário. As novas regras restringem os chamados “penduricalhos”, determinando um teto para essas verbas, o que impacta diretamente a remuneração de magistrados.
Durante a sessão, a desembargadora também afirmou que colegas estariam enfrentando dificuldades financeiras, mencionando situações como cancelamento de consultas médicas e preocupação com despesas básicas.
Dados públicos mostram que, mesmo com as críticas, a desembargadora recebeu valores elevados nos últimos meses. Em março de 2026, por exemplo, o salário líquido chegou a cerca de R$ 91 mil, acima do teto constitucional do funcionalismo.
A fala gerou forte reação nas redes sociais e entre especialistas, reacendendo o debate sobre os privilégios no Judiciário brasileiro e a necessidade de controle sobre os chamados “penduricalhos”.
O episódio evidencia a tensão entre magistrados e decisões recentes do STF, além de colocar em pauta discussões sobre remuneração, transparência e percepção pública da Justiça no país.
Até o momento, o Tribunal de Justiça do Pará não se manifestou oficialmente sobre a repercussão das declarações, e o tema continua sendo acompanhado de perto por autoridades e pela opinião pública.