
O governo do Pará, por meio do 11º Centro Regional de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), deu início, nesta terça-feira (7), em Marabá, ao 1º Seminário Alusivo ao Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose. O evento, realizado no auditório da Faculdade Anhanguera, reúne gestores, profissionais de saúde e estudantes de 21 municípios da região Sudeste, para alinhar estratégias de enfrentamento e vigilância epidemiológica.
A iniciativa faz parte da estratégia da Sespa de descentralizar as ações de saúde, levando a discussão técnica e o suporte do Estado para fora da Região Metropolitana de Belém. "O evento vem discutir a questão da tuberculose em todo o Pará. É o segundo ano em que saímos do centro para promover essa discussão nos municípios, alcançando diferentes segmentos da sociedade para tratar sobre saúde pública", destacou a coordenadora estadual do Programa de Controle da Tuberculose, Maria Isabel de Souza Melo.
Cenário Epidemiológico e Desafios -Durante o seminário, foram apresentados dados atualizados sobre a incidência da doença. O Ministério da Saúde aponta que, em 2025, o Brasil registrou 84.368 casos, com maior prevalência na região Norte. No Pará, os municípios de Marabá e Parauapebas concentram o maior volume de notificações no Sudeste do Estado, em virtude da densidade populacional.
A enfermeira Ana Raquel Santos Miranda, responsável pela Vigilância em Saúde no 11º Centro Regional de Saúde, reforçou que o seminário busca dar visibilidade à doença, muitas vezes negligenciada. "Mobilizamos não apenas os técnicos, mas a sociedade civil. A tuberculose é uma doença que atinge populações em situação de vulnerabilidade e precisamos quebrar o estigma. O diagnóstico rápido é a chave para o sucesso do tratamento, que é 100% eficaz e oferecido gratuitamente pelo SUS", afirmou.
Diagnóstico e Tratamento -Os especialistas alertaram para a importância de identificar os "sintomáticos respiratórios" (pessoas com tosse persistente há mais de três semanas, cansaço e perda de peso). Um dos principais pontos abordados foi a adesão ao tratamento: sabe-se que após 15 dias de medicação adequada, o paciente deixa de transmitir a bactéria., lembrando que o abandono ou o tratamento irregular pode levar à tuberculose resistente, dificultando a recuperação do paciente.
Participante -Para a coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Canaã dos Carajás, Ana Caroline Rodrigues Borges, a capacitação é fundamental para a integração regional. "É um evento que fortalece o enfrentamento de uma doença que continua atingindo nossos municípios. Estar aqui representa a união de esforços em nível estadual", pontuou.
Reconhecimento -A abertura do seminário foi marcada por um momento de homenagem à enfermeira Terezinha Carneiro, que coordenou o combate à tuberculose na Regional de Saúde por mais de duas décadas. Sua dedicação ao serviço público foi reconhecida com a entrega de uma placa de agradecimento à sua filha, a também enfermeira Ádila Barros.
Serviço:
O tratamento da tuberculose está disponível em todas as unidades de saúde do Estado. Em caso de tosse por mais de três semanas, procure a unidade de saúde mais próxima de sua residência.
Texto: Emilly Coelho/Secom