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Universidade do Estado do Pará certifica 34 novos especialistas em transtornos do espectro autista no município de Parauapebas

Programa de pós-graduação da instituição capacita profissionais para intervenções multidisciplinares em contextos multissetoriais

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Pará
04/03/2026 às 22h40
Universidade do Estado do Pará certifica 34 novos especialistas em transtornos do espectro autista no município de Parauapebas
Foto: Divulgação

A Universidade do Estado do Pará (Uepa) realizou, nesta nesta quarta-feira (4), a cerimônia de conclusão de curso para os estudantes do campus Parauapebas que terminaram o programa de pós-graduação latu sensu em Transtornos do Espectro Autista: Intervenções multidisciplinares em contextos multissetoriais. Foram certificados 34 estudantes que, após esta qualificação, poderão atuar junto a outras especialidades e em diversas áreas como saúde, educação e assistência social para auxiliar no diagnóstico e tratamento de pessoas neuroatípicas.

Esta é a primeira turma graduada neste programa de especialização no campus do município, fortalecendo o processo de interiorização da formação e ampliando o alcance da universidade junto a municípios que historicamente enfrentam desigualdades no acesso à qualificação especializada.

“Para nós é uma satisfação muito grande ver iniciativas de qualificação se multiplicando pelo nosso Estado. A demanda por acompanhamento adequado para as pessoas que estão no espectro do autismo é crescente, e ter mais profissionais disponíveis para lidar com as especificidades da população neurodivergente nos dá a esperança de que teremos um futuro de mais inclusão e respeito para todos”, avalia Brenda Maradei, da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa) da Secretaria de Saúde do Estado (Sespa).

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“A Uepa reafirma o seu compromisso com a inclusão, a ciência e a transformação social com a formatura desta turma de especialização em Transtorno do Espectro Autista no Pará, em Parauapebas, que o resultado de uma ação pioneira que amplia o acesso à formação qualificada no Estado. Quando qualificamos os profissionais de diferentes áreas do conhecimento, ampliamos a participação efetiva da Uepa na construção de uma sociedade mais preparada, sensível e comprometida com o respeito à diversidade, principalmente na região Sudeste do Pará”, disse o reitor da Uepa, Clay Chagas.

Qualificação profissional

Janaína Queiroz foi uma das graduadas na especialização. Ela, que é formada em Letras e Pedagogia com pós-graduação em Educação Especial, disse que a especialização ofertada pela UEPA representou um marco em sua trajetória profissional.

“Essa pós-graduação ampliou muito o meu olhar sobre a prática pedagógica. Hoje consigo compreender melhor como atuar com os estudantes dentro da escola, especialmente considerando que, na realidade de municípios como Parauapebas e Canaã dos Carajás, grande parte dos estudantes com deficiência que chegam às escolas está dentro do espectro do autismo. A formação também contribuiu para que eu desenvolvesse um olhar mais sensível e mais fundamentado teoricamente sobre as barreiras que muitas vezes impedem essas crianças de aprender e de se socializar. A partir desse conhecimento, passamos a compreender melhor quais estratégias, atividades e recursos pedagógicos podem ajudar a diminuir essas barreiras”, destacou Janaína.

Para Suellen Alcântara, que é graduada em Pedagogia com pós-graduações em Psicopedagogia Educacional, Institucional e Clínica, Neuropsicopedagogia e em Educação especial inclusiva, a pós graduação ofertada pela UEPA foi mais uma etapa de aperfeiçoamento profissional.

“Desde a graduação, meu objetivo profissional sempre foi atuar exclusivamente na área da Educação Especial na perspectiva inclusiva, buscando colocar em prática as competências e habilidades adquiridas ao longo da minha formação. Minha intenção sempre foi contribuir para que a inclusão escolar aconteça de forma efetiva, garantindo não apenas o acesso, mas também a permanência e o sucesso dos estudantes público-alvo da educação especial. Atualmente, atuo como professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) na rede municipal de ensino, sendo que aproximadamente 90% do público atendido é composto por estudantes autistas. Além disso, desenvolvo trabalho voluntário com o mesmo público. Diante dessa realidade, compreendi a urgência de ampliar minha formação específica na área, vislumbrando na pós-graduação a oportunidade de qualificação em um curso que representava um projeto profissional e pessoal de grande significado”, relata a professora

Sobre o curso

O curso de pós graduação em Transtornos do Espectro Autista: Intervenções multidisciplinares em contextos multissetoriais é ofertado desde 2020, e já teve turmas em Belém, Marabá e Santarém, totalizando 284 pessoas capacitadas. “Os docentes da pós são todos da UEPA e o critério para compor nosso quadro docente é ter experiência na atenção ao TEA, além da formação específica que cada disciplina exige.”, disse Scheilla Abbud, que coordena o curso desde sua implantação.

A qualificação é realizada com recursos oriundos de uma emenda parlamentar compartilhada por 20 deputados estaduais, e tem como objetivo preparar profissionais de diferentes origens acadêmicas para a atuação conjunta em benefício da população neurodiversa, proporcionando o desenvolvimento de uma sociedade mais inclusiva e preparada para lidar com o diferente.

É o caso do professor e pesquisador Cláudio Lima da Silva, que é graduado em matemática com mestrado em ensino da matemática pela Uepa e aluno de doutorado pela mesma instituição, e que procurou a especialização em Transtornos do Espectro Autista para poder ampliar seus conhecimentos por uma razão muito especial:

“Sou pai de uma criança com autismo por meio de adoção, e essa experiência despertou em mim um interesse ainda maior em compreender melhor o desenvolvimento, a aprendizagem e as necessidades educacionais das pessoas no espectro. Além disso, como professor da rede pública, percebo diariamente a importância de uma formação mais qualificada para que possamos construir práticas pedagógicas realmente inclusivas. O curso foi uma oportunidade de aprofundar conhecimentos teóricos e também refletir sobre estratégias que possam contribuir para uma educação mais sensível às diferenças e às singularidades dos estudantes”, relata.

Experiência semelhante teve a coordenadora do curso, que também foi motivada por sua vivência no espectro. “É um curso aberto a qualquer graduação, uma vez que sendo pessoa autista, mãe de uma jovem de 39 anos autista e avó de uma adolescente de 16 anos autista, e tendo atuação na área do autismo desde 1987, entendo que frequentamos qualquer espaço social e, portanto, merecemos ser atendidos adequadamente”, explica Scheilla Abbud.

“Ao qualificar profissionais de diferentes áreas do conhecimento, ampliamos a participação efetiva da Uepa na construção de uma sociedade mais preparada, sensível e comprometida com o respeito à diversidade”, conclui o reitor Clay Chagas.

Texto em parceria com Ingo Müller (Sespa)

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