
Mais de 60 famílias do Quilombo Canta Galo, localizado no município de São Miguel do Guamá, nordeste paraense, foram beneficiadas com a entrega do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), nesta quarta-feira (25). A ação faz parte de uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater-Pará).
“Eu sou da Comunidade Pirucaia, aqui próximo, e receber o CAF é maravilhoso demais. Com o documento agora em mãos, um documento muito importante para nós, poderemos ser vistos e inseridos na sociedade e reconhecidos como agricultores quilombolas. Ainda não tenho ideia se vou procurar buscar algum financiamento, mas provavelmente vou”, disse Mariele Silva, quilombola e produtora de açaí e mandioca.
Assim como Mariele, a produtora quilombola, Odilene Soares de Belém, acredita que ações como essa as inserem dentro de uma série de possibilidades para acessar políticas públicas voltadas ao setor da agricultura familiar, especialmente, para o povo tradicional quilombola.
“A gente estava esperando há muito tempo receber o CAF, porque através dele a gente vai conseguir muitas coisas, correr atrás dos nossos direitos que a gente tem. E correr atrás também de salário-maternidade, que ele vai servir para a gente. É uma coisa muito boa para a gente, que nós somos quilombolas e a gente não tem muita possibilidade de conseguir as coisas assim, como qualquer outro agricultor”, ressaltou.
Partindo desse princípio, desde 2023, a Emater-Pará se comprometeu em reforçar o compromisso de levar políticas públicas para mulheres rurais, quilombolas, indígenas, povos de matriz africana e demais grupos historicamente excluídos, através da Política de Interesse de Direitos Difusos e Coletivos, criada pela Portaria nº 0456/2023, referência para outras instituições de assistência técnica no País.
O presidente do Quilombo Canta Galo, Ailton Moraes, enfatizou a importância do Governo do Pará levar políticas públicas para dentro dos territórios, mesmo que localizados em regiões afastadas do centro urbano dos municípios.
“Foi um momento muito maravilhoso para a nossa comunidade quilombola do Canta Galo. E hoje nós estamos realizando a tão sonhada CAF do agricultor, que hoje é a identidade do agricultor. Então, para nós hoje, esse documento é muito importante, de suma importância para nós, porque vai dar acesso a outras políticas públicas, vai dar acesso a vários benefícios que traz para nós. Então, hoje estou muito agraciado por tudo que aconteceu, por terem atendido o nosso pedido, terem vindo até nós e realizar esse sonho para o nosso povo”, comemorou.
Para o presidente da Emater-Pará, Joniel Abreu, a ação faz parte da missão da empresa de ater pública, de levar acesso a políticas públicas para dentro das comunidades, em todos os 144 municípios paraenses.
“Essas populações tradicionais possuem um conhecimento ancestral, são historicamente excluídas e a Emater reafirma esse compromisso de levar essas políticas específicas deles, para garantir a redução da pobreza, com segurança alimentar, sempre respeitando suas especificidades. O CAF não é qualquer documento, mas sim, equivale a um documento de identidade do agricultor e com isso, eles podem viabilizar projetos futuros e buscar financiamentos para suas produções”, concluiu.
Participaram da ação equipes dos Escritórios Locais da Emater de São Miguel do Guamá, Inhanpapi, Castanhal e Belém.