
O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá completou 15 anos de operação no Pará, ultrapassando o tempo médio de amadurecimento, que é de 10 anos, para esse modelo de ambiente de inovação. Em todo o país, os parques tecnológicos em operação são jovens, com uma média de idade de 13 anos.
Por serem empreendimentos complexos, apresentam resultados a longo prazo, conforme são mantidas as políticas de valorização e os investimentos nesses ambientes. É o que aponta o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O ecossistema é um compromisso do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet). “Para os próximos anos, a expectativa é ampliar as iniciativas de apoio à inovação, fortalecer a conexão entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo, além de atrair novos investimentos e empreendimentos tecnológicos, consolidando o parque como um polo estratégico para o desenvolvimento científico e econômico da Amazônia”, destacou Victor Dias, titular da Sectet.
No presente e também no futuro, o PCT Guamá seguirá conectando governo, universidades e empresas em prol da inovação. O complexo tem a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), possui atualmente mais de 60 empresas em conexão, 14 laboratórios com prestação de serviços e pesquisas, e reúne, em média, 400 pesquisadores, garantindo uma base científica e tecnológica relevante.
“Nosso objetivo é investir em laboratórios de ponta que atendam às especificidades da nossa região, garantindo que a tecnologia de última geração esteja a serviço da biodiversidade amazônica. A universidade espera que esse ecossistema seja pioneiro no aprimoramento do uso da Inteligência Artificial. Queremos que a IA seja uma ferramenta de potencialização da nossa produção científica, trazendo agilidade e novas perspectivas para soluções locais”, enfatiza Gilmar Pereira da Silva, reitor da UFPA.
Inovação integrada e internacionalização
Para os próximos anos, o PCT Guamá tem desafios e intenções estratégicas para o fortalecimento de suas atividades. Renato Francês, diretor técnico da Fundação Guamá, Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) responsável pela gestão do parque, explica que o complexo nasceu com um viés fortemente tecnológico e deverá avançar para ações mais integradas, olhando a inovação como um processo mais amplo, com impacto em todas as áreas do conhecimento humano.
A aprovação no edital Naturezas Quilombolas, do BNDES, é um exemplo de atividade integrada. A estrutura do parque e a Fundação Guamá foram selecionadas na iniciativa de impacto socioambiental. “A gente reuniu as ciências sociais aplicadas, as humanidades e as tecnológicas em um grande consórcio com a sociedade civil, organizações representativas dos territórios, universidades e secretarias de cinco Estados da Região. Propusemos o que pode vir a ser o maior financiamento que o parque já teve. Essa articulação em busca da sustentabilidade da Amazônia requer essa multiplicidade de atores. A forma mais bem acabada do que é ciência, tecnologia e inovação é esse conjunto de atores diversos, que precisam ser mediados por entidades como o parque se propõe a ser”, reforça Renato Francês.
A internacionalização do PCT Guamá também é um objetivo para os próximos anos. O ecossistema busca se tornar uma referência para a Pan-Amazônia e para a América do Sul, além de ampliar a integração com atores internacionais relevantes para impulsionar ciência, tecnologia e inovação em economias em desenvolvimento.
As ações de internacionalização visam projetar o parque como um centro de excelência formado por pesquisadores da região, com foco no aprimoramento de bioativos e na valorização do conhecimento tradicional, em parceria com territórios da própria Amazônia. “O Brics é um exemplo. Recentemente, o parque, por meio da Fundação Guamá, realizou ações nesse sentido, com cooperações com a Rússia e a China. Agora estamos começando a conversar com a Índia, países importantíssimos no cenário global e que certamente teriam interesse em cooperar com uma entidade da Amazônia”, cita o diretor.
Outro trabalho que vem sendo realizado é o fortalecimento do posicionamento da instituição gestora do parque como ICT, uma identidade institucional que vem sendo aprimorada por representar um fator de captação de recursos, indução de políticas e articulação institucional. A disposição é um diferencial entre instituições que administram parques tecnológicos.