
A Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) promoveu, de 16 a 20 de março, no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia (PBIA), em Belém, no complexo Porto Futuro II, um curso voltado ao beneficiamento de polpas de frutas, com foco na qualificação da produção e ampliação de oportunidades de mercado para cooperativas. A iniciativa contou com execução técnica do Cesupa e da Trama Projetos, e beneficiou organizações de diferentes municípios paraenses.
A secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, destaca que a iniciativa reforça o papel estratégico do apoio técnico e da infraestrutura no fortalecimento dos negócios comunitários. “É com muita satisfação que vemos a materialização da oportunidade de esses empreendimentos, apoiados pelo projeto Inova Sociobio, terem acesso à capacitação especializada e utilizarem equipamentos do Parque de Bioeconomia. Isso promove o aumento da produtividade, melhora a qualidade dos produtos e amplia o acesso a mercados”, frisou.
Segundo ela, o impacto vai além dos beneficiários diretos e contribui para o desenvolvimento econômico do Estado. “Com essa iniciativa, fica evidente o quanto os negócios comunitários da sociobio e a economia do Pará têm a ganhar ao internalizar capacitação e equipamentos adequados. Esse é, inclusive, o propósito do Parque de Bioeconomia dentro do Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio): impulsionar a escalabilidade dos negócios da bioeconomia em nosso Estado”, enfatizou.
O projeto contempla capacitações técnicas, desenvolvimento e validação de produtos em laboratório, análises de qualidade, além de apoio na construção de marca e estratégias comerciais. A metodologia aplicada é participativa e adaptada às realidades territoriais das organizações envolvidas, garantindo que os produtos finais estejam alinhados às demandas locais e às exigências do mercado.
Ao final do processo, as cooperativas e associações participantes receberão produtos validados, além de orientações técnicas e comerciais que permitirão maior competitividade e geração de renda.
A imersão técnica prepara cooperativas para desenvolvimento de produtos antes do início das atividades formativas, os participantes vivenciaram uma imersão técnica com foco na troca de experiências e preparação para o processo de inovação.
A programação incluiu visita técnica à Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), referência na agroindústria paraense, com a participação de representantes de quatro associações e cooperativas selecionadas pelo Inova Sociobio 2.0, dos municípios de Oeiras do Pará, São Miguel do Guamá, São João de Pirabas e Viseu.
A atividade teve como objetivo promover o intercâmbio de conhecimentos práticos sobre organização produtiva, beneficiamento e gestão, além de preparar os participantes para o curso de desenvolvimento de Mínimos Produtos Viáveis (MVP), ministrado pelo Cesupa no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia (PBIA).
A imersão também funcionou como uma introdução ao conceito de “laboratório vivo” e ao funcionamento do laboratório-fábrica, onde os produtos serão desenvolvidos e testados ao longo do projeto. Para os participantes, a experiência foi decisiva para compreender, na prática, os desafios e caminhos da agroindustrialização.
“Essa visita foi muito importante para levarmos conhecimento para dentro da nossa cooperativa. Foi muito gratificante conhecer como eles começaram, as dificuldades que tiveram. Isso mostra para nós que nada vem fácil, tudo exige trabalho”, destacou Osvaldo Rebelo, presidente da Agromel.
Conhecimento aplicado à realidade local
Representando a Coopaviseu, do município de Viseu, Adenilton Abreu destacou a importância da iniciativa para transformar a produção local por meio da qualificação técnica. “Estamos aqui representando a Coopaviseu, um símbolo da agricultura familiar, em busca de conhecimento para levar de volta à nossa comunidade e fortalecer cada vez mais a participação da agricultura familiar no Pará e até no Brasil. Nosso município tem uma biodiversidade muito rica, com produtos como açaí, buriti e bacuri, mas ainda precisamos avançar na profissionalização. Essa oportunidade é fundamental para transformar a economia local e gerar mais desenvolvimento para o nosso povo”, concluiu.
A tecnóloga em alimentos Lorena Samara, que acompanha as atividades do projeto, reforça que o foco está na valorização do que já é produzido pelas comunidades. “O projeto tem como objetivo capacitar e acompanhar o desenvolvimento de comunidades, garantindo que elas consigam melhorar o retorno financeiro a partir daquilo que já produzem. Além da qualificação, também trabalhamos certificações importantes, como a de manipulador de alimentos, permitindo que esses produtos sejam comercializados com mais qualidade e segurança”, explicou.
Para as organizações participantes, o acesso ao conhecimento técnico e à estrutura de desenvolvimento representa um avanço significativo. É o que destaca Osvaldo Rebelo, presidente da Agromel, cooperativa de agricultores e apicultores do nordeste paraense.
“A partir do projeto Inova Sociobio, já estamos iniciando ações como a implantação da nossa casa de despolpa de frutas. Mesmo sendo uma cooperativa nova, temos a certeza de que, com apoio e capacitação, vamos avançar. O cooperativismo é essencial para fortalecer não só as cooperativas, mas toda a estrutura econômica do Estado”, destacou.
O projeto é realizado em parceria com instituições que atuam no fortalecimento da sociobiodiversidade, unindo conhecimento técnico, inovação e apoio territorial para garantir resultados concretos às organizações participantes. “Outro objetivo é fortalecer o acompanhamento dos projetos apoiados pelo Inova Sociobio, promovendo uma atuação mais próxima e colaborativa. A iniciativa também cria um ambiente de troca entre saberes tradicionais e conhecimentos técnico-científicos, essencial para o desenvolvimento das cadeias produtivas da sociobioeconomia”, destacou Pedro Leitão, CEO da Trama Projetos.
Ao final do processo, as organizações participantes contarão com formulações desenvolvidas, produtos processados e envasados, além de resultados de análises físico-químicas e microbiológicas que asseguram a qualidade e a segurança dos alimentos.
A iniciativa também possibilita a realização de testes de mercado, etapa fundamental para avaliar a aceitação dos produtos e ampliar as oportunidades de inserção comercial, consolidando o potencial das cadeias da sociobiodiversidade no Estado.