
O Grupo teatral Cena Aberta realiza oficina de formação e montagem da peça “O Médico à Força”, baseada no texto do francês Molière, no Teatro do Curro Velho, no bairro do Telégrafo, em Belém. A atividade resulta de projeto premiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e o espetáculo será apresentado, nesta sexta-feira, 10, às 19h, com apresentação aberta ao público.
Fundado em 1976 por Luiz Otávio Barata, Margaret Refkalefsky, Walter Bandeira e Zélia Amador de Deus, o Cena Aberta iniciou as atividades com uma montagem baseada no livro “Quarto de empregada” de Carolina Maria de Jesus. Entre 1976 e 1991, o coletivo produziu 23 espetáculos que pautaram temas como censura, tortura, conflitos agrários e questões de gênero. Após esse perído, houve um hiato de mais de 30 anos sem produção do grupo.
A produção do grupo foi caracterizada pelo vanguardismo estético e político, o que atraiu diversas pesquisas de mestrado e doutorado. Desde 1992, Refkalefsky e Cezar Machado mantêm o acervo documental do grupo, que resultou em um livro e em uma exposição itinerante realizada em 2024 por espaços como os Teatros Nazareno Tourinho e Waldemar Henrique. O atual projeto de formação marca o processo de retorno do grupo à cena teatral com uma nova produção.
O enredo de “O médico à força”, farsa escrita pelo francês Molière em 1666, acompanha as peripécias de um lenhador que, após uma disputa doméstica, é alvo de uma vingança de sua esposa. Ela convence terceiros de que o marido é um médico brilhante, mas que só admite sua profissão após ser agredido fisicamente. A trama se desenvolve a partir da farsa do protagonista, que passa a atender pacientes e realizar diagnósticos improvisados para manter o disfarce e evitar a punição.
A oficina atual foca na preparação técnica e na estruturação dos elementos cênicos. "O que a gente está querendo com essa proposta e oficina é tentar reativar o Cena Aberta, já que vieram várias pessoas que conhecem a história do grupo por causa da própria Escola de Teatro e Dança da UFPA", comenta a diretora da peça, Margaret Refkalefsky, referindo-se à própria contribuição da ETDUFPA à formação teatral no Pará.
Margaret também observou que o projeto, premiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), propôs a montagem para trabalhar cenografia, figurino e texto.
Maurício Panzera, técnico em gestão cultural da FCP, coordena a preparação vocal e a sonoplastia da montagem, e explica que o trabalho envolveu o desenvolvimento de técnicas de expressão vocal, abrangendo afinação, timbre e volume. A parceria também resultou na criação de uma trilha sonora específica para a obra de Molière. "A ideia foi pegar trechos da peça e transformar em canção para pontuar momentos da peça, e também foram compostas músicas junto com os atores", detalha Panzera. O repertório inclui canções originais criadas a partir de fragmentos do texto clássico de 1666.
A diretora do Curro Velho, Celeste Iglesias, afirma que o Curro Velho também tem a função de acolher a comunidade e oferecer suporte para o desenvolvimento de atividades artísticas. "Esse serviço que o Curro Velho presta de oferecer o espaço é fundamental para o movimento da cadeia da arte, dos vários segmentos que temos, e faz parte da nossa missão", ressalta a diretora.
A ocupação do Teatro do Curro Velho pelo grupo reforça o papel da Fundação Cultural do Pará na manutenção de espaços adequados para a produção artística local. Nesse sentido, a cessão do local permitiu a continuidade do trabalho de um coletivo que participou e participa ativamente da história do teatro paraense e da criação de outros equipamentos culturais do estado.
A FCP atua como o principal órgão responsável pela execução das políticas públicas de cultura, garantindo que grupos históricos e novos produtores encontrem suporte logístico e técnico para o desenvolvimento de suas linguagens. Acompanhe as ações da FCP pelo nosso site (fcp.pa.gov.br) e nossa rede social (instagram.com/fundacaoculturalpa).
Serviço:
Espetáculo: “O Médico à Força”, de Molière
Data: Sexta-feira, 10 de abril
Horário: 19h
Local: Teatro do Curro Velho (Rua Professor Nelson Ribeiro, 287 - Telégrafo)
Entrada: Aberta ao público