
A edição deste ano do relatório de “Previsão de Safra de Cacau no Estado do Pará”, de responsabilidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), com a interveniência técnica da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), confirma a soberania do Pará na produção de cacau. Além de liderar nacionalmente – são 141.452 toneladas -, o Estado está entre os locais do mundo com maior produtividade média do cacau. Segundo o relatório, são quase 900 kg por hectare, superando tanto a média nacional - de 483 kg/ha, quanto a do continente africano, maior produtor global, com média de 500 kg/ha.
A produtividade é a relação entre o volume de produtos ou serviços gerados e os recursos utilizados, como o tempo gasto bem como os recursos financeiros. A dedicação do produtor em fazer os tratos culturais corretos e a poda na hora certa, controle das pragas (dos insetos aos fungos), ter o aproveitamento quase máximo da sua colheita estão entre os pontos apontados pelo relatório como responsáveis por essa produtividade excepcional, segundo o estudo.
Em três municípios - Placas, Brasil Novo e Uruará (localizados na Região de Integração do Xingu, também conhecida como região da Transamazônica em função da influência exercida pela rodovia BR-230) - a produtividade superou os mil kg por hectare, segundo revela o trabalho conjunto da Sedap e Ceplac.
Colhendo os frutos do trabalho - O produtor do município de Uruará, Gilmar Souza, é um exemplo de cacauicultor que literalmente colhe o que plantou. Medalha de Ouro noCacao of Excellence2025, um dos principais prêmios mundiais de qualidade de amêndoas de cacau, realizado em Amsterdã, na Holanda, em fevereiro deste ano, ele revela que a relação com o cacau começou cedo, ainda criança, quando ajudava o pai na lavoura.
“Com o passar do tempo, a gente pegou experiência. É uma cultura apaixonante, que envolve muito trabalho e amor, dedicação; hoje temos uma amêndoa premiada como a melhor do mundo. Mas, para chegar aqui houve muito trabalho e dedicação, fomos pioneiros na região a trabalhar com o cacau enxertado e graças a Deus conseguimos ter bons resultados tanto em produtividade quanto em qualidade. Hoje, a gente colhe o fruto de todo o trabalho que tivemos desde cedo”, relata.
O titular da Sedap, Giovanni Queiroz, ressaltou, também, o profissionalismo e a dedicação dos produtores paraenses, em especial os agricultores familiares, e o impacto que as práticas em consonância com o meio ambiente apresentam ao cacau do Pará. "Hoje nós temos muito o que comemorar. O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil e um dos melhores do mundo. A nossa amêndoa tem sido premiada frequentemente. Mas, é o nosso pequeno produtor, que trabalha com a cultura do cacau, quem merece nossos aplausos. Ele ajuda a alavancar a economia do nosso Estado", ressaltou.
Diagnóstico e liderança -Financiado pelo Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau), o projeto de previsão de safra tem como missão principal, manter e dar continuidade as estatísticas estaduais da produção de cacau.
Além da produção e da produtividade do cacau, o estudo detalha quais os municípios e regiões de integração que mais produzem cacau, a produtividade média, os resultados de controle de pragas que ocorre nas propriedades, os gargalos que a cacauicultura ainda enfrenta no Estado, as perdas relacionadas ao ataque de insetos, especialmente o microácaro e, aquelas perdas relacionadas com o ataque da podridão parda e quais as recomendações da Ceplac e do Estado para aprimorar e equacionar as barreiras levantadas no estudo. A influência climática na produção e a orientação às diversas instituições que prestam assistência técnica no campo, no que diz respeito a poda dos cacaueiros, também constam no estudo.
O relatório aponta que o Estado do Pará está hoje com uma área em produção de, aproximadamente, 173.191 hectares (de um total de 234.752 hectares plantados). Os municípios situados na Transamazônica são os maiores produtores de cacau, entre eles estão Medicilândia (com 37.564 toneladas), Uruará (21.426 toneladas), Placas (17.052 toneladas), Brasil Novo (10.818 toneladas) e Novo Repartimento (8.855 toneladas). Municípios como Tucumã, na RI do Araguaia (6.172 toneladas) e Tomé-Açu, na RI do Rio Capim (4.166 toneladas) também estão entre os dez maiores produtores do Estado.
O relatório mostra, ainda, que a representatividade na produção de cacau no Estado do Pará tem a sua prevalência na região da Transamazônica (86,3% da produção), seguida pelo Sudeste paraense (7,2%), Nordeste paraense (3,8%), Ilhas (1,9%) e Oeste paraense (0,8%).
As informações contidas no relatório serão importantes para a tomada de decisões e planejamento pelos órgãos do Governo do Estado que atuam no segmento cacaueiro, como observou o coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Cacauicultura no Pará (Procacau), Ivaldo Santana, engenheiro agrônomo da Sedap. “Nós temos os nossos números e são dados concretos e abalizados por uma instituição competente que faz esse trabalho em parceria com a Sedap, que é a Ceplac. Todas essas informações são importantes para a tomada de decisões dentro da cadeia produtiva do cacau, não só pelo governo como também à iniciativa privada que recebe esse relatório e pode se pautar por ele”, ressalta.
Amostras representativas - O levantamento dos dados inseridos no relatório de previsão de safra é feito nos principais municípios produtores de cacau, ou seja, 86,5% da produção de cacau estão dentro do relatório, conforme explicou Santana.
“Os municípios que não entram nesse estudo da Sedap e Ceplac são os que produzem pouco e o resultado não influencia de maneira impactante no resultado dos números que a gente obteve no relatório, representam, apenas, 2,9% da produção total do estado do Pará. Trabalhamos nos principais municípios produtores e os resultados nos apresentam um retrato da produção de cacau no Pará”, detalha o coordenador.
A Ceplac operacionaliza a parte técnica que envolveu a contagem dos frutos no campo, análise estatísticas e emissão do relatório nos 11 municípios do Estado visitados e que representam 86% da produção do Estado, segundo especificou o engenheiro agrônomo Fernando Mendes, que é o responsável da Ceplac pelo relatório e quem fez a entrega oficial ao Procacau da Sedap.
“Esses municípios são altamente representantivos. Foram aferidas 55 propriedades que nos dão 275 pontos amostrais. Essa metodologia inclui a extratificação das áreas por tempo ou por idade da plantação porque são produtividades médias diferentes”, destacou.
Para capturar o ponto de produção, segundo detalhou Mendes, durante três vezes por ano é feito a contagem dos frutos na última semana dos meses de março, julho e outubro respectivamente. “Nós contamos aí uma média de 13.500 frutos, desses, um pouco mais da metade (60%) estavam todos bons e desses, nosso fazemos a aferição ou a contabilidade estatística em cima daqueles que nós temos 100% de certeza que irão chegar à produção”, explica.
Relatório de Previsão de Safra de Cacau no Pará
Confira alguns resultados apontados
# Produção de cacau em 2025– 141. 452 toneladas
# Os cinco maiores produtores- Medicilândia (com 37.564 toneladas), Uruará (21.426 toneladas), Placas (17.052 toneladas), Brasil Novo (10.818 toneladas) e Novo Repartimento (8.855 toneladas).
Área em produção- aproximadamente, 173.191 hectares
Produtividade média- 814 kg por hectare
Representatividade na produção de cacau por região:Transamazônica (86,3% da produção), Sudeste Paraense (7,2%), Nordeste Paraense (3,8%),Região das Ilhas (1,9%) e Oeste Paraense (0,8%).
Serviço:O Relatório Anual da Safra de Cacau no Estado do Pará pode ser acessado por meio do site www.sedap.pa.gov.br .