
Na manhã desta quinta-feira, 9, a Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac) realizou mais uma capacitação por meio do Programa Educar para Incluir, que tem como objetivo combater o bullying e o capacitismo nas escolas de Belém. Desta vez, a equipe realizouformação para pais e responsáveis do Colégio São Paulo, e também garantiu cadastros para aemissão de carteiras de identidade para pessoas com deficiência (IDPcD).

De acordo com Larissa Lima, coordenadora do programa, é necessário falar sobre o tema não apenas com estudantes, mas também com os adultos responsáveis pela formação dessas crianças e adolescentes.
“Os familiares, os professores, são eles que formam essas crianças, esses adolescentes. A gente sabe que a educação não é só na escola, ela começa em casa também. Então a gente precisa atingir todas as pessoas para que essas informações não fiquem só nos alunos, e para que tanto a escola quanto as famílias falem a mesma língua”, afirmou.

Larissa conduziu a capacitação e falou da importância dos pais e educadores incentivarem as crianças a falarem quando sofrerem ou presenciarem uma situação de bullying ou capacitismo. Além disso, destacou que muitas vezes o comportamento dos estudantes reflete os ambientes em que vive. “Ninguém nasce sendo preconceituoso ou excluindo os outros. Tudo o que uma criança faz, é porque ela viu ou ouviu alguém fazer“, explicou a coordenadora.
A programação celebra o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, que transcorre em 7 de abril. A diretora pedagógica do colégio, irmã Cilene de Paula, ressaltou o papel da escola nesse processo de combate ao preconceito e de respeito às diferenças.
“Nós sabemos que em todos os ambientes acontece tanto bullying como capacitismo. Mas sabemos também que, no ambiente escolar, isso acontece de uma forma mais frequente. Então trazemos essas programações porque o nosso objetivo é formar pessoas e cidadãos de uma forma integral”, frisou.

Áurea Madeira é mãe de três alunos no colégio: Agnes, de 8 anos; Bento, de 6; e Betina, de 2. Ela conta que sua preocupação é por dois motivos: teme tanto que os filhos sofram algum tipo de violência, como também que venham a praticar algum ato de bullying ou capacitismo. “É um cuidado de mão dupla”, afirma.
A mãe também destacou a necessidade de discutir os temas dentro de casa e na escola. “Isso é algo que hoje em dia é muito discutido, discutido porque é visto com muita frequência. A gente vê situações na televisão, na vizinhança, na nossa própria casa, situações que nos chamam a atenção pela forma como ocorrem, e que causam mal estar nas crianças. Entãoé muito importante falar sobre isso em casa e na escola, considerando que a escola é uma extensão da nossa casa”, comenta.

Desde o seu lançamento, em janeiro, até agora,o Educar para Incluir já esteve em 21 escolas de Belém, tanto públicas como privadas. Por onde passa, o programa busca conscientizar alunos, professores, pais e responsáveis sobre a gravidade dessas práticas e a importância de combatê-las.
A coordenadora Larissa Lima conta que o programa já ultrapassou a meta esperada até o fim deste semestre. “Já alcançamos mais de 2.700 pessoas, é muito mais do que a gente esperava. Agora, no mês de abril, a gente tem tido o retorno das escolas depois das capacitações realizadas: eles estão fazendo ações de combate ao bullying, de combate ao capacitismo, caminhadas, palestras, formações. Então os impactos do programa só têm sido positivos”, afirma.
A Semiac realiza as formações e depois acompanha as escolaspara saber que atividades realizaram, se precisam de alguma mediação, se necessitam de uma nova formação. Foi o caso do Colégio São Paulo: em janeiro, foi realizada lá uma ação do Educar para Incluir com os estudantes. Desta vez, o público-alvo eram os pais e responsáveis.

Além disso, no fim deste semestre todas as escolas vão entregar para a Secretaria uma ficha de monitoramento de casos e de ações, e as informações repassadas servirão de base para a elaboração de políticas públicas nesse tema. “No fim do semestre, a gente vai saber quantos casos de bullying, quantos casos de capacitismo, quantas ações eles fizeram no período”, explica Larissa.
As escolas interessadas em receber a capacitação do programa Educar para Incluir podem se inscrever por meio do formulário disponível aqui .
Leia mais:
Prefeitura de Belém promove castração gratuita de gatos
Justiça mantém suspensão de liminar e leis seguem com efeitos válidos