
Profissionais da Atenção Primária em Saúde (APS) participaram, nesta quinta-feira (26), em Belém, de um curso de capacitação sobre doenças hepáticas crônicas, realizado no auditório da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e instituições nacionais de referência.
O curso integra a programação prévia do Fórum Amazônico de Doença Esteatótica Metabólica (MALSD 2026), promovido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Hepatologia na Amazônia (NEPHA) e pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), com apoio da Sespa, do Ministério da Saúde e da Santa Casa.
A iniciativa teve como objetivo qualificar os profissionais da APS para a identificação precoce de pessoas com risco elevado de progressão para fibrose hepática avançada, cirrose descompensada e carcinoma hepatocelular. Essas condições podem se desenvolver a partir da esteatose hepática, frequentemente associada à obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemias e hipertensão.
De acordo com a médica Rosângela Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a doença hepática costuma evoluir de forma silenciosa, o que contribui para diagnósticos tardios. “Os pacientes têm chegado aos serviços de saúde com quadros avançados, o que reforça a importância do diagnóstico precoce na Atenção Primária”, destacou.
A especialista ressaltou ainda que, embora tenha havido avanços no controle das hepatites virais B e C, fatores como o aumento do consumo de álcool, da obesidade e do diabetes têm impulsionado o crescimento das doenças hepáticas no país. “Os profissionais da APS, por estarem mais próximos da população, têm papel fundamental na identificação de fatores de risco, na prevenção e no encaminhamento adequado para tratamento”, afirmou.
Ação em comunidades
Como desdobramento da programação, nesta sexta-feira (27), será iniciado o Projeto Ver-o-Peso, com atendimentos na ilha de Cotijuba, em Belém. A ação vai realizar exames para identificar casos de esteatose hepática, incluindo elastografia com equipamento portátil, tecnologia utilizada de forma inédita fora da estrutura hospitalar.
A programação inclui ainda testes rápidos para hepatites virais B e C, HIV e sífilis, aferição de glicemia e pressão arterial, avaliação do índice de massa corporal (IMC) e encaminhamento para tratamento dos casos identificados.
Na segunda-feira (30), a ação será levada ao município de Soure, no arquipélago do Marajó, ampliando o acesso a diagnóstico e orientação em saúde para populações ribeirinhas.
Programação científica
O Fórum Amazônico de Doença Esteatótica Metabólica (MALSD 2026) será realizado neste sábado (28), no Hangar, Centro de Convenções da Amazônia, em Belém, reunindo especialistas para discutir os desafios das doenças metabólicas no contexto amazônico.
Entre os temas abordados estão a realidade brasileira da doença hepática esteatótica, as políticas públicas voltadas às hepatites virais e as perspectivas globais da enfermidade.
A Sespa esteve representada na capacitação pela diretora do Departamento de Controle de Doenças Transmissíveis, Rosicleia Ferreira, e pela coordenadora estadual de Hepatites Virais, Caroline Figueiredo.