
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, recebeu, nesta quinta-feira, 26, no Parque de Bioeconomia, no complexo Porto Futuro II, em Belém, a comitiva do World Resources Institute (Instituto de Recursos Mundiais) África para uma agenda voltada à apresentação de experiências e estratégias de economias florestais lideradas por comunidades locais.
Camille Bemerguy, secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, entende a sociobioeconomia como parte de uma estrategia de uma política de Estado. “Ela é estratégica para o desenvolvimento econômico do Pará, sendo entendida como a economia do passado, do presente e, principalmente, do futuro.”, afirma.
A agenda integrou representantes internacionais, pesquisadores, autoridades governamentais e especialistas em bioeconomia, com o objetivo de apresentar o Plano Estadual de Bioeconomia do Pará, com foco na sociobioeconomia como estratégia para desenvolvimento socioeconômico e ambiental.
O encontro também fortaleceu a troca de experiências entre o Pará e representantes de países africanos. A comitiva visitou as iniciativas de referência em inovação, manejo sustentável e desenvolvimento territorial, que mostram o papel da Amazônia como protagonista global na transição para uma economia de baixo carbono.
Marcelo Behar, o enviado especial da bioeconomia da COP30, (30ª Conferência Mundial sobre Mudanças do Clima), realizada em novembro de 2025, em Belém, enfatizou a relevância do encontro para a articulação entre diferentes biomas e territórios estratégicos. “Para mim, é um prazer estar aqui hoje junto com essa visita que traz ao Parque da Bioeconomia países africanos, países da Bacia do Bornel. São os três maiores reservatórios de carbono do mundo e onde as florestas têm a maior capacidade de trazer recursos à economia, reduzir emissões e trazer natureza de volta”, afirmou Behar.
Behar reforçou ainda o papel do Pará como articulador de um novo modelo global. “Esse processo todo é uma articulação global. É muito importante trazer para cá o Sul Global para entender o que é o Parque de Bioeconomia, para fazer com que esta experiência piloto seja a primeira de centenas que precisam surgir pelo mundo para garantir essa comunicação entre comunidades tradicionais, natureza, emissões, ciências e finanças”, concluiu.
Camille Bemerguy destacou o papel do Estado como laboratório vivo de inovação e inclusão social. “O Estado trabalha para que essa agenda seja sustentável, e também inclusiva e justa, capaz de transformar a base da economia nos diferentes territórios, de forma integrada e não fragmentada”., destacou.
Wanjira Mathai, diretora-geral para África e Parcerias Globais da WRI África, observou a importância da cooperação internacional e do protagonismo das comunidades locais na conservação das florestas e no desenvolvimento de economias sustentáveis.
"A economia florestal liderada pela comunidade é um movimento de pessoas que compreendem que na interseção entre a proteção florestal e o bem-estar reside a bioeconomia social. Ela não precisa ser global; ela é regional, é local, mas o que sabemos com certeza é que ela é liderada pela comunidade.", completou.
A diretora também ressaltou a necessidade de estruturar cadeias produtivas da bioeconomia. “Independentemente da abundância de produtos da Amazônia, do Congo ou do Sudeste Asiático, eles devem ser estruturados e organizados. Os setores só são viáveis quando fundamentados. Precisamos de engajamento político e incentivos que impulsionem produtos como o mel ou o tucumã.”
Por fim, ela destacou o papel da governança e das parcerias. “A governança é fundamental: como as comunidades se estruturam e se relacionam com os governos locais e regionais. O movimento busca uma parceria genuína entre organizações globais e comunidades locais; sabemos que não podemos fazer isso sozinhos.”
Fortalecimento das relações
A programação foi encerrada no Porto Futuro I, onde Wanjira realizou o plantio simbólico de uma muda de ipê-rosa, gesto que simboliza o fortalecimento das relações internacionais e o compromisso conjunto com a preservação das florestas e a construção de uma economia mais justa e resiliente.