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PF desarticula esquema bilionário e prende dono da Choquei, MC Ryan SP e MC Poze do Rodo

Operação revela uso de redes sociais, música e empresas de fachada para lavar mais de R$ 1,6 bilhão e expõe nova face do crime organizado no Brasil

Redação
Por: Redação
15/04/2026 às 17h07
PF desarticula esquema bilionário e prende dono da Choquei, MC Ryan SP e MC Poze do Rodo
Foto: Divulgação

Uma megaoperação da Polícia Federal sacudiu o país nesta quarta-feira (15) ao atingir em cheio o universo do entretenimento digital e do funk. A ofensiva, batizada de Operação Narco Fluxo, resultou na prisão de nomes conhecidos do grande público, incluindo os artistas MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do influenciador Raphael Sousa Oliveira, responsável pela popular página Choquei.

De acordo com os investigadores, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa responsável por movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em apenas dois anos, utilizando estruturas sofisticadas para ocultar a origem ilícita dos recursos.

As apurações da Polícia Federal indicam que o esquema operava com alto nível de organização e planejamento, combinando elementos do mercado formal com práticas ilegais.

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O funcionamento envolvia:

  • realização de shows e eventos com indícios de superfaturamento;
  • uso de plataformas digitais para circulação de dinheiro;
  • contratos publicitários e campanhas como fachada;
  • empresas de fachada registradas em nome de terceiros;
  • movimentações financeiras fragmentadas para dificultar o rastreamento.

A lógica era simples, mas eficaz: transformar dinheiro de origem criminosa em receitas aparentemente legítimas, aproveitando a visibilidade e o alcance de artistas e influenciadores.

 

Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi o uso estratégico das redes sociais. A página Choquei, que acumula milhões de seguidores, aparece no centro das investigações como possível peça dentro da engrenagem financeira.

Segundo a PF, a atuação digital teria servido para:

  • impulsionar campanhas com origem suspeita;
  • gerar receitas publicitárias de difícil rastreamento;
  • dar aparência de legalidade a movimentações milionárias;
  • ampliar o alcance de operações financeiras disfarçadas de marketing.

O caso acende um alerta sobre o poder econômico das redes sociais e a dificuldade de fiscalização em ambientes digitais altamente monetizados.

 

As investigações também apontam possíveis ligações do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do país.

De acordo com a PF, operadores financeiros ligados à facção teriam atuado diretamente na estruturação do esquema, incluindo:

  • financiamento de carreiras artísticas;
  • lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas;
  • uso de rifas ilegais e apostas clandestinas;
  • intermediação de grandes transações em dinheiro vivo.

Caso confirmadas, essas conexões reforçam uma tendência preocupante: a infiltração do crime organizado em setores culturais e digitais.

 

A Operação Narco Fluxo foi executada simultaneamente em diversos estados brasileiros e no Distrito Federal, mobilizando mais de 200 agentes.

Durante a ação, foram cumpridos:

  • mandados de prisão preventiva;
  • mandados de busca e apreensão;
  • bloqueios de contas bancárias;
  • sequestro de bens de alto valor.

As prisões ocorreram em diferentes cidades:

  • MC Poze do Rodo foi detido no Rio de Janeiro;
  • MC Ryan SP foi preso em São Paulo;
  • Raphael Sousa Oliveira foi capturado em Goiânia.

 

A operação também revelou um padrão de vida elevado mantido pelos investigados. Entre os bens apreendidos estão:

  • carros de luxo, como Porsche e BMW;
  • joias e relógios de alto valor;
  • grandes quantias em dinheiro vivo;
  • dispositivos eletrônicos e documentos.

Somente os veículos apreendidos estão avaliados em cerca de R$ 20 milhões, segundo estimativas iniciais.

 

Os envolvidos poderão responder por uma série de crimes graves, incluindo:

  • lavagem de dinheiro;
  • associação criminosa;
  • evasão de divisas;
  • possível envolvimento com organização criminosa.

As penas, somadas, podem ultrapassar décadas de prisão, dependendo do avanço das investigações e das decisões judiciais.

 

As defesas dos investigados reagiram rapidamente.

Os advogados de Raphael Sousa Oliveira afirmam que ele atua legalmente no mercado publicitário digital e nega qualquer irregularidade.

Já as equipes jurídicas de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo sustentam que as atividades financeiras dos artistas são lícitas e baseadas em contratos formais de shows e publicidade.

A operação evidencia uma mudança significativa na forma de atuação do crime organizado no país.

Se antes as atividades ilegais estavam concentradas em setores tradicionais, agora há uma clara migração para áreas de grande visibilidade e circulação de dinheiro, como:

  • entretenimento musical;
  • marketing digital;
  • produção de conteúdo online;
  • influência nas redes sociais.

Esse novo modelo mistura fama, dinheiro e ilegalidade, tornando o combate ainda mais complexo para as autoridades.

O caso teve forte repercussão nacional e domina o debate público, principalmente pelo envolvimento de figuras populares entre jovens e usuários de redes sociais.

A Polícia Federal não descarta novas fases da operação, com possibilidade de mais prisões e aprofundamento das investigações.

Enquanto isso, o caso levanta questionamentos importantes:

  • até que ponto o ambiente digital pode ser monitorado de forma eficaz?
  • qual a responsabilidade de influenciadores sobre o dinheiro que movimentam?
  • como separar sucesso legítimo de estruturas financeiras suspeitas?

A Operação Narco Fluxo pode ser apenas o começo de uma série de ações que devem atingir, cada vez mais, a interseção entre internet, cultura e crime organizado no Brasil.

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