
A Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (Eetepa) Francisco Coimbra Lobato, em Santarém, no Oeste paraense, foi palco, neste final de semana, da quarta edição do evento “Like a Girl: faça ciência como uma garota”, iniciativa promovida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet) que vem consolidando um espaço de incentivo ao protagonismo feminino e à aproximação dos estudantes com a ciência e a tecnologia desde o início da vida escolar.
Voltado às alunas ingressantes das turmas do Ensino Médio integrado e realizado em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o evento reuniu estudantes, professoras, pesquisadoras convidadas e a comunidade escolar em uma programação construída para estimular o pensamento científico por meio de experiências práticas, diálogo e integração entre diferentes áreas do conhecimento.
A coordenação geral ficou sob responsabilidade das professoras Sarah Batalha, de Química, Girlane Freire, de Biologia, e Rosiany Marla Riker, de Física, que organizaram uma proposta pedagógica interdisciplinar aberta a todos os alunos dos cursos técnicos de Logística, Segurança do Trabalho, Redes de Computadores e Informática. A iniciativa buscou apresentar a ciência de forma acessível, conectada ao cotidiano dos estudantes e às demandas contemporâneas da sociedade.
Segundo a professora Sarah Batalha, a proposta do evento é despertar o interesse pela investigação científica logo no início da trajetória acadêmica. Ela destaca que o contato precoce com atividades práticas contribui para que os alunos compreendam o aprendizado para além da teoria. “O Like a Girl nasce com a missão de mostrar que a ciência é acessível e que todos podem ocupar esse espaço. Quando os estudantes vivenciam a prática científica logo no primeiro ano, eles passam a enxergar o aprendizado de forma mais significativa e conectada com a realidade”, afirmou.
A programação teve início com mesa de abertura, rodas de conversa com pesquisadoras convidadas, cineclube e atividades interativas que promoveram reflexões sobre carreira, ciência e protagonismo juvenil. No segundo dia, os laboratórios da escola se transformaram em espaços de experimentação, onde os estudantes participaram de oficinas práticas voltadas à sustentabilidade, biotecnologia, tecnologia digital, educação financeira e inovação científica.
Entre as convidadas esteve Gabrielle Souza, empresária do setor de tecnologia e ex-aluna da Eetepa que retornou à instituição para ministrar uma oficina destinada aos alunos do curso de Informática. Para ela, participar do evento representa também um reencontro com a própria trajetória acadêmica. “É muito bom participar desses eventos não só como instrutora, mas como ex-aluna da escola técnica. São experiências que contribuíram para nossa carreira acadêmica e mostram aos estudantes que saímos preparados para o mercado de trabalho”, destacou.
Durante as atividades, os participantes tiveram acesso a oficinas como produção de tintas naturais à base de solo, compostagem sustentável, extração de DNA da banana, eletrólise em frutas amazônicas, produção de sabão ecológico com óleo de cozinha reutilizado, informática aplicada à experiência do usuário (UX/UI) e educação financeira para jovens, além de experimentos científicos voltados à realidade amazônica.
Para a aluna ingressante Maria Eduarda Rocha Sampaio, do curso técnico de Logística, a experiência proporcionou uma nova percepção sobre o ensino científico. Ela conta que chegou à escola imaginando a ciência restrita à teoria, mas encontrou um ambiente acolhedor e dinâmico. “Nas oficinas conseguimos experimentar e entender na prática. Foi muito acolhedor chegar na escola e ver alunos mais antigos ajudando e ensinando. Isso dá segurança para quem está começando agora”, relatou.
Além de participarem como público principal, os novos estudantes contaram com o apoio das alunas veteranas das turmas 2024 e 2026, que atuaram como monitoras e colaboraram diretamente na organização e execução das atividades, fortalecendo o espírito de cooperação e pertencimento dentro da comunidade escolar.
A estudante Kailane Batista, veterana do terceiro ano do curso de Meio Ambiente, participou como instrutora da oficina de tintas naturais e destacou a importância da aplicação prática do conhecimento. Segundo ela, a atividade demonstrou que a ciência pode ser utilizada como ferramenta de transformação social e ambiental. “A oficina mostrou que a ciência está presente no nosso dia a dia e que podemos usar o conhecimento para melhorar o meio ambiente e a comunidade”, enfatizou.
Ao final da programação, o evento reafirmou o papel da escola técnica como espaço de inovação, inclusão e construção coletiva do conhecimento. Para o titular da Sectet, Victor Dias, iniciativas como o “Like a Girl” fortalecem uma educação pública comprometida com o desenvolvimento científico e humano dos jovens paraenses. Ele ressalta que a integração entre ensino técnico, pesquisa e experimentação contribui para estimular a curiosidade, a criatividade e a formação cidadã dos estudantes, preparando-os para os desafios do futuro.
Texto: Carla Couto | Ascom Sectet